25 de Abril - as operações militares

25 de Abril - as operações militares

Mensagempor Viriato » Sexta-Feira 25 Abril 2008, 18:40

24 de Abril 1974

17h30 - Imagem GRUPO L 34
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GRUPO L 34
RELATÓRIO DE ACÇÃO

1 - SITUAÇÃO - O grupo L 34 tinha uma acção específica referente ao Movimento de 25 de Abril de 1974.

2 - MISSÃO - Numa acção conjunta de todos os elementos do grupo pretendia-se capturar o Comandante do Regimento de Cavalaria n.º 7 Exmo. Coronel António Romeiras.

3 - ARTICULAÇÃO DO GRUPO: - L . 34 era constituído pelos Oficiais da Academia Militar:
Capitães de Infantaria António Alves Martins e José António Ribeiro da Silva; Capitão de Artilharia António Carlos Morais da Silva; Capitão de Infantaria Rui Faria de Oliveira; Tenente de Infantaria Américo José Guimarães Fernandes Henriques.

4 - MEIOS DISPONÍVEIS: - 3 viaturas particulares; 3 espingardas automáticas G3; 3 pistolas Walter e 3 E/R AVP-1. Existia ainda material particular pertença dos elementos do grupo.

5. - EXECUÇÃO. - O grupo depois de reunido na Academia Militar (Amadora) deslocou-se para casa do Capitão Morais Silva com a finalidade de ultimar pormenores e receber a ordem de operações.
Pelas 17.30 horas de 24 de Abril o grupo deslocou-se para a Praça de Londres (local da acção) onde montou o seu dispositivo. Pelas 19 horas chegou o Exmo. Coronel Romeiras na sua viatura particular. O grupo fez os últimos reconhecimentos e aguardou o sinal início da operação. Pelas 22.55 horas foi recebido o sinal Rádio do início do Movimento. Cerca das 4 horas de 25 de Abril 74 o Exmo. Coronel Romeiras saiu de casa no seu automóvel particular e deslocou-se a alta velocidade pela Avenida de Roma seguido pelo Capitão Alves Martins e restantes elementos L. 34. Como o itinerário utilizado era exactamente o único não referenciado durante6s reconhecimentos e perseguições anteriormente efectuados, e
(1) As Informações do referido oficial são exactas. A Injustiça que decorreu da sua marginalização deveu-se à Influência spinolista. ainda pela dificuldade de actuação na Avenida de Roma, o Comandante de Cavalaria 7 conseguiu despistar L 34.
Interessa referir, que cerca 25/5 Abril 74 o Capitão Morais Silva entrou em contacto com o PC que o informou do Movimento de uma força contra um dos objectivos já conquistados. Pelo trajecto seguido pelo Exmo. Coronel Romeiras ficámos com a noção de ele se dirigir a toda a velocidade para o Aeroporto. Seguimos então para a Avenida Gulbenkian onde nos juntámos.
Dividimos L 34 em duas viaturas, seguindo uma para a Academia Militar (Capitão Alves Martins, Capitão Ribeiro da Silva, Tenente Fernandes Henriques) e outra para o PC (Capitão Morais Silva, Capitão Faria de Oliveira). Os elementos que se dirigiram para a Academia Militar na Amadora depois de se certificarem que não havia qualquer alteração à situação deslocaram-se para o PC no Regimento de Engenharia 1.
Cerca das 5.30 horas de 25 de Abril, L 34 reuniu-se novamente no P.C., onde os Capitães Alves Martins e Faria de Oliveira receberam ordem de regresso à Academia Militar por Imediata prioridade dessa missão, e os restantes elementos do grupo ficaram à disposição do Comando.
Cerca das 6 horas de 25 de Abril os Capitães Morais Silva e Ribeiro da Silva e o Tenente F. Henriques aderiram ao grupo do Exmo. Major Jaime Neves a fim de reforçarem a força da Escola Prática de Cavalaria que ocupava o Terreiro do Paço. Incluídos nesse grupo tomaram parte nas acções que aí decorreram. O Capitão Morais Silva seguiu com a coluna do Exmo. Major Jaime Neves que foi ocupar o Quartel da Penha de França, enquanto o Capitão Ribeiro da Silva e o Tenente Henriques foram com outros Oficiais em viaturas civis conduzir Oficiais capturados ao P.C. em Engenharia 1. Uma destas viaturas era a viatura particular do Capitão Mesquita Portugal, da Academia, que se encontrava no Terreiro do Paço. Em Engenharia 1 encontrava-se o Capitão Faria de Oliveira, que com o Tenente Henriques se juntou ao Exmo. Major Adérito Figueira a fim de Irem reforçar a Penha de França, ficando o Capitão Ribeiro da Silva à disposição do Comando.
Cerca das 2 horas de 25 de Abril o Exmo. Major Neves formou na Penha de França dois agrupamentos, tendo ficado naquele Quartel o Capitão Faria de Oliveira, seguindo o Capitão Morais Silva e o Tenente Henriques no agrupamento do Exmo. Major Neves para o P.C. em Engenharia 1.
Em 26/1/Abril 74, estes oficiais com o Capitão Ribeiro da Silva saíram no agrupamento do Exmo. Major Neves para escoltar as entidades da Junta de Salvação Nacional até à RTP.
Depois do regresso ao P.C., este agrupamento efectuou com o Exmo. Coronel Almeida Bruno as detenções do General Comandante da Academia Militar, e do Comandante do seu Corpo de Alunos, bem como a escolta até ao Aeroporto do Exmo. Almirante Américo Tomás.
Cerca da 1.30 de 26 de Abril de 74 o agrupamento saiu com missões de escolta, tendo na noite de 26 de Abril procedido a missões na Baixa de Lisboa. Cerca da 1 hora de 27 de Abril de 74 os Capitães Morais Silva e Ribeiro da Silva, e o Tenente Henriques actuaram no agrupamento do Exmo. Major Neves contra as instalações da Escola Técnica da D.G.S.
Em 27 de Abril de 74. pelas 14 horas, os oficiais de L 34 regressaram à Academia Militar para continuarem o seu serviço normal, tendo o Capitão Faria de Oliveira ficado no Quartel da Penha de França a proceder ao arrolamento do material e documentos ali encontrados.
Quartel em Amadora, 2 de Maio de 1974.
António Carlos Morais da Silva, Capitão de Art.

Este grupo de oficias da Academia Militar tinha uma Missão específica: - Missão - Captura do Comandante do Regimento de Cavalaria 7, Cor. António Romeiras, a principal unidade afecta ao regime. - Constittuição - Capitães Alves Martins, Ribeiro da Silva, Morais Silva, Faria de Oliveira e oTenente Américo Henriques. Os elementos do Grupo efectuaram reconhecimentos junto à residência do Cor. Romeiras, na Praça de Londres.

20h00 - PREPARATIVOS PARA A TRANSMISSÃO DA 2.ª SENHA.
O locutor Leite Vasconcelos (em dia de folga no Limite) é convocado por Manuel Tomás para "gravar poemas", um dos seus trabalhos de rotina era precisamente gravar os poemas diariamente transmitidos pelo Limite. Carlos Albino escreve então dois textos intencionais para serem visados pelo censor, com a finalidade de «envolver» a senha. Censor autoriza textos e alinhamento. Na Renascença, são efectuadas as gravaçõe dos textos por Leite Vasconcelos que desconhece o seu objectivo.

21h00 - Imagem E.P.T. Escola Prática de Transmissões, Lisboa (EPT)
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ESCOLA PRÁTICA DE TRANSMISSÕES RELATÓRIO

Relatório Operação 25 de Abril de 1974

1 - O Senhor Comandante da Escola Prática de Transmissões foi abordado dois dias antes do 25 de Abril e esclarecido sobre o programa do Movimento. Em face de uma possível acção das Forças Armadas e da colaboração da sua Unidade, não foi de modo algum contrário. Tivemos a confirmação da sua adesão aquando da sua entrada na Unidade, o que se verificou cerca das 5 horas do dia 25 de Abril. O Senhor 2.° Comandante, nunca foi contactado e a nada se opôs naquele dia, uma vez que chegou depois do Senhor Comandante e lhe obedeceu.
2 e 3 - Estas alíneas são inteiramente respondidas na seguinte, quer pelo carácter singular da nossa acção, quer pelo não contacto com populações civis durante a mesma.
4 - Os preparativos para a nossa acção começaram dois dias antes com a montagem de um cabo e telefones, um dos quais directo, da E.P.T. ao PC, colocação de um receptor no CRU, e escuta das redes HF da GNR, LP, DGS e PSP. Antes do recolher do dia 24, os Capitães entraram normalmente na Unidade, e ocuparam em dois grupos, o Centro Nacional de Transmissões e um dos torreões do corpo principal do edifício. Aqui fazia-se a escuta das redes rádio atrás referidas, e estava-se Iigado ao PC directamente, via rádio (TA 28). No CNT, a partir das 21 horas, foram controladas todas as comunicações telefónicas e via rádio.
Na central automática deste Centro estavam sob escuta permanente os telefones dos Ministro do Exército. Subsecretário de Estado do Exército, Chefe do Estado Maior do Exército e Ministro da Defesa. Outras chamadas eram interceptadas, sem que se soubesse «a priori» quem nelas intervinha. A nossa acção resumiu-se, portanto, à escuta destes telefones e à sua comunicação imediata ao PC, através do telefone directo. De salientar a acção do Capitão Veríssimo da Cruz e do Capitão Madeira, que não regatearam o mínimo esforço no sentido de se conseguir uma colaboração o mais valiosa possível. De salientar também a equipa de montadores que chefiada pelo Furriel Cenoura montou cerca de 4 quilómetros de cabo em menos de 24 horas.
Quartel em Lisboa. 5 de Maio de 1974.

Francisco António Fialho da Rosa,
Cap. Eng. Tm.

Foram montadas escutas às redes de comunicação da GNR, LP, DGS e PSP. Igualmente foram montadas escutas telefónicas permanentes ao Ministro e Subsecretário de Estado do Exército, Chefe do Estado Maior do Exército e Ministro da Defesa. Abertura de comunicação com linha directa ao Posto e Comando da Pontinha. Estas acções foram possíveis porque dois antes se iniciaram preparativos técnicos necessários, incluindo a montagem de cerca de 4 Km de cabo em menos de 24 horas. As operações foram dirigidas pelo Cap. Fialho da Rosa contando com as valiosas colaborações dos Cap. Veríssimo da Cruz e Madeira e ainda do Furriel Cenoura.

22h00 - Imagem POSTO DE COMANDO DO MFA
Está Reunido, no Regimento de Engenharia n.º 1 (RE1) na Pontinha Lisboa, o Postos de Comando (PC) do Movimento das Forças Armadas (MFA), com as presenças: - Major Otelo Saraiva de Carvalho - Capitão-Tenente Vítor Crespo - Major Sanches Osório - Ten-Cor. Garcia dos Santos - Ten-Cor. Fisher Lopes Pires Mais tarde, vindo de Tomar, juntar-se-ia o Major Hugo dos Santos. O Capitão Luis Macedo, oficial da unidade, garantia a segurança do Posto de Comando. Presente ainda o Major José Maria Azevedo dando apoio ao Posto de Comando.

22h55 - Imagem 1.º SINAL (Pode ouvir a música aqui!)
A voz de João Paulo Dinis anuncia aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74 «E Depois do Adeus». Era o primeiro sinal para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas.

23h00 - Imagem E.P.A.Escola Prática de Artilharia, Vendas Novas (EPA) Imagem
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ESCOLA PRÁTICA DE ARTILHARIA

Vendas Novas, 3 Maio 74

RELATÓRIO DAS ACÇOES DESENVOLVIDAS PELA ESCOLA PRÁTICA DE ARTILHARIA INTEGRADAS NO MOVIMENTO DAS F. A.
1. ANTECEDENTES

Desde a primeira hora ligada 80 M.F.A. pelos seus Oficiais do Q.P. de Arma dos escalões capitão e subalternos, foi ao longo do tempo realizada uma acção prévia incluindo: - Diversos contactos com outros camaradas ligados ao Movimento e com a Comissão Coordenadora, através das reuniões convocadas pela referida comissão a partir da realizada nos arredores de Évora (9 Set. 74) - Realização de sucessivas reuniões no âmbito da Unidade, com o objectivo de mentalização e identificação de todos com as finalidades e propósitos do Movimento - Decidida por unanimidade dos Oficiais acima referidos a participação total e activa, nas acções de força que se tornasse necessário desencadear, deu-se Início a uma fase de estudo e planeamento, compreendendo os seguintes pontos principais:
- Detenção do Cmdt e 2.° Cmdt. - Recrutamento de Oficiais do Q.C. e de Sargentos. Organização e preparação (técnico-táctica e logística) de duas Batarias de Artilharia (uma de 8,8 em e outra de 10,5 em) e duma Companhia Motorizada tipo atiradores, destinadas a actuação exterior. - Defesa imediata do Quartel. - Controle da Vila de VENDAS NOVAS, incluindo eliminação da força local de G.N.R.
- Recebida em mão a ordem de Opero em D-1, procedeu-se ao seu estudo, tendo-se tomado as disposições finais para início da acção.

2. DESENROLAR DA ACÇÃO

a. Dia 24
- Uma vez que o Cmdt e 2.° Cmdt eram elementos armados e decididos a resistir, tendo inclusivamente estabelecido previamente um sistema de Alerta através do Posto local da G.N.R., foi provocada uma reunião com aqueles Oficiais (cujo pretexto foi assentar pormenores relativos à visita do ex-ministro do Exército, General Andrade e Silva, projectada para 25 de Abril) com a finalidade de facilitar a sua detenção. Reunidos assim no Gabinete do Comandante aguardou-se a confirmação pela rádio do início das actividades; imediatamente irrompe pelo citado gabinete uma equipa constituída pelos Tenentes de Art. Andrade e Silva, António Pedro e Sales Grade, que juntamente com os outros Oficiais presentes (Capitães Mira Monteiro e Patrícia, e Tenente de Art. Ruaz e Nave) prenderam o Cor. Belo de Carvalho e o Ten. Cor. João Nascimento tendo-lhe sido na altura relatada toda a situação pelo Sr. Cap. Patrício, os quais foram conduzidos para um quarto que ficou vigiado por dois Oficiais armados. - Seguidamente, com as Centrais Rádio e telefónica já ocupadas e com as entradas do Quartel sob controle, foi exposta a situação e indicados os objectivos e finalidades do Movimento, tendo para o efeito:
- O Capitão Santos Silva chegado clandestinamente meia hora antes da B.A 3, onde se encontrava em diligência reunido os Oficias do Q.C. que aderiram na sua totalidade. (Este Oficial. na qualidade de mais antigo, havia assumido o Comando desta E.P.A.) - O Capitão Mira Monteiro teve idêntica acção junto dos Sargentos e Furriéis, verificando-se apenas a total adesão dos últimos. Assim foram detidos todos os Sargentos presentes. Também o Ten. Andrade e Silva falou aos primeiros cabos Mil. da Unidade que também aderiram unanimemente.
- Cerca das 24 horas foi organizada uma formatura geral, com a presença dos quadros decididos a actuar à qual foram distribuídas funções:
COMANDO
- Cmdt: Cap. Santos Silva; Adjuntos: Tenentes Martins C. Ruaz, Sales Grade e Sousa Brandão.
BTR ART. 8,8 em (a 6 b.f.)
- Cmdt: Cap. Oliveira Patrício; Subalternos: Tenentes Marques Nave, Almas Imperial, Pereira de Sousa e Aspirantes Mil. Tolentino e Gonçalves.
BTR ART 10,5 em (a 4 b.f.)
- Cmdt: Cap. Duarte Mendes; Subalternos: Alteres Gaspar Madeira e Formeiro Monteiro e Asp. Mil. Guerra.
COMP. ART MOTORIZADA (4 Pelotões)
- Cmdt: Cap. Mira Monteiro; Subalternos: Tenentes Andrade da Silva, António Pedro, Ribeiro Baptista, Amílcar Rodrigues e Asp. Mil. Carvalho e Salgueiro.
Reserva (3 Pelotões)
- Cmdt: Cap. Canatário Serafim; Subalternos: Tenente. Jesus Duarta e Alf. Mil. Medeiros.
b. Dia 25
(1) Armadas, equipadas e municiadas, as forças iniciaram o movimento à hora prevista na O. Oper. (3 horas), tendo a C. Art e a BTR 8,8 constituído uma coluna (de 16 viaturas militares e 1 civil transportando uma equipa de exploração) a qual alcançou e ocupou a posição de Cristo Rei, em ALMADA, pelas 7 horas. Simultaneamente com a saída destas forças, a BTR de 10,5 ocupou posições a cavaleiro das estradas de MONTEMOR-O-NOVO e LAVRE, com as missões de interdição destes eixos e de segurança próxima da Unidade.
(2) Actuação da BTR ART 8,8
- Ocupou posições de crista, permitindo-lhe bater em tiro directo, qualquer coluna que atravessasse a Ponte, ou qualquer navio no estuário do Tejo; como objectivos em Lisboa, nomeadamente o Monsanto e o Terreiro do Paço. - Cerca das 9.30 horas apontaram sobre uma fragata em movimento, conforme ordem recebida do P.C. mantendo 2 bocas de fogo apontadas até as fragatas saírem do Tejo e as restantes 4 bocas de fogo apontadas sobre Monsanto. - Não tendo sido necessária a realização de fogos, esta Unidade exerceu no entanto Importante acção de presença e de esclarecimento da numerosa população de ALMADA, tendo sempre constituído elemento capaz de, em quaisquer condições, Influenciar o desencadear da acção, pela colocação dos seus tiros nos objectivos que se revelassem.
(3) Actuação da PART MOTORIZADA
- Montou a segurança à BTR 8,8 em e estabeleceu o controle do acesso à PONTE SALAZAR
- Cerca das 9.00 horas montou um dispositivo com a finalidade de interceptar uma viatura
civil da P.M. na qual seguia Major de Cavo Manuel Cruz Azevedo, conforme ordem emanada do P .C. - Cerca das 11.30 horas ocupou posições para interceptar um DEST FZ que se deslocava para Lisboa, caso este não fizesse o sinal de código (agitação das boinas) emanado do P.C.; o referido DEST seguiu ao seu destino, tendo algum tempo. Depois passado pela posição em sentido inverso. Mais tarde pelas 14.30 horas) este mesmo DEST contactou com as NF, conforme havia sido comunicado pelo P.C., tendo ali permanecido sem qualquer acção. - Pelas 15.15 horas, a CART recebeu a missão de se deslocar à CR do GOV. MIL. LX (TRAFARIA) a fim de libertar os Oficiais pertencentes ao Movimento; esta missão foi integralmente cumprida pela libertação de 11 Oficiais ali detidos. Esta força fez-se reforçar dum seco art. guarnecendo um obus 8,8 em que, depois de cercado o forte entrou em posição frente ao portão principal e a escassos metros deste. Ordenada a rendição. o portão foi aberto prontamente. Durante a acção foram detidos na área 24 elementos da G.N.R., os quais acompanharam as N.T. à posição inicial. Os Oficiais libertados, escoltados por forças da CART seguiram para LISBOA. - Pelas 16 horas foi dada ordem para cercar e ocupar o Regimento de Lanceiros 2. Montado o dispositivo, o Cmdt da força foi contactado por elementos do R.C. 7, que informaram estar com o Movimento. Seguidamente os portões do R.L. 2 entreabriram-se dando passagem a 2 Asp. Of. que manifestaram desejo de contactar com o Cmdt da força, a quem declararam que praças, graduados do QC. e eles próprios desejavam tomar parte na acção, o que não haviam ainda feito por oposição dos seus Comandos. - Armado e com 2 Furriéis Mil. como guarda costas, o Cmdt da força entrou no aquartelamento em causa, a fim de contactar o Coronel Cmdt e saber das sua posição. Deparou com enorme confusão no bar e dependências anexas, onde se encontrava grande número de Oficiais tentando os subalternos persuadir o seu Cmdt a aderir ao Movimento. Aquele Senhor, tentando ganhar tempo, declarou ao Cmdt da força sitiante que esperava as «necessárias» . ordens daqueles que nessa altura estavam já senhores da situação. Deparou-se então a seguinte situação: .
- Oficiais subalternos desejavam tomar parte activa na acção;
- Capitães diziam aderir mas declararam Que não saíam do Quartel;
- Cmdt e Major Cruz Azevedo manifestaram-se contra o Movimento;
- Restantes Oficiais superiores mal definidos;
- O Cmdt da força teve conhecimento de que a situação de quase total indisciplina que se verificava na Unidade, se•deveria principalmente ao facto de na manhã deste dia terem estado no Quartel várias personalidades de destaque, entre as quais o Almirante Henrique Tenreiro, que foi deixado sair em liberdade.
- Foi tentado um contacto com o P.C. por RACAL-TR 28, que não foi obtida; - entretanto chegou o Major Monge com indicações relativas ao procedimento a adoptar; - A força sitiante, que já se encontrava dentro do quartel, recebeu mais tarde do novo Cmdt da Unidade indicação para ali pernoitar, o que foi comunicado à posição de Cristo-Rei.

c. Dia 26
- Pela 1.30 horas as forças da CART reuniram-se à BTR na posição, onde aguardaram ordens.

d. Dia 27
- Pelas 12 horas, as forças desta E.P.A. receberam ordem de regresso ao Quartel, tendo alcançado VENDAS NOVAS pelas 18.30 horas.
3. DIVERSOS
- Em 26 às 18 horas foi levantada a segurança próxima, pela recolha da BTR ART.10,5.
- Em 25 às 16 horas aterrou na parada da Unidade um ELI ALOUETTE pilotado pelo Capitão Godinho, que Informou encontrarem-se forças estacionadas em MONTEMOR-O-NOVO e no desvio da estrada parar ARAIOLOS (que mais tarde se soube pertencerem as primeiras ao R.1. 13 e as últimas ao .R.1.16).
- Em 26 às 22.30 horas, apresentou-se nesta E.P.A. o Major Art. Rui Folhadela de M. Rebelo, que assumiu o Comando Int. da Unidade.

Assinaturas


MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS
ESCOLA PRATICA DE ARTILHARIA

Informação relativa aos:
- CORONEL DE ART. MÁRIO BELO DE CARVALHO
- TEN-CORONEL DE. ART. JOAO MANUEL GRAÇA PEREIRA DO NASCIMENTO

1. O primeiro oficial, que desempenhava as funções de Comandante desta Unidade, muito embora conhecedor da existência do Movimento, alheou-se sempre dele, mostrando-se incrédulo e disposto a fazer o que estivesse ao seu alcance para gorar os nossos intentos. Havia sido colocado aqui por ser amigo pessoal e elemento de confiança do ex-Secretário de Estado do Exército, coronel Viana de Lemos, pois que não era possuidor de quaisquer qualidades especiais que o creditassem como Comandante da maior e mais importante unidade de Artilharia do País. Tal facto está segundo Julgamos, na base da sua promoção a coronel, em que havia sido preterido em consequência de punição aplicada na Guiné pelo então Comandante-Chefe, General Spínola, quando ali comandou um BART situada em Catió. Em fins de Março promoveu a transferência para o RAL 4 do Capitão de Art. Luís Manuel Branco Domingues, oficial mais antigo desta E.P.A., membro do M.F.A., com o que julgava «sanear» a Unidade.
Na base desta atitude está o facto daquele oficial, em nome de todos os camaradas do O.P. da Arma, e numa reunião presidida pelo Comandante, ter manifestado solidariedade com os oficiais que não embarcaram para o CTI Açores. Durante esta tomada de, posição
foi-lhe pedido que de tal facto fosse dado conhecimento imediato à RME, o que. segundo oficiais colocados naquele O.P., não foi feito.
Mais tarde pretendeu ainda afastar o Tenente Sousa. por saber que constituía elemento de ligação. não havendo tomado, que se saiba. qualquer atitude contra outro elemento de ligação (Capitão Patrício) por este ter sido entretanto mobilizado para o CTI Guiné. Pelos factos apontados. não pôde deixar de ser detido, o que foi conseguido sem resistência. De resto. trata-se de uma personalidade fraca e um tanto abúlica. Pelo exposto, considera-se elemento que não interessa ao serviço activo do Exército.
2. O segundo oficial. 2.° Comandante, é o que se poderá chamar um «legalista». Rígido, desconfiado. teimoso. e cegamente determinado. era elemento considerado perigoso, tendo mesmo depois de detido. afirmado que,. se não tivesse sido colhido de surpresa, teria reagido violentamente, para o que se havia armado de pistola-metralhadora.
Tinha tomado disposições tendentes a fazer abortar o Movimento. Encontrava-se perfeitamente integrado nas ideias do Comandante. Elemento com espírito negativo. pensa-se que poderá eventualmente exercer represálias. Foi detido sem resistência. por não lhe ter sido dada oportunidade. Porque não exerceu qualquer acção relevante nesta Escola. não se lhe reconhecem qualidades especiais. e ainda pelos factos apontados, é nossa opinião não interessar ao serviço activo do Exército (1).
3. Julga-se ainda de interesse registar uma apreciação aos seguintes oficiais:
a. Coronel Art. José Luís de Azevedo Pereira Machado. Anterior Comandante desta Escola. revelou-se sempre elemento altamente negativo. Trata-se de um oficial extremamente ligado ao anterior regime. b. Ten-Coronel Art. José António Cardoso de Almeida. Anterior 2.° Comandante, é elemento fortemente. reaccionário. Sempre se mostrou contrário aos objectivos do Movimento das F.A. c. Major de Art. Comandos Júlio Faria Ribeiro de Oliveira. Antigo Comandante de Grupo. é elemento pró-General Kaúlza de Arriaga .. Revelou-se contrário ao Movimento, pelo qual manifestou no entanto certo Interesse em Dezembro último. por julgar ligado ao referido sr. General.
Ouartel em Vendas Novas, 3 de Maio de 1974.
a) Assinaturas

Foram presos o Comandante e 2.º Comandante da Unidade. Foram ocupadas as Centrais Rádio e Telefónica. Foram presos a totalidade dos sargentos que não aderiram. Os Furriéis e cabos Milicianos aderiram na totalidade. O Cap. Santos Silva chega entretanto à Unidade e assume o seu Comando falando aos restantes oficiais que de imediato aderem ao movimento. Estas acções foram executadas pelos Capitães Mira Monteiro, Patrício e os Tenentes Andrade Silva, António Pedro, Sales Grade, Ruaz e Nave.

23h30 - B.C.5 Batalhão de Caçadores 5 em Lisboa (BC5) Imagem
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BATALHÃO DE CAÇADORES N.º 5

RELATÓRIO DAS OCORRÊNCIAS RELATIVAS AO MOVIMENTO DO «25 DE ABRIL»

1. DESCRIÇÃO CRONOLÓGICA DOS ACONTECIMENTOS
a. Acções Preliminares
- Após a reunião dos delegados das Unidades do GML de 2O/Abril/74,em que foi anunciado o desencadear próximo da acção e uma atribuição prévia de missões, efectuaram-se os necessários reconhecimentos pelos 3 elementos do S.C. 5 já aderentes ao Movimento e aceleraram-se os preparativos.
- As missões atribuídas eram:
- Segurança dos Estúdios do R.C.P.
- Isolamento do Quartel da G.N.R. no Carmo.
(1) No dia 28 Abril 74, ainda o cor. Craveiro Lopes queria reunir carros de combate do R. Cavo 4, para marchar sobre Lisboa.
- Invocando a proximidade do 1º de Maio tomaram-se várias medidas relativas ao estado de prontidão das Companhias Operacionais visando a organização, armamento e municiamento, diminuição do tempo de intervenção, etc.
Entretanto preparou-se detalhadamente o plano de acção para o dia D.
- Cerca das 9.30 horas do dia 24 de Abril, o signatário era contactado pelo Oficial de ligação (Capitão Santa Clara) sendo-lhe fornecidos todos os elementos para a acção a desencadear-se na madrugada de 25 de Abril.
- Uma das Missões previamente atribuídas sofreu alteração deixando o B.C. 5 de Intervir na área do Carmo e passando a Incumbir-lhe a ocupação do Quartel da G.N.R.
b. Preparativos finais
- Dado conhecimento aos Capitães Camilo e Beatriz dos documentos operacionais recebidos.
- Contactado o Oficial Miliciano (Alferes Batista) escolhido para servir de elemento de ligação com os restantes elementos com vista à escolha do núcleo de Oficiais de confiança para enquadramento das Companhias Operacionais e Missões Especiais no Quartel.
A partir das Informações colhidas, contactados mais três Oficiais (Alf. Lopes, Frazão e Asp. Teixeira).
Nestes contactos não se referenciava a data/hora da acção.
- Efectuados preparativos diversos nomeadamente formaturas das Companhias Operacionais para acertos finais.
- Da tarde informado o Ten. Mascarenhas (CMDT da 2.ª Comp.ª Operacional) (e considerado elemento de confiança) da data/hora da acção sendo assim o único elemento até ar alheio ao movimento com aquele conhecimento. Marcada uma reunião dos Oficiais julgados de confiança para essa noite.
- Às 22.55 é ouvido o sinal de Rádio Graça previamente combinado.
- Em 24/2 reunidos os 30 Oficiais que constituíam o núcleo seleccionado e outros
Oficiais presentes na Unidade são-lhes por mim comunicados os objectivos do movimento e elementos de interesse para a sua informação. Convidados a aderir fazem-no sem hesitação e na sua totalidade. São mandados equipar e armar.
- A partir das 23.30 horas tomam-se as primeiras medidas nomeadamente o contacto da Central Telefónica por um Oficial e o dos Portões e Segurança por outro Oficial.
- Às 00.15 horas são reunidos todos os Sargentos e Cabos Milicianos presentes na Unidade. Informados de forma idêntica à da reunião de Oficiais aderem também sem excepção e são encaminhados para se juntarem aos oficiais das respectivas Companhias.
-É ouvido na Rádio Renascença o 2º sinal que tem efeitos psicológicos muito favoráveis em todo o pessoal.
- Às 01.45 os graduados acordam e mandam formar as Praças da forma mais discreta passível com vista a evitar. o alerta das forças da G.N.R. na Penitenciária.
c. Desenrolar de Acção.
- Às 03.00 h. as 2 Companhias Operacionais Iniciam a marcha apeada e saem pelo Portão do Marquês da Fronteira, dirigindo-se aos respectivos objectivos.
- À mesma hora e com efectivos da Formação e Companhia de Instrução o Capitão
Camilo encarregado da defesa do Quartel, reforça a Segurança já montada e faz sair ou prepara os Destacamentos destinados a garantir no exterior a Segurança do aquartelamento e que são:
- Destacamento de isolamento da Penitenciária.
- Destacamento do Alto do Parque Eduardo VII.
- Destacamento das encostas da Praça de Espanha e de Campolide.
- Às 03.30 horas são abordados os objectivos. A 1.ª C.ª Operacional sob o Comando do Capitão Beatriz Inicia o cerco e instalação em redor do Q.G./R.M.L. e a 2ª C.ª Operacional sob o Comando do Tenente Mascarenhas, isola e assegura a protecção da área dos estúdios do R.C.P. Em ambas as áreas são barricados acessos com viaturas particulares. Desloca-se inicialmente com a 2." C." Operacional.
- Estabeleço contacto com os elementos das F.A. que à mesma hora fazem a sua entrada nos estúdios do R.C.P., sendo-me comunicado que tudo decorre segundo as previsões. Desloca-se seguidamente para junto da 1ª- C.ª Operacional cerca das 00.30 horas.
- Pouco depois das 03.30 h. procede-se à parlamentação oom os defensores do O.G./C.M.L. iniciada pelos Aspirantes Sajara e Teixeira e concluída .pelo Capitão Beatriz.
- Cerca das 04.00 h. uma força do pelotão marcha para garantir a segurança da resIdência do nosso General Spínola.
- Cerca das 04.30 h. sem que o CMDT da defesa do Ouartel-General tomasse Qualquer decisão mas verificada a renúncia por parte das praças (pelo menos da sua maioria) a uma defesa armada a 1ª C.ª Op. força os portões do Ouartel e faz a sua ocupação.
- Cerca das 06.50/07.00 h uma força da P.M. contacta o perímetro da Defesa. Retira em direcção à Praça de Espanha após diálogo do seu Comandante (Ten. Revasos) com o Capitão Beatriz.
- Cerca das 07.30/08.00 h. é Interceptado pela 2.- C.- Op. o Ten.-Coronel Vinhas CMDT interino do B.C. 5 que mais tarde recolherá à Pontinha.
- Cerca das 09.00h. é por mif'!l Interceptado frente ao O.G./R.M.L o Brigadeiro Serrano que pretendia contactar o General CMDT e recolhe ao B.C. 5 depois de consultado o P.C. por mim.
- Cerca das 11.00 h. são interceptados no O.M.P. o General Louro de Sousa e Brigadeiro Jaime Silvério Marques Que recolhem ao B.C. 5 depois de consulta ao P.C.

2. ACTUAÇÃO DOS COMANDANTES
- Coronel Firmelindo Coutinho David
Encontrava-se de licença na sua residência em Lisboa à data do Movimento. Não foi contactado mas não se considerava propriamente opositor decidido embora não 8e contasse também com a sua adesão prévia.
Na tarde de 25 de Abril a seu pedido contactei-o telefonicamente. Pretendia vir ao Quartel buscar o seu carro particular que aqui se encontrava. Informei-o da situação particular do B.C. 5 e geral - tanto quanto era conhecida - e do prazer com Que víamos a sua adesão. Respondeu que Iria pensar pois se tratava de assunto muito grave.
A sua apresentação verificou-se a 27 de Abril pelo Que consultei o P.C. que me ordenou a sua detenção posteriormente transformada em apresentação à ordem do O.G./G.M.L.
Trata-se de um Oficial com grande simpatia entre os Oficiais. Sargentos e Praças que viam com bons olhos a sua continuação no Comando da Unidade. apesar da passividade demonstrada. julgada mais consequência da sua natureza pacífica do que dum assumir de posição. Este facto foi comunicado ao General Comandante do G.M.L.
- Tenente-Coronel António Charão Vinhas
Não foi contactado previamente por ter assumido uma posição activa (na aparência pelo menos) de oposição ao Movimento das Caldas e porque abordado em conversas de âmbito geral denunciava pouca apetência para aceitar transformações políticas.
Na manhã de 25 de Abril foi interceptado por elementos do Batalhão junto das instalações do R.C.P. onde recolheu manifestando vontade de falar comigo. Desloquei-me ali informando-o da situação que na altura já se anunciava favorável e de que teria o maior prazer em lhe entregar o Comando caso aderisse e depois de obter para isso autorização do P .C. Não respondeu e tendo assuntos a tratar retirei-me depois de o aconselhar a reflectir no sentido de me comunicar a aderência quando ali voltasse. Com intervalos voltei à sua presença duas vezes sem que ele se pronunciasse. Recebida ordem para o deslocar sob prisão para o P.C. mandei proceder dessa forma.

3. COMPORTAMENTO E ACTIVIDADE DOS QUADROS
Acima de tudo há que destacar a actuação dos 2 Capitães do O.P. - Capitães Bicho Beatriz e Lopes Camilo - elementos que à data da minha chegada ao Batalhão Já se encontravam ligados à actividade do Movimento. desde os seus primórdios aliás e com um 3.° elemento - Capitão Ribeiro da Silva - transferido após a ocorrência das Caldas, para a Madeira.
Aqueles 2 Capitães não s6 tomaram parte muito activa na fase Inicial do Movimento como nos seus preparativos finais e ainda conduziram a acção na parte respectiva de forma multo decidida. Foram efectivamente os motores que permitiram ao B.C. 5 sair com prontidão e eficácia.
Pelas sondagens efectuadas admitia-se a aderência fácil da maioria ou quase totalidade dos Oficiais Milicianos. Por razões de Segurança, s6 se Iniciaram alguns contactos mais directos no próprio dia 24 e mesmo assim sem indicação concreta da data/hora H, com excepção do Ten. Mascarenhas. CMDT duma Cª Op., considerado de muita confiança, o que ficou informado na tarde desse dia. Na reunião efectuada todavia a aderência de todos os presentes foi total e sem restrições. Saíram para a rua com entusiasmo e determinação.
Embora se contasse com a adesão de muitos Sargentos e se considerasse a posição dos Cabos Mil. semelhante à dos Oficiais do O.C. supunha-se que ela seria menos fácil. A verdade é que apesar do elevado número de elementos reunidos a reacção foi afinal de unanimidade total na adesão e depois da exposição que lhes efectuei. Apenas foram necessários alguns esclarecimentos para que contássemos da sua parte com o mesmo entusiasmo e determinação dos Oficiais.

4. POPULAÇOES LOCAIS
Dificilmente haverá palavras para exprimir a amplitude e força de adesão popular ao Movimento das Forças Armadas. As atitudes de simpatia. aplauso e cooperação foram constantes quase desde as primeiras horas e manifestaram-se em sorrisos. em aplausos, Incitamentos, ofertas de toda a natureza, etc. Julgo desnecessário referir tudo quanto é do conhecimento geral e basta dizer que as Forças que este Batalhão manteve ou deslocou para o exterior, foram alimentadas e obsequiadas de tal forma que, raramente, os seus elementos vinham receber rancho à viatura que o transportava às posições.

5. ACTUAÇAO DAS FORÇAS E INDIVIDUALIDADES GOVERNAMENTAIS
- Após a saída das Forças do Quartel, o Comandante da Guarda da Penitenciária (G.N.R.) contactou o CMDT da Força postada frente às saídas, e posteriormente contactou-me a mim, para declarar que a sua única missão era guardar presos.
- A guarnição do OG/G.M.L. reagiu formando o piquete e ocupando posições quando as Nossas Forças já se encontravam a instalar a toda a volta nos acessos e posições escolhidas.
Foram enviados elementos a parlamentar e o próprio CMDT da Força (Capitão Beatriz) se deslocou à frente para tentar convencer o Comandante da defesa (Asp. Silva, Oficial-de-Dia) a permitir a entrada sem ser pela força. Tal não foi conseguido nem mesmo chegar-se à fala com o referido Aspirante. O diálogo travado com os defensores acabou por resultar por terem as Praças abandonado as posições e recolhido as armas. As Nossas Forças forçaram os portões, não depararam com qualquer resistência e o referido Asp. Silva foi encontrado junto do telefone aparentemente em estado de pânico. O outro Aspirante presente no Quartel (Cunha) tinha entretanto retirado os galões para não ser reconhecido como tal.
- Entre as 6,30 e 7 horas abordou o perímetro defensivo em redor do OG/GML uma força do F.M. comandada pelo Ten. Revasco. Este Oficial deslocou-se aos portões do OG para contactar o Capitão B. Beatriz. Não sabia a contra-senha mas declarou pertencer ao Movimento, constando efectivamente da lista de entidades. Embora comandasse uma força que tinha sido mandada ocupar o G.M.L. para assegurar a entrada do General Comandante, Informou o Capitão Beatriz que se ia retirar para a Praça de Espanha e informar que não podia cumprir a missão.
- Após a saída das Forças tentaram contactar telefonicamente a unidade:
Coronel Duque (CEM/GML); Brigadeiro Joaquim dos Reis; Ten-Cor. Vinhas (CMDT Int. do BC 5); Coronel Coutinho David (CMDT BC 5).
Todas as chamadas foram desligadas com excepção de uma efectuada pelo Cor. Duque que tentou informar-se da situação e dialogar com o Capo Camilo.
Sabe-se que o Coronel Duque manteve ligação com o Oficial-de-Dia 80 QG Incitando-o à defesa e julga-se que entre outras medidas, alertou o CMDT e CMDT Int.
- Ao longo do dia 25 foram interceptados cerca de 120 elementos do P.S.P., alguns da D.G.S. e L.P. Nenhum deles ofereceu resistência quando da sua detenção e desarmamento. Apenas um (Comandante de Lança da L.P. Canavarro) denunciou mentalização multo prounciada.

O COMANDANTE INTERINO
José Cardoso Fontão
Major de Inf.ª



FITA DO TEMPO (24/25), DO B. CAÇ. 5

9.30 h. - Recepção de ordem.
10.00 h. - Reuniões com os Capitães; Remodelação dos Planos; Preparação de acção e seus preliminares; Escolha de Cmdt da 2." Companhia.
10.30 h. - Início dos contactos com os Oficiais Milicianos escolhidos e a escolher (abordagem e preparação prévia).
14.00 h. - Formatura das Companhias Operacionais a pretexto de proximidade 1.° de Maio; Marcação de uma reunião de Oficiais para as 23 h. (elementos contactados e conhecimento da finalidade).
17.00 h. - Medidas de decepção. Saídas normais, etc.
22.55 h. - Audição dos Emissores Associados. Comunicação: Faltam 5 min. para as 23 h. e disco «Depois do Adeus» do P. Carvalho.
23.00 h. - Sala dos Oficiais; Reuniões dos Oficiais convocados e outros presentes na Unidade para informá-los. Breve a detenção de não aderentes, Preparação e ordem.
00.00 h. - Início da audição de R. Renascença. Aguardar o -Grândola.
01.00 h. - Oficial e Guarda para a Central Telefónica (Alf. FRAZAO); Fechar portões, eliminar central; Guardar outros telefones gabinetes; Substituição Oficial-de-Dia pelo Alt. BAPTlSTA com missões definidas; Ouvir R. C. P.
01.30 h. - Convocação Sargentos (de dia e de na unidade). Informá-los. Breves detenções; Vigilância proximidades quartéis.
01.45 h. - Formar Companhias. levantar o pessoal das camas sem luzes e sem barulho;
Formatura desconfiada da Polícia Aérea; Armas e munições; Rádios. Maqueiros, etc.
02.00 h. - Vigilância da Penitenciária.
02.30 h. - Reforço do Portão M. Fronteira.
02.50 h. - Início de marcha apeada das 1." e 2." Companhias Operacionais; Concentração de viaturas para apoio de acção; Reforço da segurança do quartel; Destacamentos para o exterior.
03.00 h. - Redes Rádios no ar.
03.05 h. - Saída para os objectivos; Convocação do pessoal no exterior; Reforço das forças no exterior com a chegada de novo pessoal; Preparar Remuniciamento e Abastecimento.
03.20 h. - Completamento do cerco na área dos estúdios R.C.P. Intercepção do trânsito e
movimentos na área.
03.30 h. - Completamento do cerco ao O. G. da R. M. L. e Início de parlamentação. 04.00 h. - Saída duma força para a Residência General Spínola.
04.30 h. - Entrada e ocupação do O.G.R.M.L.

BATALHÃO DE CAÇADORES Nº 5
RELATÓRIO DOS PRELIMINARES DO MOVIMENTO DE 25 DE ABRIL

(Aditamento ao Relatório do Movimento)
- Os Capitães do Q.P. (Infantaria) do Batalhão de Caçadores N. 5 (Camilo, Bicho Beatriz e Ribeiro da Silva) Incorporaram-se desde os seus primórdios no Movimento de Oficiais que veio a culminar com o 25 de Abril e duma forma geral acompanharam todas as reuniões efectuadas na Metrópole.
- O signatário, encontrando-se na R.M.A., logo que o Movimento se tornou extensivo a outros postos, incorporou-se nas reuniões e velo a fazer parte da comissão de Angola. Apresentou-se no S.C. 5 em Fevereiro de 1974. Através dos Capitães do B.C. 5, Incorporou-se no movimento da Metrópole.
- No dia 10 de Março, depois de ser conhecida a transferência do S.C. 5 para o C.T.1. da Madeira do Capitão Ribeiro da Silva, o signatário com os Capitães Camilo e Beatrlz dirigiu-se ao Gabinete do Comandante da Unidade manifestando a sua solidariedade com os Oficiais que impediram a sua marcha e pedindo que tal atitude fosse comunicada superiormente.
- Os acontecimentos de 14 e 15 de Março, indignaram os Oficiais do B.C. 5 que ficaram decididos e desejosos para uma tomada de atitude que entendiam no entanto dever ser tomada no âmbito do Movimento que, segundo a sua consciência, já tomara suficiente amplitude para chegar às últimas consequências e não se limitar a um desagravo. A partir dessa altura deixaram de existir dúvidas, se é que ainda existiam, quanto à disposição dos Oficiais do B.C. 5 para tomarem parte numa acção de força, deixando de haver qualquer questão de decisão mas, única e exclusivamente, de ocasião.
- Em 15 de Março cerca das 24 horas compareceram na minha residência os Capitães Camilo e Beatriz informando-me que, tendo procurado o contacto de elementos do movimento, por lhes constar que havia acontecimentos em Unidades do Norte, receberam (designadamente do Major Monge) Indicações pouco precisas sobre esses acontecimentos e previsão da saída de Unidades. Quanto ao B.C. 5 foi expressamente dito para recolhermos a quartéis aguardando ordens. De notar que as indicações foram dadas apressadamente sem indicação de finalidades imediatas ou futuras, objectivos, personalidades contactadas ou a contactar, etc.
- Ainda na minha residência fizemos as deliberações prévias que a situação vaga e indefinida permitia, ficando acordada a minha Ida imediata ao quartel. para auscultar a situação, enquanto os capitães aguardariam no exterior um contacto telefónico.
- Chegado ao quartel encontrei-o já na situação de prevenção rigorosa, sob as ordens directas do Comandante efectivo, nada se sabendo de concreto sobre a situação a não ser que tinha constado haver uma sublevação do B.C. 5, facto que motivara um telefonema do Ministro da Defesa para o Coronel Coutinho David que conhecia pessoalmente, para esclarecer a situação.
- Mandei recolher os Capitães ao quartel onde resolvemos aguardar um melhor esclarecimento da situação ou ordens concretas do Movimento, tanto mais que havia notícias contraditórias e infundadas.
- Ao saber-se por via Oficial (não confirmada nem esclarecida) dum movimento a partir das Caldas da Rainha novamente se deliberou sobre a atitude a assumir. Pensando-se que outras Unidades próximas teriam de assumir posição não pareceu oportuno que, desde logo, o fizéssemos, tanto mais que, desde uma saída em falso a notícias também falsas, tudo poderia estar a acontecer. No entanto, decidiu-se aderir ao Movimento logo que houvesse conhecimento que o R.1. 5 era acompanhado por outra Unidade significativa.
- Já de madrugada confirma-se o movimento a partir das Caldas da Rainha e é recebida ordem para uma Companhia do. B.C. 5 cooperar na intercepção.
- Deliberei com o Capitão Beatriz comandante da referida Companhia que ele sairia com meios Rádio que nos mantivessem informados da situação e que iria preparada para aderir ao movimento em curso.
- Pouco depois é-me comunicado pelo Capitão Beatrlz que o Major Vinhas, cuja posição em relação ao Movimento não era conhecida, iria a seu pedido, sair com a Companhia.
Tentei demover o referido Major e o Comandante da Unidade procurando substituí-Ia na sarda o que não consegui. Decidi com o Capitão Beatriz que se manteriam as intenções mesmo que fosse necessária a prisão do Major Vinhas.
- A Companhia saiu do quartel sem que se tenha chegado ao contacto com a força revoltosa ou se criassem condições para a aderência, havendo no entanto da parte do Major Vinhas uma participação muito activa que levou a duvidar da possibilidade duma sua futura adesão ao Movimento.
- Continuamos no decorrer desse dia, e mesmo nos dias seguintes, sem um conhecimento esclarecedor da situação. A apresentação no B.C. 5 do Ten. Cor. Bruno e sua prisão que nos causou muita indignação não nos proporcionou todavia o esclarecimento do que se tinha passado e estava a passar.
- Logo que nos foi poss ível procuramos estabelecer contacto com o Movimento dando conhecimento de que estávamos dispostos a assumir qualquer atitude de defesa e solidariedade com os Militares detidos a não ser que alguma atitude mais fundamental estivesse em preparação. Sendo-nos garantida esta última, adoptamos um comportamento adequado de serenidade e expectativa até ao início da preparação do Movimento do 25 de Abril, precedido duma conveniente elucidação, preparação. definição de objectivos, etc.

O COMANDANTE INTERINO
José Cardoso Fontão Major de Inf.

O Maj. Fontão convoca os 30 Oficiais que constituiam o núcleo seleccionado e outros que se encontravam na unidade e comunica-lhes os objectivos do Movimento e outros elememtos de interesse. Convidados a aderir fazem-no sem excepção. São mandados equipar e armar.

________________________________________________________________________________________________________

25 de Abril 1974

00h00 - E.P.A. Escola Prática de Artilharia, Vendas Novas (EPA) Imagem
Formatura geral na parada sendo distribuidas funções: - Comando: Cap. Santos Silva; Adjuntos Tenentes Martins Ruaz, Sales Grade e Sousa Brandão. - Bataria de Artilharia 8.8 cm (BTR 8.8) - Cmt. Cap. Oliveira Patrício; Subalternos Tenentes Marques Nave, Almas Imperial, Pereira de Sousa e Aspirantes Milicianos Tolentino e Gonçalves. - Bataria de Artilharia 10.5 cm (BTR 10.5) - Cmt. Cap. Duarte Mendes; Subalternos Alferes Gaspar Madeira e Formeiro Monteiroe Asp. Mil. Guerra. - Companhia Art. Motorizada (4 Pelotões) - Cmt. Cap. Mira Monteiro; Subalternos Tenentes Andrade da Silva, António Pedro, Ribeiro Baptista, Amilcar Rodrigues, e Aspirantes Mil. Carvalho e Salgueiro. - Reserva (3 Pelotões) - Cmt. Cap. Canatário Serafim; Subalterno Tenente Jesus Duarte e Alf. Mil. Medeiros.

00h15 - B.C.5 Batalhão de Caçadores 5 em Lisboa (BC5)
Imagem
São reunidos todos os Sargentos e Cabos Milicianos presentes na Unidade. Informados de forma idêntica aos Oficiais, aderem sem excepção. São encaminhados para se juntarem aos oficiais das respectivas Companhias.

00h20 - 2.ª SENHA TRANSMITIDA PELA RÁDIO RENASCENÇA. (que pode ouvir aqui!) Imagem
Paulo Coelho é o locutor de serviço, nessa noite, no «Limite». Sem saber dos compromissos assumidos por dois dos seus colegas, Carlos Albino e Manuel Tomás, quase faz perigar a transmissão da senha à hora exacta por ter antecipado a leitura de anúncios publicitários. Mas, após alguns momentos de tensão, no final da leitura do primeiro anúncio, Manuel Tomás , também presente na cabine técnica, consegue, dando um pequeno safanão (aparentemente sem intenção) na mão do técnico de som José Videira, provocar o arranque da bobine que contém a senha. Então, pela voz previamente gravada de Leite de Vasconcelos, através dos potentes emissores da Rádio Renascença, ouve-se a primeira quadra da canção Grândola, Vila Moreno, de José Afonso. Já no final da transmissão o agente da Censura, ali presente, dá sinais de que escutara algo que não previa

00h20 - REGIMENTO DE ARTILHARIA LIGEIRA 1 (RAL1) Imagem
Esta unidade, à entrada da Auta Estrada do Norte tinha sido reforçada por por elementos do Regimento de Lanceiros 2 com capacidade de comunicação autónoma directa ao Regimento e dois Carros de Combate M-47 operacionais. O oficial do MFA, Cap. Rosário Simões tinha acordado que a sua missão seria neutralizar a unidade evitando a sua acção contra o Movimento, pois a maioria dos oficiais não era aderente. Na véspera foram sabotadas as Bocas de Fogo por forma a não poderem ser utilizadas, mas com capacidade de retorno rápido caso elas viessem a ser necessárias para o Movimento.
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Re: 25 de Abril - as operações militares

Mensagempor Viriato » Sexta-Feira 25 Abril 2008, 18:47

00h20 - E.P.A.M. Escola Prática de Administração Militar, Lisboa (EPAM) Imagem
Código: Seleccionar todos
ESCOLA PRÁTICA DE ADMINISTRAÇÃO MILITAR

RELATÓRIO - Dia 25 de Abril

Este relatório pretende ser uma relacionação de factos, pessoas e situações, englobadas no Movimento das Forças Armadas que culminaram com a participação activa da Escola Prática de Administração Militar nas Forças Armadas que derrubaram a ditadura fascista em 25 de Abril de 1974.
Foi redigido pelo Sr. Cap. do S.A.M. Teófilo da Silva Bento.
Outras comparticipações poderão ser dadas por oficiais da EPAM e haveria toda a vantagem nessa comparticipação possibilitando melhor esclarecimento e aprofundando determinados pormenores.

1 - Generalidades

Durante o 2.º semestre do ano findo foram sendo colocados na EPAM oficiais do QP que em breve estabeleciam diálogo relacionado com o que então já se chamava Movimento dos Capitães. As roturas com o sistema já eram perfeitamente observáveis mesmo para aqueles com menor formação política. Em breve se estabeleceu comunicação ideológica perfeitamente aderente às perspectivas que se iam adivinhando na evolução do Movimento.
Inicialmente, na perspectiva de solidariedade com os camaradas das Armas afectados pelo D. L. 353/73, efectuaram-se algumas reuniões dentro do Serviço de Administração Militar com presenças mais ou menos significativas de Majores, Capitães, Tenentes e Alferes, e 2 Coronéis, que culminaram na estruturação de um processo de actuação conivente com os princípios enunciados na reunião de Óbidos. Agora já com formas de actuação perfeitamente definidas - elementos da Comissão Coordenadora, elementos de ligação e delegados de Unidades -, procurou-se acompanhar a evolução dos acontecimentos mantendo sempre bem altos o espírito de colaboração projectado num futuro que se adivinhava, procurando o aliciamento de novos oficiais do QP. e do QC para a causa comum, finalizando numa actuação que em nada desmereceu a E.P.A.M.
2 - Iniciação do processo
a) Após contactos já tidos no Ultramar com elementos iniciadores do Movimento, ou contactos que se foram estabelecendo em reuniões parcelares na Metrópole, foram sendo colocados na E.P.A.M. os oficiais do QP:
- Capitão Teófilo da Silva Bento;
- Capitão Carlos Joaquim Gaspar;
- Capitão Filipe Henriques;
- Capitão Jesus;
- Tenente Matos Borges:
- Tenente Santos Silva;
- Tenente Félix Pereira;
- Tenente Ávila;
- Tenente Cerdeira;
- Alferes Geraldes;
- Alferes Martins;

b) Foi indicado o Alferes Geraldes como elemento para a Comissão Coordenadora e o Capitão Teófilo Bento como delegado da Unidade. Através destes oficiais eram informados os restantes oficiais do Q.P. da evolução do Movimento, desfazendo dúvidas e interrogações naqueles menos confiantes.
Entretanto faziam-se estudos psicológicos dos restantes militares, auscultando-se fundamentalmente oficiais milicianos e sargentos milicianos e até os próprios cadetes onde em aulas de Educação Militar se provocavam diálogos que permitiam colher opiniões relativas ao Movimento dos Capitães como então eram conhecidos.
Os Sargentos do QP de Escola foram mantidos afastados dos processos dadas as suas características específicas, agravadas pelo último aumento de vencimentos, embora num curso de actualização a 1.º Sargentos e 2.º Sargentos do S.A.M. dado em Março/74 fossem abordados tendo a receptividade sido quase absoluta devido, com certeza, por serem mais jovens.
Referência seja feita ao 1.º Sargento Bargão da D.S.I. que era mal olhado no eléctrico porque lia a “República”.
O Comando nunca foi abordado directamente, embora através de conversas à mesa se verificasse a sua não adesão. Todavia não teve medidas discricionárias para oficiais que sabia ligados ao Movimento, mais parecendo que estaria a jogar com um pau de dois bicos.
O Comando foi em princípio de Março alterado.
Sendo posteriormente nomeado efectivamente o Coronel Caldas Fidalgo 1.° Comandante, anteriormente 2.° Comandante e o Major Nogueira da Silva que exercia as funções de Director da Instrução passou a exercer cumulativamente as funções de 2.° Comandante interino. Dever-se-á referir que o Major Nogueira da Silva poderia ser contactado; aliás mostrou-se-Ihe documentos e circulares informativas do Movimento englobando-o no Movimento e só não aconteceu dadas as suas funções de 2.° Comandante que comprometeriam um processo de descontinuidade no Comando da Unidade que se pretendia fosse bem vincado quando acontecesse o golpe.

c) Manifestações na Beira, Portugal e o Futuro, exonerações dos generais Spínola e Costa Gomes, manifestação dos generais, discurso de M. Caetano na Assembleia aceleraram nitidamente o processo. O Plenário de Oficiais em Cascais define concretamente linhas orientadoras do Movimento agora englobando os 3 ramos das Forças Armadas num processo irreversível e os oficiais do Q.P. da Escola Prática bem cientes estavam disso.
Embora sem dados concretos para actuação da E.P.A.M. afinam-se as estimativas já elaboradas de meios, em pessoal e material, e definem-se ordens de operações individuais para oficiais do Q.P. que ficam na posse do oficial delegado da Unidade distribuição imediata logo que a oportunidade aparecesse.
Jogando ainda no campo das hipóteses, punham-se como objectivos a tomada da unidade, neutralização das vias de acesso a Lisboa Norte pela Alameda Linhas de Torres, e hipóteses de actuação junto das Esquadras da PSP de Campo e Lumiar.
Prevenções surgidas na última semana de Março motivadas por transferência e iniciativas de outros oficiais, obrigam-nos a rever alguns conceitos de actuação para o caso de necessidade de tomar opções em tempo de prevenção; ao mesmo tempo esclarecem-se melhor as posições do Comando e de oficiais milicianos principalmente Aspirantes.

d) Deverá assinalar-se com a melhor referência a colaboração prestada por Oficiais e Sargentos Milicianos e a forma como foram assimilados. Dos oficiais milicianos colocados na E.P.A.M. apenas é de referir os nomes dos Asp. Oficial Mil. Gomes, Seixas, Martins, cuja adesão poderia ser solicitada. Os restantes Tenentes, Alferes e Aspirantes, embora não manifestassem opiniões contrárias, com excepção para o Aspirante Oficial Miliciano Leão, perfeitamente integrado nas ideias situacionistas, também não poderiam ser activistas mas mobilizáveis na altura própria.
Dos Furriéis Milicianos poder-se-ia contar com 70 a 80 % de adesões.
Nos cursos de cadetes e instruendos do C.S.M. aproveitavam-se as aulas, principalmente nas instruções de Administração de subunidades e Educação Militar, para auscultar opiniões fazendo referências ao Movimento, provocando (ou travando, conforme as conveniências) a discussão. Deverá notar-se que os cadetes e instruendos, podendo constituir uma força actuante bastante importante, poderia não ser utilizada, pois no final da instrução eram distribuídos por outras Unidades. Todavia, do penúltimo curso, conseguiu-se um razoável lote de Aspirantes Milicianos e Cabos Milicianos dos cursos que continuaram em estágio, logo se dispondo a actuar na primeira linha.
Referência especial aos Aspirantes Milicianos António Reis, Videira, Pires, etc.

3 - Levantamento das Caldas da Rainha

Após abrandamento das situações de prevenção com praticamente todo o pessoal esgotado, sabendo-se já que tinha abordado a possibilidade de uma acção por falta da adesão dos Para-quedistas, inesperadamente são mandados recolher os oficiais da E.P.A.M. na madrugada de 16 de Março de 74.
As informações são mínimas e as decisões a tomar difíceis. O Alferes Geraldes informa que os Comandos de Lamego avançam sobre o Porto e o Quartel das Caldas sobre Lisboa, contando com a adesão das outras Escolas Práticas. O Comando da Unidade Informa que uma reduzida coluna marcha sobre Lisboa. Através de telefone civil e em claro são dadas Instruções rigorosas de segurança, proibindo a entrada na Unidade de Oficiais estranhos à mesma, com excepção do Governador Militar.
Mandam armar uma Companhia. Gera-se uma certa confusão, não se sabendo qual a actuação a seguir. Os oficiais do Q.P. presentes são poucos e os do Q.C. também poucos; apenas manifestam medo. Sargentos colaborantes com o Comando. Forma-se e municia-se com certa rapidez uma Companhia pronta a actuar sem se decidir qual a linha a seguir - ou às ordens governamentais ou às ordens do Movimento, pois tanto um bloco como o outro estão com Informações limitadíssimas.
O Coronel Caldas Fidalgo reúne os oficiais e dá ideia da situação minimizando-a ao avanço de uma pequena coluna sobre Lisboa, indicando que a nossa Companhia iria instalar-se na estrada de Loures e Odivelas para suster o seu avanço, caso pretendesse penetrar por esses acessos. Antes de ser nomeado pessoal para comandar e enquadrar essa Companhia, o Cap. Bento intervém no sentido dos oficiais ficarem bem conscientes da situação e missão em que o Comando da E.P.A.M. vai colaborar, dando relevo ao facto das forças que avançam sobre Lisboa não poderem ser menosprezadas e o Governo não dispor tantas forças para efectuar a retaliação, pois pretende utilizar forças não preparadas para combate como é o caso da E.P.A.M., consideradas essencialmente de reserva.
Os oficiais não se manifestam. Os do Q.P. esperam ordens do oficial delegado da Unidade. Os do Q.C. pertencem àquele grupo Que dará apoio ao bloco mais forte. O Comandante pede voluntários e destes é nomeado o Cap. Bento para comandar a Companhia que se desdobra em duas partes, ficando uma parte sob o comando do Tenente Santos Silva.
Estes dois oficiais combinam entre si que apenas se darão tiros para o ar no caso de aparecerem forças limitadas para se retardar o avanço e definir a situação. Caso as forças apresentem certa grandeza. então garante-se a passagem e colocar-se-iam sob as suas ordens.
A Companhia sai do Quartel e é instalada sem que tenha havido qualquer problema.
São transmitidas ordens aos soldados para só dispararem e para o ar após ordens do Comandante de Companhia. Fica-se estacionado durante umas 7 horas [das 5 às 12) até se tomar conhecimento que a coluna das Caldas tinha recolhido a quartéis. É interessante notar que a população civil mal se apercebeu da gravidade da situação, pois admitiu tratar-se de um exercício militar.

4 - 25 de Abril

a) A necessidade de organização e planeamento a curto prazo Impõe-se ao Movimento para uma acção de sucesso. As informações obtidas da experiência das Caldas podem ser criteriosamente aproveitadas. Não restam dúvidas que as forças a combater, sem ser menosprezadas, são Inferiores às mobilizáveis pelo Movimento Uma acção baseada no factor surpresa ainda é possível, pois as estruturas governamentais não acreditam na força do Movimento.
Um plano de operações começa a desenhar-se após contactos entre o então Major Otelo e delegados de Unidades e saneadas as hesitações de Paraquedistas.
A participação activa de oficiais Milicianos começa a ser uma realidade após uma perspectivação de um Movimento de Oficiais Milicianos paralelo ao Movimento existente iniciando-se na E.P.A.M. com o Asp. Of. Mil. António Reis e outros oficiais do mesmo curso, alastrando em breve a outras Unidades, chegando a abranger uns 15 quartéis. Os contactos entre os dois Movimentos processar-se-iam a nível de Unidades e Comissões Coordenadoras, sendo todavia as acções superintendidas pelo Movimento dos Oficias do Q.P.

b) A E.P.A.M. garante desde a primeira hora o domínio da Unidade e logo que lhe é destinado o objectivo da R.T.P. não tem quaisquer dúvidas em garantir a sua ocupação, pedindo todavia a garantia de ocupação das antenas de Monsanto. Recusa forças de auxílio da E.P.I.
Tenta-se aliciar o 2.° G. CAM, mas não se consegue em virtude do 1.º Comte. Major Barros recusar o Movimento e o 2.0 Comte. Major Azevedo não garantir o domínio da Unidade: todavia através do Cap. Filipe Henriques poder-se-á prever a sua neutralidade.

c) Elabora-se um plano de operações para domínio da Unidade e saída de uma coluna para ocupação da R.T.P. com base nos oficiais do Q.P. e informações do Interior dos estúdios obtidas através de um empregado, tendo colaborado também o locutor Adelino Gomes e por observação directa do exterior, assim como Informações técnicas prevendo-se a hipótese de não colaboração dos empregados, obtidas através do Cap. de Eng. Guerra. Em 23 e 24, em reunião em casa do Cap. Bento, acertam-se todos os pormenores e distribuem-se funções específicas, concordando-se em que o Cap. Gaspar comandaria o quartel e o Cap. Bento a coluna de ocupação. Entretanto um civil - Amílcar dos Santos Ferreira, cunhado do Cap. Bento, recentemente vindo dos Comandos de Moçambique colaboraria como informador colocado no exterior do quartel perto da R.T.P. enquanto não se verificasse a saída da coluna.
Planeia-se de forma a ocupação se verificar à hora prevista no plano de operações geral, isto é, às 03:00 de 25 de Abril de 74, prevendo-se a hipótese de cerco no caso dos estúdios já estarem ocupados por forças do IN.

d) Após ouvir o sinal transmitido através dos E. Associados, convergem para a E.P.A.M. os oficiais do Q.P. Fardam-se e armam-se sem despertar suspeitas.
Entretanto já se tinha passado pelo 2. G.C.A.M. onde se encontrava de oficial de dia o Cap. Filipe Henriques, a que se pediu a neutralidade da Unidade a que ele acedeu sem problemas.
Inicialmente o objectivo R.T.P. tinha sido cometido aos Páras que recusaram por grandes dificuldades na sua conquista só susceptíveis de serem superadas após profundo do objectivo.
Depois da mensagem de confirmação ser irradiada, entra-se na sala de oficiais e dá-se voz de prisão ao oficial de dia, Alf. Mil. Pinto Bessa e Oficial de prevenção Asp. Of. Mil. Leão. Este oficial já estava sob vigilância do Alf. Geraldes, em virtude de se suspeitar manter relações com a D.G.S. - PIDE.
O Cap. Gaspar assume as funções provisoriamente de oficial de dia. Toma-se conta da central rádio que fica a cargo do Tenente Félix Pereira e paióis a cargo do Tenente Santos Silva.
Através do telefone e por código dão-se indicações a um grupo de 14 Asp. Mil. Estagiários que manifestaram a vontade de colaborar embora não soubessem quando para entrarem no quartel. Espera-se a última abertura do portão das 01:30 horas. São acordados todos os oficiais e sargentos e manda-se armar todos os soldados. Apenas se explica a situação aos oficiais e sargentos. Destes, os não aderentes recolhem à biblioteca sob prisão. Em virtude de um panfleto do PCP suspeitava-se que o 1.0 Sarg. Borges Pires e um outro Furriel fossem informadores da D.G.S. De 15 em 15 minutos o civil Amílcar Ferreira vai informando que no exterior tudo decorre normalmente.
Organiza-se a coluna composta por 2 viaturas ligeiras e 3 pesadas. À última da hora substitui-se o jeep do Comando por um “furgon” por ser mais fácil a saída. Neste furgon embarcou o Cap. Bento, Tenente Cerdeiro e Alferes Geraldes e um Cabo Mil.
Numa viatura pesada o Tenente Santos Silva, monta a seguir o Alferes Martins, numa terceira o Tenente Matos Borges com um jeep atrás e com a missão de penetrarem nos estúdios por outro local, prevendo a hipótese de cerco. A coluna sal às 02:30 armada e municiada com espingardas automáticas G3, metralhadoras Bren e lança-granadas foguetes e 1 rádio local com um efectivo de cerca de 100 homens. No quartel fica o Cap. Gaspar, Cap. Jesus, Ten. Félix Pereira e Ten. Ávila e Alferes do Q.P.

e) Às 03:25 de 25 de Abril de 74 - hora Indicada no Plano de Operações - eram ocupados os estúdios da R.T.P. no Lumiar, após serem presos e desarmados 3 guardas da P.S.P. Um deles ainda fez menção de sacar da pistola, mas conteve-se a tempo, pois o Tenente Cerdeira e Alferes Geraldes por fracção de segundos não o alvejaram.
Imediatamente se monta um dispositivo de segurança, comunicando-se a ocupação ao posto de comando.
Entre as 04:05 apareceram nos estúdios uma equipa de filmagens jornalistas e guardas da P.S.P. que vêm render os anteriores ficando todos detidos numa sala.
Por volta das 04:00 apercebemo-nos que estamos a ser cercados por forças da P.S.P. e vigiados por elementos da PIDE-DGS.
Por megafone pede-se para retirarem porque os estúdios estavam ocupados por tropa. Como não se consegue, dá-se ordem aos soldados para dispararem uma rajada para o ar. Em face disso a P.S.P. dispersa e não causa mais problemas.
Começam a aparecer empregados da Televisão; apenas se autoriza a entrada de elementos estritamente necessários a pôr a emissão no ar. Não seguimos o conselho que nos tinha sido dado para pedir ao Cap. Barbeitos uma lista de funcionários para o fim em vista, por também nos terem dito que não era de depositar confiança no Cap. Barbeitos.
De qualquer das formas às 11:00 já possuíamos o número suficiente de técnicos para fazer TV. Apenas se punha em dúvida se o emissor de Monsanto estava ocupado. O P.C. garantia que sim. Tal não se verificou quando se pretendeu à hora normal colocar a mira no ar.
Ainda se desconfiou de sabotagem interna, mas após reunir todos os empregados da TV numa sala verifica-se que efectivamente o problema residia em Monsanto. Aliás, deve-se referir que todos os empregados se prestaram a máxima colaboração com especial relevo para Alfredo Tropa, Fialho Gouveia, Louro de Sousa.
A emissão que aparece no écran é ainda dos estúdios do Porto. Tenta-se comunicar com Monsanto que não dá cavaco desconfiando-se em breve da existência do Cap. Alarcão a controlar a emissão.
Entretanto o P.C. continuava a garantir-nos o controle das antenas de Monsanto.
Alguém se lembra de entrar em contacto com o emissor do Porto. Efectivamente os estúdios do Porto estavam ocupados por forças amigas estando lá um Tenente dos Comandos. Elabora-se um comunicado; dita-se por telefone pedindo-se para cortar a emissão devendo passar-se Imediatamente a projectar slides do Porto e um locutor ler o comunicado.
Como nota pitoresca relata-se que estando-se à espera que imediatamente aparecesse o corte da emissão em curso e como tal não se verificasse após uns minutos volta-se a telefonar para o Porto inquirindo-se ao Tenente dos Comandos porque ainda não se estava a dar cumprimento ao solicitado. Responde-nos que eram só mais dois minutos para o programa terminar. Pouco faltou para fulminar o tenente pelo telefone ...
Já se previa o slide foi projectado por inteiro mas a miragem do locutor a meio pelo Cap. Alarcão em Monsanto e à segunda vez mal se viu o locutor.
Pede-se ao Porto para pôr o comunicado em cima do slide e então a televisão avariou definitivamente.
Entretanto o P.C. garantiu-nos que estava a preparar uma equipa de Comandos para resolver o problema de Monsanto.
Como tal demorasse em acontecer, o Tenente Cerdeira, Alferes Geraldes e Cabo Miliciano Louro dispõem-se a fazer nem que operação suicida para ocupar Monsanto, apenas esperam ordens do Cap. Bento. Quem acaba por resolver o problema é o funcionário da R.T.P. Louro de Sousa que em emissão directa para o Cap. Alarcão o convence a ceder-nos o controle da emissão.
Assim, pelas 19:00 dávamos gritos de alegria com a possibilidade de emitir para totalmente ao serviço do M.F.A..

f) A EPAM ficou sob o comando do Cap. Gaspar, dispondo apenas dos soldados vitais ao serviço da Unidade e dos cadetes e instruendos CIOSM. Logo que lhe foi possível enviou uma ração fria e por volta do meio-dia os soldados cadetes substituíram os soldados que se encontravam exaustos.
Às 08:00 apresentou-se o Coronel Caldas Fidalgo a quem se lhe negou o comando da Unidade. dando-lhe a possibilidade de voltar para casa ou, se pretendesse entrar na Unidade. Optou pela última hipótese, mas às 12:00 preferiu sair, pois o comando já não lhe pertencia.
Entretanto aparece o Coronel Marcelino Marques, a quem o Cap. Gaspar entrega o comando após consultar os outros oficiais, originando-se assim um dos primeiros democratização nas F.A. Pois Igualmente as forças que haviam saído para ocupar a R.T.P. também aceitaram o comando do Coronel Marcelino Marques, decisões a serem tomadas em conjunto e democraticamente.
g) Os dias seguintes de gestão da R.T.P. foram relativamente conturbados por falta de meios e saneamentos imediatos por diversas facções de pessoal que se atacava entre si. Todavia, mesmo sem directivas e com certa improvisação, conseguiu-se um certo equilíbrio das forças em presença, aproveitando-se o que melhor se enquadrava no espírito do Programa do MFA.
Na generalidade todos os se dispuseram a acatar as ordens do comando ad hoc estabelecido, sendo apenas efectuada a prisão do Senhor Cap. Alarcão em virtude da obstrução deliberada que efectuou à emissão do dia 25, excedendo em multo as funções que cometidas, conforme participação na altura entregue ao comando da EPAM.
Emitiram-se duas ordens de serviço internas, conforme cópias anexas.
Após se conseguir pôr os serviços a funcionar normalmente com os lugares directivos controlados directamente e serviços fundamentais controlados por Aspirantes a ocorrer aos diversos problemas já enunciados dentro da R.T.P. , pensou-se na criação de grupos de trabalho, tal já não foi possível pois no dia 28 à noite, inexplicavelmente aparece o Sr. Cap. Barbeitos com uma ordem no bolso assinada por Sua Excelência o General Spínola (conforme fotocópia), passando a ser o responsável pela R.T.P.
A partir deste momento o Cap. Bento retirou-se da R.T.P. ficando forças da E.P.A.M. e 2.° Grupo a garantir a segurança por mais alguns dias.

Lisboa, 3 de Janeiro de 1975

TEÓFILO DA SILVA BENTO
Capitão S.A.M.

Faziam parte do Movimento os Seguinte oficiais: Cap. Teófilo Bento, Carlos Gaspar, Filipe Henriques, Jesus, Tenentes Matos Borges, Santos Silva, Félix Pereira, Ávila, Cerdeira e Alferes Geraldes e Martins. Após ser ouvida a mensagem de confirmação no rádio são presos os oficiais de dia e de prevenção. O Cap. Gaspar assume o oficial de dia.

00h30 - ESCOLA PRÁTICA DE INFANTARIA, MAFRA (EPI) Imagem
Cap. Rui Rodrigues e Aguda e ordenam a formatura da Companhia de Intervenção, a três bigrupos de 50 homens. O Cap. Silvério põe em execução o planeamento de defesa da unidade. O Cor. Jasmins de Freitas é chamado à unidade onde os Maj. Aurélio Trindade (a dirigir a actividade do Movimento) e Cerqueira Rocha põem o coronel a par da situação e convidam-no a assumir o comando da unidade, que aceita.

00h30 - R.I.14 Regimento de Infantaria 14 - Viseu (RI14) Imagem
Código: Seleccionar todos
REGIMENTO DE INFANTARIA 14 - VISEU
RELATÓRIO DA OPERAÇAO DAS FORÇAS ARMADAS REALIZADA EM
25 DE ABRIL DE 1974

1. SITUAÇÃO
a) Generalidades - Definida e conhecida a missão da Unidade no conceito geral da manobra, foi recebida a indicação do dia D e hora H provável, bem como o anexo de Transmissões, texto da proclamação e instruções para confirmação da hora H, na madrugada do dia 24 de Abril de 1974, via contacto directo da comissão. Seguidamente o Capitão Amaral transmitiu instruções a Lamego e o Capitão Ramalho à Guarda. Depois de feito o planeamento local, ficou-se a aguardar a confirmação da hora H.
b) Forças Amigas
- RI 10;
- RI 14;
- CIOE;
- RAP 3;
- CICA. 2
c) Forças Inimigas
- RI 7;
- RI. 15;
- RI. 5 (sem confirmação).

2. MISSÃO
A missão da Unidade dentro do esquema geral da manobra era, numa primeira fase deslocar uma companhia auto transportada para a Figueira da Foz, a fim de agrupar uma Companhia do R. 1.10, uma Companhia do C. I. C. A. 2 e uma bateria 10,5 cm do R. A. P. 3. Numa segunda fase, deslocar, depois de constituído na Figueira da Foz, o agrupamento November, tentando atrair as forças do R. I. 7 e R. I. 15, tentar obter a sua adesão. uma terceira fase deslocar o agrupamento para Peniche a fim de preservar a Integridade física dos presos políticos. Numa última fase deslocar o agrupamento para Lisboa a fim de reforçar as forças em operação na capital.

3. DESENROLAR DA ACÇÃO
242255Abr74 - Confirmação da hora H através da transmissão combinada dos -Emissores Associados de Lisboa .
250020Abr74 - Confirmação da hora H através da transmissão combinada do -Rádio Renascença.


250130Abr74 - Entrada dos cinco Capitães do Regimento. Convocação dos oficiais subalternos para esclarecimento da situação. Nomeação de oficiais para controle da Central telefónica, Posto de Rádio da Ordem Pública, bem como do Posto Rádio do S. T. M. Reforço imediato da vigilância periférica. Montagem de guarda às viaturas e vigilância sob dois Srs. Coronéis que pernoitavam no Quartel.
250200Abr74 - Convocação para reunião, dos furriéis e cabos milicianos. Preparação da Companhia que viria a seguir para a Figueira da Foz. O Capitão Ramalho tratou dos abastecimentos e sinalização das viaturas. O Capitão Costeira procedeu à organização da coluna. Os capitães Amaral e Augusto trataram do armamento e munições, não só da coluna como para o Quartel.
250324Abr74 - Do QG/RMC chama com urgência ao telefone o oficial de dia ou um oficial superior presente no Quartel. Em face desse telefonema, mando que o oficial de dia atenda, comunicando, se fosse caso disso, que nada de anormal se passava no Quartel.
250355Abr74 - A companhia de Caçadores auto-transportada em viaturas pesadas, 1 ambulância e o meu carro civil e comandada pelo Capitão Costeira, sai do Quartel, atingindo sucessivamente Tondela, Santa Comba Dão, Luso, Anadia, Cantanhede e chegando à Figueira da Foz pelas 7.30, onde, contactada a guarnição do R. A. P. 3 nos foi comunicado que havia cerca de 30 minutos tinha partido uma coluna conjunta de subunidades do R. A. P. 3, Cica 2 e R. I. 10; partimos imediatamente no encalço da coluna e antes de Leiria fizemos um pequeno alto, para tomar disposições de segurança, municiar todo o pessoal, entrar em contacto rádio (não conseguido) e distribuição da 1.- refeição ao pessoal. Seguidamente continuamos o percurso passando Leiria e Caldas da Rainha sem qualquer oposição e atingindo Peniche pelas 10.30. Aí, na qualidade de Comandante do Agrupamento November, reuni os comandantes das subunidades ali concentradas: C. Caço do R. I. 10 - Capitão Pizarro; C. Caç. do R. I. 14 - Capitão Costeira; C. Caço do C. I. C. A. 2 - Capitão Rocha Santos; Bat. Art. R. A. P. 3 - Capitão Dinis Almeida; Oficial destacado da E. C. S. - Capitão Coutinho.
Estudada a situação do objectivo local, o forte-prisão de PENICHE, o Capitão Coutinho deu-me conta da diligência efectuada àquele estabelecimento prisional, tendo contactado com os elementos da D. G. S. que o guardavam, estes terem respondido que não estavam na disposição de se renderem, mantendo-se portanto fiéis ao Governo vigente, aguardando ordens dos superiores hierárquicos. Face a•esta situação e, procurando evitar a acção de tomar o Forte pela força. procurei obter ligação com o Posto de Comando do Movimento, via telefónica (os telefones estavam interrompidos) e depois via rádio, não conseguindo ligação por qualquer meio. Em face disso decidimos que uma Companhia de Caçadores do C. I. C. A. 2 reforçada com duas secções de obuses do R. A. P. 3 permanecesse no local cercando o Forte e com os obuses apontados em tiro directo para o Forte, deslocando-se o resto do Agrupamento em direcção a Lisboa onde se procurariam instruções mais precisas. Dada a extensão da coluna e a natureza de algumas viaturas, atrelada com os obuses, este deslocamento tornou-se bastante moroso.
251830Abr74 - Chegada da coluna às imediações do R. A. L. 1 em Lisboa; aqui, contactado o Capitão Simões, este informou que a Unidade ainda não estava em situação totalmente definida, pois acabara mesmo de falar com o seu Comandante que acabara de aderir nesse preciso momento; solicitados combustível e alimentação àquela Unidade, o seu Comandante aconselhou-nos a entrar em contacto com a Manutenção Militar. Procurado contacto com o PC da Movimento, o Capo Simões informou-me que também não tinha contacto; como entretanto apareceu um oficial da E. P. I. que estava com as tropas que ocupavam o Aeroporto, enviei com ele ao mesmo o Capo Dinis de Almeida para estabelecer contacto; regressado pouco depois o Capo Dinis de Almeida, trazia instruções para que todo o material pesado seguisse Imediatamente para Monsanto; assim enviei para aquele local a Bat/Art./R. A. P. 3 comandada pelo Capo Dinis de Almeida, enquanto com o resto do Agrupamento me dirigi para a Manutenção Mil itar onde se reabasteceram as viaturas e se requisitaram rações de combate para todo o Agrupamento e para dois dias. Em seguida com a C. Caç./R. 1.10 e C. Caç./R. I. 14, dirigi-me para o QG/RML; chegado ar, entrei em contacto com o Major de Eng. Mendonça Frazão, na altura comandante das forças daquele QG; este oficial entrou em contacto com o PC do Movimento, tendo sido decidida a constituição de um Agrupamento de reserva que passou a ser comandado pelo Major Frazão. Nesta situação se mantiveram as forças do Agrupamento NOVEMBER até 272000Ab74, data em que as forças do R. I. 14 e R. I. 10 iniciaram o seu deslocamento para Norte em direcção aos seus Quartéis.

DESENVOLVIMENTO DA ACÇÃO DENTRO DO QUARTEL

250355Abr74 - Sarda da Companhia auto-transportada. Início da montagem do dispositivo de segurança dentro do Quartel. Constituição de um piquete reforçado, que ficou Instalado na Casa da Guarda. Constituição de forças de reserva, divididas em equipas. Montagem de cinco metralhadoras BREDA e de dois Morteiros 81 mm, nos pontos estratégicos e mais sensíveis do Quartel. Assumiu o Comando do Regimento na qualidade de oficial mais antigo o Capitão Ramalho.
250430Abr74 - Foi ouvido no Rádio Clube Português, o primeiro comunicado emanado do Posto de Comando do Movimento.
250505Abr74 - Chegada à Porta de Armas do ex-Comandante da Unidade. Alertados os Capitães Ramalho e Amaral do facto, dirigiram-se à porta de armas, onde o primeiro destes oficiais informou o Sr. Coronel Azevedo do que se estava a passar e da posição tomada pela Unidade. Uma vez que aquele Sr. oficial não quis aderir ao Movimento, foi-lhe negada a entrada no Quartel, tendo-se retirado para a sua residência.



25080Abr74 - Começaram a chegar ao Quartel alguns aos oficiais, sargentos e praças que pernoitavam fora, tendo-se facultado a entrada, sendo de imediato informados do que se estava a passar e da missão da Unidade.
250830Abr74 - Foi notada pelo oficial que estava de guarda ao quarto do Sr.; Coronel Gama, que este Sr. oficial já se encontrava a pé, pelo que foi de imediato contactado pelos Capitães
Ramalho e Amaral. que o Informaram do que se estava a passar na Unidade. Este oficial não concordou com tais atitudes, Informando que não aderia ao Movimento e que se pudesse sair do Quartel. iria para o Tribunal Militar como lhe competia. Foi-lhe autorizado tal procedimento, pelo que o sr. Coronel Gama abandonou o Quartel pouco depois.

250850Abr74 - O Ex. Coronel Ferreira da Silva. saiu do seu Quarto sendo logo abordado pelo Capitão Ramalho. que o informou do que se estava a passar. Este Sr. oficial não fez comentários ao facto, dizendo que ia para o Tribunal Militar. pois tinha julgamentos nesse dia.
250900Abr74 - Entrada dos restantes militares que pernoitam fora, seguindo-se procedimento igual ao anterior.
250905Abr74 - Chegada à Porta de armas do Exmo. 2.° Comandante Sr. Tenente-coronel Graciano, que logo foi Informado pelo Capitão Amaral do que se estava a passar e da posição da Unidade, ao que este oficial respondeu que aderia ao Movimento e por isso vinha para o Quartel, mas que iria comunicar este procedimento ao Sr. Comandante.
250930Abr74 - Regresso do Exmo 2.0 Comandante que logo entrou no Quartel, assumindo desde logo o Comando do Regimento. Também nessa altura o Capitão Amaral recebeu uma chamada telefónica do Sr. Major Sanches, perguntando a evolução da situação e justificando a sua não apresentação no Quartel até essa hora..
251100Abr14 - Chegou à Porta de Armas do Quartel o Exmo. General Câmara, que mandou chamar o Comandante da Unidade. O Sr. Tenente-coronel Graciano deslocou-se à porta de armas e depois de verificar a sua identificação perguntou-lhe o que desejava. Aquele senhor oficial respondeu que desejava telefonar, tendo sido Informado que tal não era possível em virtude da situação em que se encontrava a Unidade. Depois de haver Insistido no seu pedido, aquele Sr., General afastou-se do Quartel ao ser-lhe de novo negada autorização.
251200Abr74 - O Major Sanches voltou a telefonar para o Capitão Amaral, a saber se tinham surgido problemas pois tinha verificado a ausência de noticias através das estações emissoras, que deixaram de transmitir os comunicados do Posto de Comando do Movimento. Nessa altura foi-lhe comunicado que o Sr. Tenente-coronel Graciano estava no Quartel e tinha assumido o comando. Em face dessa Informação aquele Sr. oficial Informou que iria almoçar e depois viria para o Quartel.





251550Abr14 - Entrada no Quartel do Major Sanches. O Quartel manteve-se na situação de prevenção rigorosa, por ordem do Comandante da Unidade, Tenente-coronel Graciano, até ao regresso das forças que se deslocaram a Lisboa.

4. CONSIDERAÇOES FINAIS

a. Actuação do Pessoal
(1) Pessoal que tomou parte activa na acção
O pessoal que tomou parte activa na acção foi constituído por todos os capitães, oficiais subalternos, furriéis, cabos milicianos e praças. O seu comportamento foi regido pelo elevado espírito da missão que fora confiada à Unidade.

(2) Restante pessoal
(A) Comandante do Regimento
1.º Considerações gerais - O Sr. Coronel José Luís de Almeida Azevedo assumiu o Gomando efectivo do Regimento na tarde do dia 24-Abril-74. No âmbito do Movimento não foi contactado porquanto era demasiado arriscado, por ser novo na Unidade e supor-se enfermado dos princípios seguidos pelo Comando da Região Militar, de total discordância com o Movimento. Regressado de uma reunião de Comandos no OC/RMC trazia directivas no sentido de demover os Capitães de participarem na «aventura» do Movimento. No acto de posse de Comando e perante a formatura geral das forças do Regimento apelou insistentemente para a necessidade de as praças lhe obedecerem a ordens directas, se as circunstâncias assim o viessem a exigir, o que parece corresponder a directivas recebidas do Comando da AM. Destes factos parece Inferir-se que era do seu conhecimento e, concomitantemente de todos os Comandos da Região, que algo estava em marcha no âmbito do Movimento.

2.° Actuação no desenrolar da acção

Pelas 05:05 do dia 25-Abril74, o Sr. Coronel Azevedo alertado por um telefonema directo da RM, compareceu na Porta de Armas do Regimento, onde foi recebido pelos Capitães Ramalho e Amaral; posto ao corrente da situação e informado da natureza e finalidades do Movimento, não aderiu, pelo que lhe foi negada a entrada na Unidade tendo-se retirado para a sua residência. A partir desse momento o Sr. Cor. Azevedo passou a manter-se em casa às ordens do Comando da Região Militar.




Em 27 de Abril, pelas 23:00 horas o Sr. Cor. Azevedo entrou no Quartel acompanhado pelo Comandante da Unidade Ten. Cor. Graciano dando conhecimento da reunião que entretanto havia tido com o novo Comandante da Região e pedindo que lhe fosse comunicado até às 10:00 horas do dia 28 a posição dos oficiais da Unidade em relação ao seu regresso.

3.º Conclusão - Posto o problema em termos de aceitação os oficiais do Movimento embora com certas reservas e dúvidas resolveram dar conhecimento ao Sr. Cor. Azevedo que, dentro do espírito de disciplina e ética militares, cumpririam a decisão que já fora tomada pelo novo Comandante da Região fazendo realçar o facto que o problema se punha em termos de personalidade e coerência pessoais, pelo que em seu entender deixavam a decisão ao seu critério. Tendo a população civil de Viseu seguido o desenrolar dos acontecimentos desde o primeiro Instante, apercebeu-se perfeitamente da posição de não aderência do Sr. Cor. Azevedo, pelo que se sabe não aceitar que este Sr. oficial comande o Regimento considerando como seu legitimo Comandante o Sr. Ten. Cor. Graciano facto que esteve bem patente na manifestação de apoio ao Movimento das Forças Armadas, levada a cabo no dia 29-Abrll-74. Foi demasiado notório o alheamento a que foi votado pelos elementos organizadores da manifestação.

(B) 2.° Comandante do Regimento - Este Sr. oficial, Ten. Cor. Graciano Antunes Henriques, dada a posição medianamente favorável tomada aquando dos acontecimentos de 16 de Março de 1974 em relação aos Capitães da Unidade. que haviam tomado posição de acordo com a missão que lhes foi confiada, no âmbito da acção prevista, era susceptível de aderir condicionalmente, pelo que dias antes da eclosão do Movimento de 25 de Abril, tive com ele uma conversa multo confidencial. onde, em termos de compromisso de honra, lhe foi dada conta do Movimento. bem como da Ideia geral de manobra; como não aderisse condicionalmente, propus-lhe que, se encontrasse em casa no acto de eclodir da acção, se mantivesse na mesma; pela manhã. quando o êxito estivesse mais ou menos assegurado se apresentasse na Unidade e tomasse a posição que entendesse.
Em 250905Abril74, compareceu à Porta de Armas, tendo dado a sua adesão, pelo que entrou e logo assumiu o Comando do Regimento. Realce-se o facto de a população de Viseu conhecedora do desenrolar dos acontecimentos lhe reconhece o Comando legítimo da Unidade.







(c) Major António Lopes de Figueiredo - Este Sr. oficial revelou-se sempre contra o Movimento, facto que demonstrou com evidência aquando dos acontecimentos de 16 de Março e posteriormente ao fazer sentir a sua má vontade para com oficiais subalternos que estiveram envolvidos naqueles acontecimentos; este aspecto gerou um sentimento de antipatia para com este oficial por parte dos oficiais subalternos e mesmo entre as hierarquias Inferiores. Dados estes condicionamentos não pôde ser abordado directamente até porque não oferecia garantias de discrição necessárias, pelo que os Capitães do Movimento aprovaram uma diligência junto de seu irmão, oficial da reserva, Ten.-Cor. Figueiredo, no sentido de que, em termos de compromisso de honra, se evitasse que aquele oficial tomasse posições drásticas, que a todo o custo se queriam evitar.
O eclodir da acção do movimento foi-lhe comunicado pelo Exmo. Comandante, depois deste oficial ter ido ao Quartel e se ter retirado por não aderir; inteirado da situação informou o Ex. Comandante que não aderia e que se mantinha com o seu Comandante. Nesta situação se manteve até ao dia 30/Abr, data em que se apresentou ao serviço. De notar que a sua continuação no Regimento não obedeceu a critérios de aceitação pois foi notória a oposição de que deram mostras os oficiais subalternos e grande camada das classes Inferiores. A sua continuação na Unidade acabou por ser aceite dentro dos princípios da ética e disciplina militar, bem expressa e solicitada pelo Exmo. Comandante Militar.
É de conhecimento dos oficiais do Movimento que o referido Sr. oficial, no sentido de torpedear a acção destes elementos, também por várias vezes pressionou o Exmo. Comandante Int.º, Tenente-coronel Graciano para que este comunicasse superiormente o comprometimento dos Capitães com o Movimento, de modo a que fossem transferidos de Unidade.
(d) Adriano Patrocinio Sanches - Este Sr. oficial esteve ligado ao Inicio do Movimento, quando ainda em comissão de serviço na Guiné; regressou bastante abalado da saúde, com certa debilidade psíquica, proveniente de esgotamento cerebral de que foi vítima naquela Província. Embora através de conversas, se mostrasse sempre solidário com o Movimento, procurou sempre esquivar-se a situações de compromisso evidente. Na fase crucial do desenvolvimento do Movimento, esteve ausente da Unidade, na frequência de estágio de Oficial Superior. Abordado nos dias anteriores à eclosão da acção, sempre tomou uma atitude de não compromisso, pelo que só no dia 24, no intuito de definir exactamente a sua posição, se lhe deu conhecimento, debaixo de compromisso de honra, do que estava previsto, Como após essa conversa privada garantisse que estava Incondicionalmente com o Movimento, foi convidado a comparecer na noite de 24/25 pelas 21.30 em casa do Capitão Costeira, onde lhe seria exposto a acção prevista em pormenor, perante a qual tomaria uma acção decisiva.



Compreendendo-se o seu débil estado psicológico, ficou assente que, mediante o desenrolar dos acontecimentos se apresentaria no Quartel na hora normal de entrada para o serviço, altura em que entraria no mesmo para se juntar aos oficiais do Movimento. Esta decisão tomou-a sob compromisso de honra. Talvez devido à debilidade psicológica atrás referida, este oficial não se apresentou no Quartel à hora combinada usando de meios sinuosos que o levaram a manter uma situação indefinida, até à sua apresentação na Unidade, que só se verificou pelas 15.50.

ELEMENTOS ACTIVOS DA ORGANIZAÇAO E CONCRETIZAÇAO DO MOVIMENTO
Capitão Diamantino Gertrudes da Silva, Capitão Arnaldo Carvalhais da Silveira Costeira, Capitão Aprígio Ramalho, Capitão António Luís Ferreira do Amaral, Capitão Amândio Augusto.

O COMANDANTE DO AGRUPAMENTO

Os Cap. Gertrudes da Silva, Arnaldo Carvalhais, Silveira Costeira, Aprígio Ramalho, Ferreira do Amaral, Amândio Augusto entram na unidade e iniciam preparativos com o controlo interno da unidade.

00h45 - E.P.C. Escola Prática de Cavalaria de Santarém (EPC) Imagem
Código: Seleccionar todos
ESCOLA PRÁTICA DE CAVALARIA
RELATÓRIO DA OPERAÇÃO FIM - REGIME

Referências: Carta Topográfica de Lisboa - Escala aprox. 1/25000

1. SITUAÇAO
a. Forças IN - Conforme ordem de operações MOFA 23/12/Abril/74; b. Forças amigas - Idem; c. Reforços - Nada.

2. MISSÃO
Instalar em Lisboa controlando os acessos ao Banco de Portugal, Companhia Portuguesa Rádio Marconi e Terreiro do Paço estabelecer ligação com o P.C. na sede de ligação FOXTROT 2.

3. EXECUÇAO
a. Conceito da Operação - Deslocar na madrugada de 25 de Abril de 74 um Esq. Rec. a 10 Viaturas Blindadas e um Esq. de Atiradores a 160 homens com 12 Viaturas de transporte pessoal, 2 Ambulâncias e 1 Jeep. Estas forças deviam Iniciar o movimento pelas 3 horas e deslocar-se o mais rapidamente possível afim de entrar em posição ainda de noite. b. Constituição da Força: COMANDANTE – CAP. CAV. Salgueiro Maia; CMDT Esq. Atir. Auto Transportado – CAP. CAV. Tavares de Almeida; CMDT Esq. Rec. - TEN CAV. Santos Silva; 1. PEl. ATlR. - ALF. GRAD. CAV. Marcelino; 1.0 Cabo Mil. Azevedo, 4 COM; 1.0 Cabo Mil. Mata, 2 CSM; 1. Cabo Mil. Tomás, 4 Praças; 2.° PEL. ATIR. - ALF. MIL. CAV. David; Furriel Mil. Oliveira. 4 COM; Furriel Mil. L. Carvalho, 8 CSM; Furriel Mil. S. Sousa, 4 Praças; 3.° PEL. ATIR. - ALF. MIL CAV. Ribeiro; Furriel Mil. Costa; Furriel Mil. Sena, 4 COM; Furriel Mil. Duarte, 12 CSM. 4.° PEL. ATlR. - AlF. GRAD. CAV. Medeiro; Furriel Mil. Marques, 4 COM; Furriel Mil. Neto, 8 CSM; 1.0 Cabo MIL. Simões, 4 Praças. 5.° PEL. ATlR. - AlF. OEO CAV Graça; Furriel Mil. Santos, 4 COM; Furriel Mil. Mendes, 8 CSM; Furriel Mil. C. Rodrigues, 4 Praças. 6.° PEL. ATIR. - ALF. MIL. CAV Beato; Furriel Mil. Rodrigues, 4 COM; Furriel Mil. N. Cardoso, 8 CSM; 1.° Cabo Mil. Alexandre, 4 Praças. 7.° PEL. ATlR. - ALF. GRAD. CAV. Rodrigues; Furriel Mil. Guerreiro, 4 COM; 1.0 Cabo Mil. Vasconcelos, 13 CSM; 8.° PEl. ATlR. - TEN. MIL. CAV. Sousa e Silva; Furriel Mil. Correia, 4 COM; Furriel Mil. Constantino, 2 CSM; Furriel Mil. R. Carvalho, 4 Praças. 1.0 PEL. REC. - EBR. 1ª - ALF. MIL. CAV Loureiro; Furriel Mil. Lutas. 1 Praça; 1.0 Cabo Mil. Rolo. 2.a - ALF. MIL. CAV. Clímaco Pereira; Furriel Mil. Gonçalves, 2 Praças. 3.a - ASP. MIL. CAV. Sampaio; Furriel Mil. Henrique Silva, 2 Praças. m. - Furriel Mil. Sebastião Silva, 4 Cabos, 5 Praças. 2.° PEL. REC. AML - CHAIMITE – 1ª - TEN CAV. Santos Silva; Furriel Mil. Carmona, 1 Praça. V - ALF. CAV. Cardoso, 2 Praças. 1ª - ASP. Rlcciardi; Furriel Mil. Correia da Silva, 9 Praças. 2.a_ Furriel Mil. Cabral; Furriel Mil. Raposeiro. 8 Praças. 3.° PEL. REC. MISTO. 3.° PEL. REC. MISTO - HUBER - ALF. Mil CAV. Pedrosa de Oliveira; Furriel Mil. Pimenta, 1 Praça. FOX - Furriel Mil. O. Matos, 1 Praça. COMANDO - TEN CAV. Correia Assunção; Furriel Mil. IIharco; 1 Cabo Mil. Lebreiro, 1 Praça. Em Viatura Civil à frente da Coluna: ASP. MIL. CAV. Laranjeira; ASP. MIL. Cav. Calado de Oliveira; ASP. MIL. CAV Mota de Oliveira.

C. Desenrolar da Acção

Pelas 23.20 horas de 23 de Abril 74, fui informado pelos Tens. Cav. Santos Silva e Sardinha que um contacto do Movimento se encontrava na Pastelaria Bijou, tendo-me deslocado ao referido local encontrei o Sr. Capitão CAV. Valente e ADM. MIL. Torres que conduzi ao meu carro, tendo posteriormente estacionado em frente ao portão Chaimite na Rua que conduz ao Liceu. Nessa altura recebi a Ordem de operações assim como outras directivas. Durante o espaço de tempo que durou o contacto, fui vigiado e posteriormente seguido por 2 homens que se deslocavam num Toyota - Corola novo, de cor amarela e matricula LA-90-83.
No dia 24 pela Manhã, foram contactados os primeiros Furriéis Milicianos visto que a Ideia de manobra era s6 de conhecimento de 6 Oficiais do O.P. e 3 Oficiais Milicianos. Os Furriéis Mil. Contactados mostraram-se totalmente colaborantes e prontos a contactar outro pessoal.
A adesão dos graduados Milicianos foi total e dedicaram-se todo o dia com afinco a organizar e a apresentar material.
Como a Escola estava vigiada pela D.G.S. e a fim de não se notar algo diferente no movimento normal os Graduados aliciados entraram no Quartel à civil e individualmente até ao fechar da Porta de Armas pelas ,-.1,30 h., dirigindo-se Imediatamente aos quartos onde se combinaram em pormenor as operações a desenrolar e o dispositivo a adoptar ao mesmo tempo que escutavam as Emissões dos EAL. e Rádio Renascença a fim de ouvir o sinal de execução.

Pelas 00.45 h. o Exmo. Major CAV. Costa Ferreira. Capitães CAV. Garcia Correia, Bernardo e Aguiar tentaram aliciar o 2.° Comandante da E. P. C. TEN. COR. Sanches, único Oficial superior que permanecia no Quartel.
Posteriormente foram ao Gabinete todos os Oficiais para informar que o apoio ao Movimento era total, mas não houve adesão do 2.° Comandante. Pelas 1,30 h. Deu-se ordem para acordar todo o pessoal e formarem na Parada onde cada Comandante de Esquadrão pôs ao corrente a situação o pessoal sob as suas ordens e da parte destes a adesão foi total ao ponto de a quase totalidade quererem marchar sobre Lisboa.

Pelas 3.20 h. o pessoal encontrava-se equipado, armado e municiado e com 2 rações de combate por homem. Pelas 3.30 h. saiu-se da E. P. C. com destino ao Terreiro do Paço que foi alcançado sem dificuldades de maior.

Pelas 5.30 h. No itinerário para o Terreiro do Paço passamos por viaturas da Polícia Segurança Pública no Campo Grande e Polícia de Choque na Avenida Fontes Pereira de Meio. As referidas forças não se manifestaram. Antes de alcançar Entrecampos fomos contactados pelo Exmo. Major Arruda que se deslocava num Austin Mini creme. Na altura da entrada em dispositivo no Terreiro do Paço a P.S.P. que cercava a zona não interferiu na nossa acção e colaborou no isolar da mesma para com a população. Ao mesmo tempo entrava na zona um pelotão reforçado AML/Chamlte do R.C. 7 comandado pelo Alferes Mil. David e Silva que aderiu de imediato ao Movimento. O Ministério do Exército era guardado por 2 Pelotões P. M. comandados pelos Aspirantes Saldida e outro que também de Imediato se colocaram sob as minhas ordens e foram ocupar o lado oposto do Edifício do Ministério, conforme lhes ordenei. Deste pessoal 7 homens permaneceram dentro do Ministério por as portas se encontrarem fechadas tendo sido a estes homens que o Ministro do Exército deu ordens para abrir um buraco na parede de ligação com o Ministério da Marinha por onde fugiu.

Pelas 7 h. da manhã surgiu do lado da Ribeira das Naus um Pelotão de Rec. Panhard do R.C. 7 comandada pelo Exmo. TEN.-COR. Ferrand de Almeida que posto perante o dilema de ter que disparar ou se render optou pelo segundo.
A prisão do referido Oficial foi efectuada debaixo da Janela do Ministério com os EX-Ministros a assistirem, tendo um deles várias vezes chamado o referido Oficial que lhes respondeu não poder ir por se encontrar preso. Pouco depois surgiram forças da G.N.R. do lado do Campo das Cebolas. Tendo chegado à fala com o Comando destas forças aconselhei-o a abandonar a zona visto não ter potencial para se bater comigo, no que fui obedecido; pouco depois de ocupar posições na zona apresentou-se-me às ordens o CMDT. da 1.8 Divisão da P.S.P. Cap. Martez Soares a quem ordenei que o pessoal da referida corporação não se devia manifestar mas sim contribuir para descongestionar o trânsito na zona.

Entretanto pelas 9 h. foi pedido um reforço pelo B.C. 5 para o QG./R.M.L. pelo qual eu mandei seguir para o local uma AML e uma ETT comandadas respectivamente pelo Alferes Graduado de Cavalaria Marcelino e Aps. Mil . Cav . Ricciardi, chegados ao O.G. a força apresentou-se ao Sr. Cap. Inf. Bicho Beatrlz CMDT da C.C.A.Ç. que ocupava a zona.
Por ordem do CMDT da C.C.A.Ç. foi colocada a AML no cruzamento da Avenida António Augusto de Aguiar com a Avenida Marquês de Fronteira e a ETT no cruzamento da Avenida Duque de Ávila com a Rua Marquês Sá da Bandeira mantendo-se nessas posições até às 19 h., hora a que foi mandada regressar para junto do meu Comando.

Pelas 10 h. surgiu uma força comandada pelo Brigadeiro Junqueira Reis e constituída por 4 C.C.M/47, 1 Companhia de Caç. do RI. 1 e alguns pelotões de P.M.

O referido Brigadeiro dividiu as suas forças em 2 núcleos que progrediam respectivamente pela Rua Ribeira das Naus e Rua do Arsenal. No 1.° junto às viaturas blindadas comandadas pelo Alferes Mil. Sotto Mayor acompanhado pelo Major de Cav. Pato Anselmo que depois de várias negociações se considerou prisioneiro, antes disso tentei dialogar com o referido Brigadeiro no lado da Ribeira das Naus mas o mesmo exigia que eu fosse ter com ele atrás das forças que comandava e eu que ele viesse a meio do espaço que nos separava. Ordenou ao Alferes Mil. de Cav. Sotto Mayor para abrir fogo sobre mim com as peças do CC M/47 mas não foi obedecido tendo de imediato ordenado a prisão do referido Oficial declarando-lhe que: -você já estragou a sua vida-o Deu ordem aos apontadores dos CC M/47 e aos atiradores que progrediam atrás dos Blindados também para abrir fogo, mas não foi obedecido; nesta altura o referido Oficial General disparou alguns tiros para o ar tentando que as NT lhes respondessem. Não houve troca de tiros.
As negociações com o Major Pato Anselmo foram orientadas pelo Major Inf. Com. Neves, Cap. Cav. Tavares de Almeida e Alferes Mil. Cav. Maia Loureiro.

Logo que o Major Pato Anselmo se rendeu mandou-se voltar as torres dos CC M/47 e avançar na nossa Direcção no que fomos obedecidos. Os PM. que progrediam atrás dos CC M/47 e outros que se encontravam no mirante antes do Cais do Sodré vieram entregar-se.

Na rua do Arsenal as negociações foram feitas pelos Tenentes CAV. Santos Silva e Assunção e Furriel Mil. Cav. J. Nunes do R.C. 7 que se tinha passado para o nosso lado. O furriel Mil. J. Nunes iniciou um movimento até junto dos CC M/47 afim de informar o Brigadeiro Reis de que devia vir a meio caminho estabelecer conversações. Tendo andado cerca de 5 metros precedido pelo Ten. Cav. Santos Silva o Brigadeiro Reis abriu fogo na nossa direcção pelo que ambos se viram na contingência de ocupar as anteriores posições de defesa. Nessa altura o Ten. Cav. Santos Silva voltou à Praça do Comércio Informando os acontecimentos. Na mesma altura em que o Ten. Santos Silva regressava à Praça do Comércio o Ten. Cav. Assunção alheio aos incidentes verificados dirigiu-se à Rua do Arsenal e procurou entabular conversações, tendo-se dirigido ao outro lado pedindo a vinda ao meio do caminho do Brig. Reis o que não lhe foi concedido, prosseguindo por isso até junto dos CC M/47. Nessa altura o Brig. Reis mandou abrir fogo sobre o TEN. CAV Assunção não tendo sido obedecido pelos soldados tendo-se o Exmo. Cor. Romeiras Interposto entre as armas e o referido Tenente aconselhando calma ao Brig. Reis que nessa altura agrediu o TEN. Assunção com 3 murros. Devido ao insucesso das conversações o TEN. Assunção voltou às suas linhas. Depois das 9 h. começou a circular na nossa frente a fragata F-743. Dei ordem para que o 1.° Oficial Superior da Marinha que chegasse junto ao cerco fosse conduzido à minha presença. Tendo-me surgido um Oficial Superior da Marinha cuja identificação não recordo, pu-lo ao corrente da situação pois necessitava de saber se devia abrir fogo contra o barco ou não pois que isso obrigava a alterar o dispositivo e a colocar as EBn em frente ao referido barco; O Oficial da Marinha declarou-me que ia saber o que se passava e posteriormente fui informado de que o barco se encontrava ali por ordem do Governo mas que não disparava contra nós.
Pela 1 h. surgiu um grupo de Comandos comandado pelo Exmo. Major Neves levando sob as suas ordens vários oficiais alguns dos quais à civil. Major Neves entrou no Ministério a fim de prender os Ministros e passou revista aos mesmos. Também por esta altura surgiu o Exmo. Ten.Cor. Cav. Correia de Campos que passou a comandar os operações no Terreiro do Paço.
Posteriormente chegou à civil à Zona de Operações o Exmo. Cor. Cav. Francisco de Morais que manifestou a sua total adesão ao Movimento e nos deu os parabéns. Tendo-se constatado a fuga dos Ministros e a não existência na Zona ocupada de objectivos remuneradores o Exmo. Coronel Correia de Campos propôs ao P.C. a escolha de outros objectivos no que foi atendido. Propus a divisão do nosso efectivo em duas forças, sendo uma formada pelo pessoal da E.P.C. e outra pelos aderentes R.C. 7, R.L. 2 e R.L. 1 comandadas pelos Tenentes de Cavalaria Cadete e Balula Cid., tendo-se estes dirigido para o Q.G. da Legião Portuguesa na Penha de França. À minha coluna progrediu pela Rua Augusta em direcção ao Rossio sendo aclamada em apoteose pela população durante todo o trajecto até ao Carmo.
Ao chegar ao Largo do Rossio encontrei uma coluna auto transportando uma companhia de atiradores do RI 1 cujo Comandante Cap. Inf. Fernandes me declarou estar ali por ordem do Governo para me não deixar passar mas estava às minhas ordens. Disse-lhe para seguir atrás de minha coluna até ao Carmo, no que fui obedecido.
Pelo meio-dia e trinta cerquei o quartel da G.N.R. do Carmo. Foi bastante importante o apoio dado pela população no realizar destas operações pois que além de me indicarem todos os locais que dominavam o Ouartel e as portas de saída à este, abriram portas varandas e acessos a telhados para que a nossa posição fosse mais dominante e eficaz. Também nesta altura começaram a surgir populares com alimentos e comida que distribuíram pelos soldados.
Passei novamente a comandar as forças pela ausência do Exmo. Coronel Correia de Campos que foi receber ordens ao P.C.
Pouco depois populares vieram-me informar que estávamos a ser cercados por 2 Companhias da G.N.R. e outra da polícia de choque, como não tinham viaturas blindadas não me preocupei com o assunto. Posteriormente fui informado que o Brigadeiro Junqueira dos Reis comandando viaturas blindadas e outra companhia do R.1. 1 se encontrava também a cercar as N.T. Pelas 14 horas surgiu-me um sargento do R.1. 1 a dizer que o pessoal se encontrava disposto a passar para o nosso lado. Respondi-lhe que poderiam vir e indiquei-lhe o caminho. O pessoal do R.1. 1 pôs a arma em bandoleira, misturou-se com a população e passou-se para o nosso lado. Tive também notícias que a tripulação de um C.C. tinha abandonado o mesmo.
Para complicar mais a situação das tropas fiéis ao Governo surgiu um esquadrão do R.C. 3 comandado pelo Cap. Cav. Ferreira que cercou o que restava das tropas do Brig.
J. Reis. Entretanto recebi ordem para obrigar à rendição do Quartel do Carmo. A ordem foi escrita pelo Exmo. Major Otelo Saraiva de Carvalho e transportada pelo Cap. Art. Rosado da Luz e dizia:
SALGUEIRO MAlA:
Tentámos fazer um ultimato ao QG/GNR para entrega do Presidente do Conselho sem grandes resultados. Os tipos desligam o telefone ou retardam a chamada dizendo que vão ver se as pessoas estão.
Com o megafone tente entrar em comunicações e fazer um aviso - ultimato para rendição. Eu já ameacei o Cor. Ferrari mas ele parece não ter acreditado. Com auto-metradalhora rebenta fechaduras do portão para verem que é a sério. Julgo que não reagirão. Felicidades. Um abraço - OTELO.
Pelas 15.10 horas com megafone solicitei a rendição do Carmo em 10 minutos. Como não fui atendido passados que foram 15 minutos ordenei ao Ten. Cav. Santos Silva para fazer uma rajada da torre da Chaimite que comandava sobre as mais altas janelas do Quartel do Carmo.
Depois das rajadas solicitei a rendição do Quartel, mas como surgiu junto a mim o Exmo. Cor. Cav. Abrantes da Silva, solicitei ao mesmo que fosse ao Quartel do Carmo dialogar, para que quem lá estava não pensasse que a guerra era feita por um simples Capitão. Quando o referido oficial entrou no Quartel ficou junto a nós um Major da G.N.R. como refém. Como as negociações demorassem e a ordem para a rendição era imperativa passados que foram 15 minutos ordenei nova abertura de fogo só com armas automáticas sobre a frontaria do Quartel. Continuavam sem responder às minhas solicitações de rendição quando já tinha perdido as esperanças de resolver o problema sem utilização de armas pesadas, surgiram 2 civis com credencial de Sua EX.8 o General António Spínola que entraram no Quartel para dialogar com o Presidente do Conselho. Demoraram cerca de 15 minutos e saíram dizendo-me que se tinham de deslocar à residência do referido oficial General. Em face da situação ordenei ao Ten. Cav. Assunção para se deslocar no meu Jeep e transportar os referidos civis. Entretanto desloquei-me ao Quartel onde verifiquei que a disposição do pessoal era de se render. Falei cerca de 15 minutos com o General Comandante do Q.G. da G.N.R. e outros oficiais superiores. Pedi audiência ao Prof. Marcello Caetano no que fui atendido. A conversa decorreu a sós e com grande dignidade. Nela o Professor Caetano solicitou que um oficial General fosse receber a transmissão de poderes para que o Governo não caísse na rua.
Pelas 18 horas chegou ao Quartel do Carmo Sua EX.8 o General António de Spínola acompanhado pelo Ten. Cor. Dias de Lima. Entretanto havia viaturas com combustível quase esgotado e necessidade de óleo para os motores e sistemas hidráulicos. O senhor José Francisco agente comercial - morador na Rua Serpa Pinto, n.º 8-5.0-Esq. - Odivelas, que desde os primeiros momentos se colocara à disposição das NT e passara a servir de elemento de ligação orientou uma viatura nossa no deslocamento até à Zona da estação de Santa Apolónia onde em estações de serviço requisitámos combustível e os óleos necessários.
Pelas 19 horas levantámos cerco ao Carmo para nos dirigirmos ao Quartel da Pontinha tendo ficado na zona somente as forças do RI 1.
O Professor Caetano e os outros elementos do Governo, foram conduzidos na auto-metralhadora Chaimite "BULA", que ao mesmo tempo deu escolta à viatura civil onde se deslocava Sua Ex.a o General Spínola também em direcção à Pontinha.
Na Rua António Maria Cardoso pelas 15 horas agentes na D.G.S. instalados na .sede abriram fogo sobre a multidão que se aglomerava na referida rua tendo causado 1 morto e 2 feridos que foram transportados nas nossas ambulâncias.
Pelas 21 horas atingimos a Pontinha e por não ter instalações disponíveis tivemos que nos deslocar para o Colégio Militar. onde o Exmo. Brigadeiro Ramires pôs as instalações à nossa disposição e forneceu 3.8 refeição a todo o pessoal.
Pelas 22 horas comandando 6 viaturas blindados segui para o RL 2 às ordens do Exmo.
Major de Cav. Monge com vista à rendição dos RL 2 e RC 7 e prisã
o dos respectivos Comandantes. Esta acção terminou pela 1.30 horas do dia 26 de Abril de 1974 pelo que ficámos instalados no RC 7.
DIA D + 1
Pelas 8,30 horas seguimos em patrulhamento para o centro da cidade e pelas 11 horas tomamos conta do edifício da Defesa Nacional a fim de garantir a segurança das individualidades que lá foram tomar posse.
Recolhemos ao RC 1 pelas 19 horas e durante todo o tempo em que estivemos na Cova da Moura foi extraordinário o apoio da população às nossas tropas ao ponto de no prédio em frente à. Defesa Nacional várias senhoras terem cozinhado o almoço para todo o pessoal. As forças que permaneceram no Colégio Militar ficaram sob o comando do capitão Cav. Tavares de Almeida e pela; 3 horas escoltaram Sua Ex.ª o General António de Spínola à RTP Lumiar, tendo regressado pelas 2.30 horas. Pelas 3 horas seguiram para a Pontinha a fim de defender o P.C.
Pelas 5 horas o tenente Cav. Santos Silva deslocou-se para a Rua do Alecrim a fim de cercar o comando da DGS tendo regressado pelas 19 horas.
Também pelas 19.30 horas o Cap. Cav. Tavares de Almeida, recebeu ordem de regresso 8 Santarém, atendendo ao desgaste físico do pessoal sob o seu comando; chegaram ao seu destino tendo a quase totalidade da população de Santarém a recebê-los.
DIA D + 2
Cerca das 3 horas o Ten. Cav. Santos Silva recebeu ordens para com 2 viaturas blindadas escoltar a Tomar o Exmo. Coronel de Cav. Francisco Morais. Cmdt. da Região Militar de Tomar; chegaram a Santarém pelas 4 horas e a escolta para Tomar foi efectuada sob o comando do Cap. Cav. Cadavez.
Pelas 9.30 efectuámos um patrulhamento pelo centro da cidade que se encontrava calma tendo regressado cerca das 12 horas; para voltar a sair pelas 14 horas a fim de escoltar os arquivos existentes na Escola Prática da DGS. Às 19 horas chegou um RC 7 pessoal sob o comando do Cap. Cav. Cadavez a fim de substituir todo aquele que se encontrava sob o meu comando, substituindo o mesmo nas 4 guarnições das 4 viaturas blindadas que continuaram no RC 7.
Pelas 2 horas regressei com as 3 EBR, uma ETT e o pessoal rendido tendo atingido Santarém às 22.30 horas.
4 - ADMINISTRAÇAO E LOGISTICA - a) Distribuídos a cada homem rações de combate para os dias 25 e 26 de Abril 74; b) Serviço de Saúde - 2 equipas constituídas por um enfermeiro e 1 maqueiro cada, a deslocar nas duas ambulâncias.
5 - COMANDO E TRANSMISSOES - Posto Comando em Jeep. Rede de Comando, ver anexa Ordem Operações MOFA.
6 - DIVERSOS - Fui depois Informado por oficiais da G.N.R. do Quartel do Carmo que o Prof. Marcelo Caetano desde as 8.30 horas do dia 25 que declarava que se rendia. se fosse um Oficial General a receber a rendição. Este facto não foi comunicado pelo Comandante do Quartel do Carmo e deste modo a rendição s6 se efectuou depois das 15 horas.

O Maj. Costa Ferreira e os Cap. Garcia Correia, Bernardo e Aguiar tentam aliciar o 2.º Comandante da unidade, Ten.Cor. Sanches a aderir ao Movimento, sem sucesso. Todos os outros oficiais que se encontravam na unidade aderiram.

01h30 - E.P.C. Escola Prática de Cavalaria de Santarém (EPC) Imagem
Foi dada ordem para acordar todo o pessoal e formar na parada onde cada Comandante de Esquadrão pôs ao corrente a situação o pessoal sob suas ordens e da parte destes a adesão foi total, ao ponto de a quase totalidade quererem marchar sobre Lisboa.
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Re: 25 de Abril - as operações militares

Mensagempor Viriato » Sexta-Feira 25 Abril 2008, 19:31

01h30 - E.P.A.M. Escola Prática de Administração Militar (EPAM). Imagem
Após a última abertura de portões são acordados todos os oficiais, sargentos e praças. Os oficiais e sargentos foram informados dos acontecimentos e convidados a aderir. Os que recusaram foram detidos. As praças foram armadas.

01h45 - B.C.5 Batalhão de Caçadores 5 em Lisboa (BC5) Imagem
Os graduados acordam e mandam formar as Praças de forma mais discreta possível com vista a evitar o alerta das forças da GNR na Penitenciária.

02h00 - CAMPO DE TIRO DA SERRA DA CARREGUEIRA (CTSC). Imagem
Os Cap. Oliveira Pimentel e Frederico de Morais têm poucos homens pois só contam o Tenente Mil. Silva Pinheiro e os Asp. Mil. Simões, Moreira, Trindade e Serrinha. Praças só dispõe de 40 de diversas especialidades. - Missão - Defender a todo o custo os estúdios da Emissora Nacional (EN), na Rua do Quelhas. Saem com duas viaturas pesadas e um jeep num total de 47 homens.

02h00 - R.C.3 Regimento de Cavalaria 3 (RC3). Imagem
Código: Seleccionar todos
REGIMENTO DE CAVALARIA 3
RELATÓRIO DA OPERAÇÃO «25 ABRIL 74»

1.SITUAÇÃO
a) Forças IN: As constantes da Ordem de Operações do MFA;
b) Forças Amigas: Idem;
c)Reforços: Nada.

2. MISSÃO:
Marchar sobre Lisboa instalando na saída sul da Ponte Salazar. Estabelecer contacto com o P.C. do Movimento das Forças Armadas.

3. EXECUÇÃO:
a) Deslocar na madrugada de 25ABR74 um Esquadrão constituído por dois pelotões de e um terceiro de Atiradores. Estas forças deviam executar o movimento na noite de 25 e atingir o mais rapidamente possível a entrada sul da Ponte Salazar;
b) Constituição da força:
Comandante do Esquadrão – Cap. Cav. Andrade de Moura. Coadjuvante do Cmdt. Esq. – Cap. Cav.• Alberto Ferreira. Acompanhou a força até à Ponte Salazar o Cor. Cav.• Caldas Duarte. Integraram-se ainda na força os Capo Cav.• Miquelina Simões e Gastao da Silva, ambos do R. L. 1.
1.º Pelotão de Reconhecimento: Comandante 1.º Sarg. Cav. Silva Bras; Cmts. Secção: Fur. Mil. Correia, 1.0 Cabo Mil. Caldeira, 1.º Cabo Mil. Correia, Praças 40.
2.° Pelotão de Reconhecimento: Comandante Asp. Of. Mil. Cav. Matos de Sousa; Comandantes de Secção: 1.º Cabo Mil. Martins; Praças 30.
3.° Pelotão Atiradores: Comandante Asp. Of. Mil. Montalvão Machado; Cmdts Secção: Fur. Mil. Barata e Maçôas; Praças: 30. Oficial de ligação do Esq. - Asp. Mil.° Coelho Cordeiro.

4. DESENROLAR DA ACÇÃO:
Em 240300 o Cap. Cav. Ferreira deslocou-se à povoação de Aldeia da Serra onde recebeu a Ordem de Operações e um E/R TR28. No mesmo dia pela manhã o referido capitão entregou-me a Ordem de Operações. Nesse momento foi posto ao corrente da situação o Major de Cav. Fernandes Tomas. Após breve troca de impressões foi analisada a situação da Unidade em face de certos factores negativos que nos apresentavam e que se indicam:
Presença do Director da Arma, General Bessa que se encontrava na Unidade desde 23 e que pernoitaria em 24 na cidade e em casa do Ex.mo Comandante.
Intensificação da vigilância sobre os Oficiais do Movimento das Forças Armadas da Unidade e sobre os capitães Miquelina Simões. e Gastão da Silva ambos de Lanceiros 1.
A presença de Companhias recentemente apresentadas para instrução de Especialidades. Após essa análise foi decidido não tomar qualquer atitude antes duma hora que pudesse vir a provocar a quebra do segredo do que estava planeado. Esta decisão tinha como consequência à priori a Impossibilidade da saída do esquadrão à hora H. pois este não estava municiado e estas encontravam-se em local afastado das viaturas. Tal foi julgado preferível do que provocar a quebra do segredo.
Em 241000 mandei a Portalegre o Asp. Matos de Sousa que desde o primeiro momento se revelou um precioso auxiliar, entregar a Ordem de Operações ao Capo Gomes Pereira.
Em 250130 solicitei ao Major Machado Faria, que tinha acabado de chegar dum jantar oferecido ao General 8essa, a sua, comparência em minha casa. Posto o corrente do assunto logo aderiu ao Movimento.
Cerca das 0200 foi o Ex.mo Comandante abordado e posto ao corrente do assunto. Após cerca de duas horas de reflexão aderia ao Movimento colocando-se inteiramente ao lado dos seus oficiais. Chegados ao Quartel pôs-se em execução o plano de recolha de Oficiais e Sargentos e iniciou-se a preparação do Esquadrão. Por mim foi ocupada a central telefónica. Colocado o pessoal ao corrente dos factos logo aderiram em bloco, mostrando todos desejos de irem sobre Lisboa. O Esquadrão seguiu pela estrada Estremoz-Pegões-Setúbal tendo em Mortiça derivado em direcção a Palmela com a finalidade de se furtar a qualquer tentativa de intercepção de tropas estacionadas em Setúbal. A cerca de 4 km de Estremoz uma viatura Unimog avariou. Verificando-se a Impossibilidade da sua reparação ordenei que a mesma fosse abandonada. À passagem por Arraiolos nova viatura avaria tendo-se adoptado o procedimento anterior e, após um alto devido às viaturas blindadas estarem a aquecer, continuou-se a marcha. Atingido Vendas Novas foi decidido atestar as viaturas pois temia-se que ao atingir a Ponte Sal azar, a autonomia das mesmas já fosse muito limitada o que poderia impedir o cumprimento das missões que fossem atribuídas à força. Durante a marcha até Palmela não se registou qualquer Incidente. Junto da estação avariou outra viatura. Tentou-se a sua reparação. Como não foi possível ficou a mesma no local. Cerca das 1315 atingiu-se a Ponte Salazar.
Após contacto com o P. C. do Movimento das F. A. recebeu-se ordem para marchar sobre a Casa de Reclusão da Trafaria. Após esta Ordem o Ex.mo Comandante do R. C. 3 ficou na Ponte Salazar, seguindo mais tarde para Lisboa acompanhado pelos Capitães Miquelina Simões e Gastão da Silva que tinham acompanhado a força desde Estremoz em carro civil e como batedores, trabalho que muito facilitou a marcha da força. Quando o Esquadrão lá se dirigia para a Trafaria foi-Ihe dada contra-ordem.
Devia marchar sobre o Quartel do Carmo a fim de aliviar a pressão que estava a ser exercida sobre as NT, que já ocupavam o Largo do Carmo, por duas Companhias da G. N. R., uma Companhia de Polícia de choque e quatro blindados do R. C. 7 que não tinham ainda aderido ao Movimento. Invertida a marcha o Esquadrão atravessava a Ponte Salazar, atingiu o largo do Rato, dirigindo-se para o Carmo pela Rua da Escola Politécnica. Junto da Imprensa Nacional recebemos as primeiras manifestações de apoio da população civil que se me dirigia prestando Informações sobre as posições ocupadas pelas forças da G. N. R.
O Esquadrão continuou a sua marcha tendo o 1.0 Pel. Rec. tomado posições na Rua Nova da Trindade. Uma auto metralhadora na esquina que liga esta rua à rua da Misericórdia e outra após o entroncamento para o Carmo enfiando o final da rua Nova da Trindade e a parte da rua Garrett. O Pel. Rec. tomou posições na rua da Misericórdia enfiando o largo da Misericórdia dia, enquanto o 2.° Pel. Rec. Instalava a auto metralhadora que possuía, na esquina da rua que liga as duas já referidas, colocando-se assim em posição de bater os carros de Cavalaria 7 que se encontravam no alto do Chiado. Tomadas que foram estas posições conjuntamente com o Capo Ferreira fez-se ver aos oficiais da G. N. R. que a situação era insustentável para eles e intimou-os a renderem-se ou a abandonarem o local dirigindo-se a quartéis. Entretanto passados cerca de dez minutos a força de Cavalaria 7 retirou-se das posições no Largo de Camões e mandava dizer que aderira ao Movimento. Meia hora depois as forças da G. N. R. concentravam-se no Largo da Misericórdia seguindo depois para quartéis. Anotasse que os oficiais da G. N. R. desde o primeiro momento tentaram resolver a situação de molde a evitar uma confrontação. O Esquadrão manteve estas posições até cerca das 1930 tendo seguidamente ocupado o Largo do Carmo pois tinha recebido ordens para tomar conta do Quartel da G. N. R.
Cerca das 2030 fui alertado pela população que elementos da D. G. S. tinham aberto fogo. do que resultou a morte de, pelo menos, um civil e vários feridos. Em face desta informação dirigi-me para a Rua António Maria Cardoso a fim de evitar mais derramamento de sangue. Foram enormes as dificuldades para que uma EBR e dois jeeps atingissem o local pois, a população com o seu desejo de vingança e completamente fora de si impedia qualquer manobra. Atingida a rua acima mencionada estacionou a EBR junto ao Teatro de S. Luís. A população pedia vingança e que se atacasse o edifício, em cujas janelas se viam alguns elementos da corporação.
Verificando que a força era pequena, para iniciar o cerco ordenei a comparência de reforços que estavam junto do Quartel do Carmo. Vindo estes mantive a EBR em frente do S. Luís e coloquei vários atiradores nessa rua, enquanto outra EBR e atiradores tomaram posição na Rua Duques de Bragança e mais tarde na Rua Vitor Cordon.
Após este dispositivo montado e verificando que as forças eram insuficientes solicitei ao Comando do Movimento instruções e reforços para fechar completamente o cerco. Como não foram recebidas ordens para um ataque que continuava a ser exigido pela população, este não foi realizado. Tentei explicar à população a nossa atitude. Após bastantes esforços fui compreendido. Não arredarem pé e não Interferiram pedindo unicamente para os não deixarmos fugir.
Durante o espaço de tempo que mediou a chegada das forças do R. C. 3 ao local e a de reforços, constituídos por dois destacamentos da Marinha cerca das 0200 de vinte e foram capturados doze elementos da D. G. S. e abatido um que fugira ao dar-se-lhe ordem se entregar.
Manteve-se o Esquadrão do R. C. 3 durante toda a noite de 26 em duas posições: largo do Carmo e D. G. S. Este dispositivo manter-se-á lá até 261800, hora a que o Esquadrão recebeu ordem de recolher ao R. C. 7. Atingido este Regimento recebeu o Esquadrão seguir para Évora a fim de escoltar o novo Comandante da Região Ex.mo Cor. Cav.- Fontes Pereira de Melo. Em face do cansaço de que os homens davam sinais, há duas noites que não dormiam, solicitei ao Comando que a missão só cumprida ao amanhecer do dia 27. Tendo sido atendido, ficou o Esquadrão instalado no R.C. 7.

Em 270630, Iniciou a coluna o seu regresso tendo atingido Évora cerca das 1345.
Durante o trajecto foram as forças alvo de significativas manifestações de regozijo, tanto da
das povoações por onde a coluna passou como pelos automobilistas que cruzavam
na estrada.
Após o transporte do Comando da Região, regressou a tropa a Estremoz onde uma grandiosa recepção.

5. ADMINISTRAÇÃO e LOGÍSTICA
Rações de combate n. 20 para dois dias; b) Serviço de saúde, uma equipa constituída por um enfermeiro e maqueiro.

COMANDO E TRANSMISSOES
Comando em jeep (TR 28). Ligação entre os pelotões com E/R - AVPL. Rede de Ordem de Operações .

6. DIVERSOS
!: de destacar o entusiasmo e espírito de sacrifico e de missão revelado por todo o pessoal que constituiu a força.
O oficial gerente da messe do Governo Civil mandou aos militares que se encontravam a cercar a D. G. S., sandes e cervejas. Durante o tempo de permanência do Esquadrão em Lisboa não se cansou a população de cumular de gentilezas os nossos militares. Durante a operação foi perdida uma antena de .

O COMANDANTE. DO ESQUADRÃO (ilegível na fotocópia)
Luís Fernando Andrade de Moura Cap. de Cav.

O COMANDANTE.
Nuno Caldas Franco Duarte Cor. de Cav.

Missão: Marchar sobre Lisboa com uma coluna de auto-metralhadoras e estacionar na zona da portagem da ponte sobre o Tejo, ficando a constituir reserva às ordens do PC. Os Cap. Andrade e Moura e Alberto Ferreira consideram problemática a saída da unidade pois têm poucos apoios internos e o Director da Arma de Cavalaria estava de visita à unidade pernoitando em Estremoz. A única possibilidade será conquistar o apoio do Comandante Cor. Caldas Duarte. Às duas horas da manhã abordam o Cor. Caldas Duarte no sentido da sua adesão. Este mostra-se indeciso e pede tempo para reflectir.

02h00 - ESCOLA PRÁTICA DE INFANTARIA (EPI). Imagem
Comandada pelo Cap. Rui Rodrigues, sai da unidade a Companhia de Intervenção a três bigrupos. - Missão: Ocupar e defender o Aeroporto de Lisboa.

02h30 - R.A.P. 3 Regimento de Artilharia Pesada 3 - Figueira da Foz (RAP 3) Imagem
Código: Seleccionar todos
REGIMENTO DE ARTILHARIA PESADA 3
RELATÓRIO

Tendo sido punido com três dias de prisão disciplinar agravada por uma inexistente infracção de ausência legítima fui transferido do Regimento de Artilharia ligeira n.º 5 para o R.A.P. n.º 3. Tal transferência, e consequente punição visavam, conjuntamente com as transferências de outros camaradas meus, designadamente do CIOE de Lamego, a desarticulação do sistema militar do Movimento do Norte. Chegado à Região Militar de Coimbra encontrei esta fora do controle do Movimento. Com a chegada de novos capitães resultantes das anteriores transferências, possibilitou-se a criação de circunstâncias favoráveis à adesão parcial ou total desta Região Militar ao Movimento das Forças Armadas. Elaborado o respectivo plano de acção, desencadeou, finalmente, o R.A.P. 3 pelas 3 horas do dia 25 de Abril 74, o levantamento militar e respectivo arranque em direcção a Peniche, e consequentemente marcha ulterior para Lisboa. As circunstâncias que precederam esta acção estão pormenorizadamente detalhadas no relatório apresentado pelo Cap. Fausto Almeida Pereira.

Relato a seguir sucintamente o trajecto da coluna.
Iniciado o levantamento militar com a detenção dos oficiais de serviço e com a prisão do Coronel Aires de Figueiredo por mim pessoalmente efectuada às 3 horas da manhã do dia 25 de Abril tratei Imediatamente de acordar o restante pessoal e activá-lo, Iniciativa francamente favorecida pelo trabalho de mentalização anterior a este dia. A saída da coluna do quartel já devidamente municiada e ainda organizada só foi possível com o clarear do dia dadas as dificuldades levantadas pela existência de uma profunda escuridão nesse dia. Contribuíram para este ligeiro atraso, a necessidade de arrombar paióis e a falta desesperada de quadros: os cabo milicianos não pernoitavam no quartel a adesão dos sargentos era duvidosa, a adesão dos oficiais do serviço geral era decerto negativa os oficiais milicianos pouco Informados dos pormenores operacionais que possibilitariam avaliar as possibilidades de êxito era parcial embora restassem poucas dúvidas sobre a boa vontade em aderir e o facto de sermos apenas dois capitães do Movimento neste quartel: Capitão de Artilharia Eduardo Diniz Leitão dos Santos Almeida e Capitão de Artilharia Fausto Almeida Pereira.
(1) No próprio dia 25Abr74, o Comando desta Unidade, ao ser Instado pelo Sr. Alf. Santos. oficial cripto do Regimento para definir via rádio a sua posição, acabou por ceder dando ordem para transmitir a adesão da Unidade ao M.F.A.; mas só em último lugar ... em último não que dá muito nas vistas; ... penúltimo .. penúltimo lugar é melhor ...
Este exemplo está longe de ser um acto isolado ..


Chegámos a Peniche cerca das 11 horas desse dia, e ficou assente que grosso da coluna devia seguir para Lisboa ficando em Peniche o Capitão Rocha dos Santos com uma companhia de Infantaria reforçada com duas secções de obuses comandadas pelo Asp. Monteiro. Chegados a Lisboa cerca das 17 horas, assistimos à imediata adesão do R.A.L. nº 1, para a qual não chegámos a contribuir, ficando pois o mérito desta adesão devido à própria Unidade e não à nossa chegada. Avançámos pelas ruas de Lisboa à espera de resistência que felizmente não viemos a encontrar. Posteriormente, a chuva, a falta de cobertores e abastecimentos. o cansaço dos homens e principalmente o facto de Já não ser necessária a nossa actuação,
Além do adiantado da hora, levaram-me a decidir proporcionar aos militares sob o meu comando um merecido e necessário repouso, a fim de permitir manter o grau de operacionalidades as circunstâncias impunham. Aquartelados no R.A.L. 1, limitámo-nos nos dias subsequentes a detenções de FACs e Gls. Sem mais acções de realce, ocupámos posteriormente o Quartel da Ex-Legião Portuguesa, tendo mandado recolher ao Quartel 3 baterias, ficando apenas com uma bateria operacional. Circunstâncias várias, entre as quais avultam diminutos efectivos presentes face a um grande número de serviços retiraram a esta Bateria de Intervenção o grau de operacionalidade anteriormente obtido. O número reduzido de homens do R.A.P. n.º 3 presentemente em serviço na Legião deve-se ao facto de ter mandado regressar à Unidade a maior parte dos militares da mesma, a fim de permitir o regular funcionamento da mesma, porque mesmo os que neste aquartelamento ainda se encontram, fazem falta ao regular andamento dos serviços, estando por Isso previsto o seu regresso em breve.



ANEXO AO RELATÓRIO
MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS - REGIAO MILITAR DE COIMBRA - REGIMENTO DE ARTILHARIA PESADA 3

RELATÓRIO

Encontrava-se esta unidade anteriormente a Março de 74 sem qualquer controlo por parte do M.F.A. conforme pude constatar nessa altura por ter para aqui sido transferido vindo do RAP 2. Embora nessa altura me encontrasse absolutamente identificado com o Movimento que se gerava entre alguns oficiais do Q.P. e do qual eu apenas tinha conhecimento através
"De reuniões, a que assistia em Luanda e de pequenos contactos com o Cap. Santos Almeida, não houve grande alteração na mudança de atitudes da Unidade já que ela era dominada pelo Comandante e por dois Majores. Encontrava-se nessa altura aqui em diligência o Cap. Rocha Santos de CICA que estava completamente fora do circuito e que só nessa .altura, com as demissões dos Gen. Costa Gomes e Spínola se mostrou Interessado em obter pormenores, tentando entrar dentro do assunto.
"No fim do mês de Março foi presente no RAP 3 o Cap. Diniz de Almeida que viria a ter grande influência no desenrolar das condições que tomaram possíveis as operações realizadas pelas Unidades constituintes do Agrupamento «NOVEMBER». Completamente Informado de todos os preparativos que se estavam a processar dia a dia em Lisboa, logo por ele Cap. Diniz de Almeida, foi posto ao corrente de todos os pormenores que me possibilitaram também a mim os contactos que achei necessários em Lisboa (Cap. Sousa e Castro (1) e Major Otelo). Ao mesmo tempo Iniciou também o Cap. Santos Almeida mentalização cuidada de oficiais e Sarg. Milic. das próprias praças. Tentámos abordar os Oficiais Superiores da Unidade com o máximo cuidado. Verificamos logo de seguida que tal não seria conveniente. Foi neste clima que se processaram os preparativos do RAP 3 para a manobra em que se Iria envolver na madrugada do dia 25 de Abril.
- Aos dois Cap. presentes na Unidade e aderentes ao MFA (Diniz de Almeida e Fausto Pereira) foram desde o início postas as maiores dificuldades em se ausentarem do quartel, em especial ao Cap. Diniz de Almeida, pois a mim isso só me afectava por tabela já que ninguém suspeitava das minhas actividades.


Assim, no dia 17 de Abril de 1974, dia que em Lisboa se efectuou a reunião da leitura da ordem de operações num apartamento situado na Rua Filipe da Mata, havia o Cap. Diniz de Almeida, que se encontrava de licença, sido mandado apresentar no quartel dando-lhe posteriormente a justificação de que durante aquele fim de semana ele andava a dizer mal dos seus superiores. A essa reunião tive eu que comparecer. Nela nada decidido sobre a actuação das forças do agrupamento NOVEMBER No RAP 3 apenas nós os dois não conseguiríamos tomar conta da Unidade e sair com uma força. No CICA 2 contava-se já nesta altura com a colaboração activa do Cap. Sousa Ferreira que tinha vindo transferido do CIOE de Lamego recentemente. Também ar o Cap. Rocha Santos mostrava estar Interessado em pôr-se em actividade. Para Isso pediu que lhe fosse mostrado o apoio dado ao Movimento pelo Cap. Ferreira, de Cavalaria, o que lhe foi concedido.
Trouxe como missão dessa reunião contactar em Coimbra (R.A.L. 2) com um Major que ali havia e que se sabia ter tentado falar anteriormente com o Major Otelo. Devia também, para ser possível tomar conta do R.A.P. 3, contactar com o Major Damasceno Borges, levando-o a Lisboa, assim como os do R.A.L 2, no fim-de-semana seguinte para nessa altura se definir concretamente a acção do agrupamento NOVEMBER. Foi portanto nesse reunião marcada uma outra a realizar pelas 17 horas do dia 21 tendo eu que confirmar pessoalmente ao Capitão Sousa e Castro, em 20, a presença dos oficiais que Iria tentar levar a esta reunião.
No final da reunião do dia 17 transportei o delegado do R.I. 14, Capitão Ramalho a Coimbra combinando que no dia 22 eu me deslocaria a Viseu transmitindo o que ficasse resolvido na reunião do dia 21. Ao regressar à Figueira da Foz (em 180400) pus ao corrente, do que se havia tratado na reunião, o Capitão Dinis de Almeida que alegremente me disse ter também notícias muito boas a dar-me. Havia-se deslocado a Aveiro nesse dia tendo entrado em contacto com o Capitão Pizarro do R.1. 10, recentemente para ali transferido do C.I.O.E., e com o Capitão Ferreira da Cal da E.C.S. (Águeda). Neste contacto, que posteriormente viria abrir completamente o optimismo na participação do R.A.P. 3, do C.I.C.A. 2 e portanto de todo o Agrupamento NOVEMBER no M.F.A., houve a promessa de que uma companhia do R.1. 10 comandada pelo Capitão Pizarro estava pronta a marchar para onde fosse necessário e que (o mais Importante) cerca de oito oficiais da E.C.S. estavam disponíveis e dispostos a juntar-se a qualquer força onde eles fossem necessários. Tornava-se assim dispensável a colaboração do Major Damasceno Borges caso ele não quisesse colaborar activamente.




- Na quinta-feira, dia 18, à tarde com o Capitão Dinis de Almeida dirigi-me a Coimbra, entrando em contacto com o Capitão Pereira da Costa (R.A.L. 2) que sabíamos de confiança. Pôs-nos a par da situação do R.A.L. 2 e das suas possibilidades, dando-nos a indicação de que poderíamos contactar sem problemas o Major. Figueira ou o Major Leste Henriques daquela Unidade. Dirigindo-nos ao R.A.L. 2 e através do oficial de dia conseguimos a morada do Major Figueira onde nos dirigimos e a quem expusemos a razão da nossa presença. Prometeu-nos ir a Lisboa na tarde do dia 21 (domingo) à reunião combinada. Regressámos à Figueira da Foz onde no dia seguinte (19, sexta-feira) contactei o Major Borges no C.I.CA. 2 para onde ele havia sido transferido. Mostrou-se colaborante chegando mesmo a dizer-me que Iria a Lisboa se conseguisse transporte no dia Indicado. Pedi-lhe para telefonar para o Major Figueira ver se ele o poderia levar passando por esta localidade. Assisti ao telefonema. O Major Figueira Iria de comboio e portanto essa hipótese não era possível. Disse-me entretanto que caso (seria o mais viável) não pudesse Ir eu poderia dizer ao Major Figueira que ele pusesse todas as dúvidas no seu lugar e que depois lhas transmitisse aqui na Figueira da Foz. Com todos estes dados eu e o Capitão Dinis de Almeida regressámos a Lisboa no fim-de-semana (dia 19 à tarde).

(1) O Cap. Sousa e Castro fez um excelente trabalho de ligação para o 25 de Abril.
As suas ligações para connosco efectuavam-se sob o pseudónimo de Engenheiro Silva e
Costa.
- No dia 20 de manhã dirigi-me à residência do Capitão Sousa e Castro, na Amadora. a fim de lhe dizer o que se passava confirmando portanto a reunião do dia seguinte. O Capitão Sousa e Castro não se encontrava em casa tendo-me dito que havia ido meter gasolina. Dirigi-me à O.G.M.E. onde o encontrei e lhe transmiti o que havia conseguido. No dia seguinte, 21 de Abril de 74, encontrei-me, eram 17 horas, à porta do «Drugstore» Apollo Setenta com o Major Figueira que levei ao local anteriormente combinado (o apartamento já atrás referido). Chegados a esse local vários camaradas ar se encontravam lá. Entre eles o Capitão Dinis de Almeida e Sousa e Castro. Foi-nos então dito que devido a medida de decepção havia o local da reunião sido alterado realizando-se em determinado local da rua Luciano Cordeiro. Para lá nos dirigimos e aí finalmente se acertaram os pormenores.




Eu iria a Aveiro no dia seguinte (neste dia o Capitão Dinis de Almeida entrava de serviço ao. R.A.P. 3) já que, embora tivesse combinado ir a Viseu, esta unidade sairia mesmo desconhecendo os pormenores. Em Aveiro veria as possibilidades da sarda da companhia de que tinha notícias através de Dinis de Almeida. Contactaria também com os Oficiais de Águeda a fim de os mesmos se juntarem a Aveiro, ao C.I.C.A. 2 e ao R.A.P. 3 quando. necessário.
-Entretanto o Capitão Sousa Ferreira (C.I.C.A. 2), vindo de fim-de-semana de Lamego contactou com o R.I. 14 tendo ficado assente uma reunião com eles em Coimbra na noite do mesmo dia 22 de Abril de 1974. Ao ter conhecimento do facto pedi-lhe para lhes transmitir as informações que eu tinha e que se me fosse possível eu Iria também a Coimbra com os camaradas de Aveiro e Águeda a fim de efectuar uma reunião conjunta tendo combinado. o possível encontro no Café Internacional até às 23 horas. Caso eu não aparecesse até essa hora a reunião efectuar-se-ía sem a nossa presença. Chegados a Aveiro contactei em primeiro lugar com o Capitão Ferreira da Cal que vive nesta cidade. Expus-lhe ao que vinha. Tentámos encontrar o Capitão Pizarro não nos tendo sido possível esse encontro.
- Com o Capitão Ferreira da Cal dirigi-me a Águeda tentando entrar em contacto com outros Oficiais da E.C.S. Aqui foi-nos possível contactar o Capitão Góis Moço e o Capitão L. Coutinho os quais seguiram connosco para Coimbra tentando chegar a tempo à reunião combinada. Chegou-se a Coimbra eram 23 horas e 5 minutos e com grande alívio nosso ainda o R.I. 14 e o C.I.C.A. 2 aí se encontravam à nossa espera. Fez-se a reunião ao ar livre. Junto ao rio Mondego do lado do campo Universitário. Aí pus ao corrente dos objectivos que pretendiam e de mais pormenores que me pediram os vários camaradas menos Informados e de que eu tinha conhecimento. Entretanto pedi opinião acerca da possível saída da Companhia do R.I. 10 depois, digo pois dada a ausência do Capitão Plzarro não podia ultimar aquele pormenor. Houve uma reacção geral pessimista o que me preocupou mas dado que quer Aveiro saísse quer não em nada afectaria o andamento geral do Movimento o problema ficou resolvido. Pedi entretanto ao Capitão Ferreira da Cal que contactasse com o Capitão Pizarro em Aveiro para ele se deslocar à Figueira da Foz e me pôr ao corrente do que se passava. no dia seguinte. Combinou-se também nessa reunião as deslocações dos Oficiais de Águeda para as diferentes Unidades. Um ficaria com o Capitão Pizarro caso este saísse com a Companhia. Um viria para o C.I.C.A. 2 e três viriam para o R.A.P. 3. Sairiam de Águeda à hora E se ouvissem a sua confirmação. Dado que se deslocariam em viaturas civis chegariam multo antes da coluna militar caso ela viesse. A partir daquele momento todos entravam de prevenção à espera do possível contacto para a transmissão da hora E.

-Em 23 de Abril de 74 o Capitão Dinis de Almeida deslocou-se a Lisboa a fim de se aplresen1tar no tribunal onde fora chamado. À tarde chegou à Figueira da Foz o Capitão Pizarro que me expôs a sua situação. A Companhia com que contava encontrava-se em exercícios no campo não me podendo garantir a sua arrancada. Caso lhe fosse possível poderíamos contar com ele. Senão pudesse arrancar com a coluna viria só, juntar-se a nós. Ninguém até esta altura, dentro do Aquartelamento do R.A.P. 3, estava a par do que se planeava. O Capitão Dinis de Almeida havia Iniciado uma campanha de mentalização cuidada entre os seus recrutas. Recordo, por exemplo os versos de António Aleixo que em uníssono ele encorajava a cantar:
«Vós que lá do vosso Império
Prometeis um mundo novo,
Calai-vos, que pode o povo
Qu'rer• um mundo novo e sério»
«Que importa perder a vida
em luta contra a traição,
se a Razão mesmo vencida,
não deixa de ser Razão?»
No dia 25 de Abril à hora prevista, é tomado o Regimento após terem sido avisados os camaradas da E.C.S. que lá fora aguardavam desesperados desde a 1 hora. Eram 3 horas e 40 minutos chega a altura de Aveiro. Chegava antes da hora prevista e Isso ía alterar os planos por nós traçados anteriormente. O movimento gerado la acordar o Cor. Aires de Figueiredo e o Major Malaquias que nesta altura ainda não sabíamos que não se encontravam a dormir no quartel. Imediatamente o Cap. Diniz de Almeida se dirigiu à messe de oficiais. Já o comandante se levantara e se dirigia para o quartel. Foi Intimado a render-se tendo então sido detido. Teve que se aguardar a saída dos presos da prisão do quartel e limpeza da mesma para nela se meter provisoriamente o Cor. Figueiredo. Logo que foi possível foi transferido para o seu quarto dando-lhe toda a liberdade que na altura era aconselhável. Quando deu entrada na prisão apresentou-me voluntariamente uma pistola que trazia no bolso.



- Todos os oficiais e sargentos milicianos bem como os praças presentes no quartel aderiram imediatamente e se colocaram inteiramente à nossa disposição. A coluna de Aveiro entrou para o quartel aguardando a preparação da coluna do R.A.P. 3 e a chegada da coluna do C.I.C.A 2 e do R.1. 14. Entretanto assumia o Comando do R.A.P. 3 o Capitão Ferreira da Cal, como oficial mais antigo, que juntamente com o Cap. Moço e Ten. Garcia haviam vindo de Águeda. A coluna foi formada rapidamente; a colaboração de todos foi admirável. Do R.A.P. 3 saíram 6 bocas de fogo 10,5 cerca de 300 homens transportados em 40 viaturas. A coluna do C.I.C.A. 2 entrou no R.A.P. 3 pelas 6 horas. Esperava-se pela do R.1. 14 que não chegara ainda. Pelas 7 horas saiu a coluna em direcção a Leiria e um quarto de hora depois aparecia do R.1. 14 que se lhe foi juntar no percurso. Constituiu-se assim o -Agrupamento NOVEMBER- com cerca de 60 viaturas e mais de 500 homens.
- A partir desta altura a vida da unidade decorreu normalmente sem os oficiais superiores que entretanto ficaram em casa bem como a grande maioria dos restantes oficiais e sargentos do O.P. A porta de armas manteve-se fechada. O pessoal que seguiu na coluna com os objectivos de Peniche e Lisboa permaneceu na capital sendo substituído em 27/4 por uma outra bateria que continuou sob o comando do Cap. Dínlz de Almeida.
- Destacava-se além da grande actividade desenvolvida pelo Cap. Diniz de Almeida que deverá ser analisada a nível superior, a dedicação que o aspirante Mil. Matos pôs nas tarefas que lhe confiei sendo de uma voluntariedade admissível e digna de ser realçada sua actividade teve grande Influência para o excelente desencadeamento da manobre que se Iniciou na Figueira da Foz. Poderei ainda mencionar o Asp. Mil. Borges pela excelente colaboração que me prestou. O 1º cabo Mil. Vitorino foi também muito Influente na boa concretização dos pormenores prontificando-se a dormir sempre no quartel desde que eu lho ordenei embora tivesse quarto fora. Poderia mencionar ainda o nome de todos os militares que comigo colaboraram nos preparativos da coluna e ainda os que abnegadamente fizeram alguns serviços seguidos sem nunca por Isso terem manifestado o mais leve desagrado.
Figueira da Foz, 1 de Maio de 1974.
FAUSTO ALMEIDA PEREIRA,
Cap. de Artilharia

Os Cap. Ferreira Cal, Moço, Martelo e o Ten. Garcia que, vindos do ECS se iriam juntar ao RAP3 levantam suspeitas. Os Cap. Diniz de Almeida e Almeida Pereira alertadas iniciam o plano de controlo da unidade. O Cap. Diniz de Almeida detem os oficiais sublternos milicianos e o Comandante da Unidade Cor. Aires de Figueiredo. O Cap. Almeida Pereira dá entrada aos oficiais vindos do ECS.

02h30 - REGIMENTO DE INFANTARIA 10 (RI10).
Imagem
Comandada pelo Cap. Pizarro sai de Aveiro uma coluna para se juntar ao RAP3 da Figueira, formando o Agrupamento Norte.

02h50 - E.P.A.M. Escola Prática de Administração Militar (EPAM). Imagem
Sai uma coluna com duas viaturas ligeiras e três pesadas, com um efectivo de cerca de 100 homens armados de G3 e com metralhadoras Bren e lança granadas foguete, comandados pelo Cap. Teófilo Bento. - Missão: Penetrar e dominar os estúdios da RTP no Lumiar, prevendo a hipótese de cerco. Na unidade ficam os Cap. Gaspar, Jesus, Félix Pereira, Tenente Ávila.

03h00 - B.C.5 Batalhão de Caçadores 5 em Lisboa (BC5)
Imagem
As 2 Companhias Operacionais iniciam marcha apeada e saem pelo portão da Marquês da Fronteira. A 1.ª C.ª Operacional, sob o Comando do Cap. Beatriz é iniciado o cerco e instalação em redor do Quartel General da Região Militar de Lisboa em S. Sebastião (QGRML). A 2.ª C.ª Operacional, sob o Comando do Ten. Mascarenhas isola e assegura a protecção da área dos estudios do Rádio Clube Português (RCP). O Maj. Fontão estabelece contacto com os elementos da Força Aérea que entraram nos estudios da RCP ficando a situação sob controlo. De seguida o Maj. Fontão desloca-se para junto da 1.ª C.ª Operacional.

03h00 - E.P.A. Escola Prática de Artilharia - Vendas Novas (EPA)
Imagem
Saida da unidade com as seguintes missões: BTR 8.8 - Ocupar posições junto ao Cristo-Rei em Almada por forma a bater em tiro directo qualquer coluna que atrvessasse a Ponte ou qualquer navio no estuário do Tejo. Bater eventuais objectivos em Lisboa (Terreiro do Paço ou Monsanto). BTR 10.5 - Montar segurança externa à unidade e controlo de vias de comunicação. Companhia Art. Motorizada - Montar segurança à BTR 8.8 em Almada e controlo de acesso à Ponte sobre o Tejo.

03h00 - C.CAÇ. 4241 E 4246. Companhia de Caçadores 4241 e 4246 do Campo de Instrução Militar de Santa Margarida. Imagem
Código: Seleccionar todos
C. CAÇ. 4241
RELATÓRIO DE 25 DE ABRIL DE 1974

1 - Reunião no dia 18 de Abril, em casa do Major Otelo Saraiva de Carvalho, com todos os oficiais da Zona Centro que tinham operações a realizar.
- Aí foi-me definida a missão a cumprir: ocupação das antenas do R.C.P. no Porto Alto (Vila Franca de Xira).
- Era necessário deslocar-me até lá para estudo todos os pormenores, o que fiz no dia seguinte e na 2.ª feira dia 22.
2 - Em Santa Margarida, o contacto de confiança era com o Cap. Rosário do Batalhão de Engenharia 3. Entrei de imediato em contacto com ele, assim como com o Cap. Cardoso. Fizemos uma reunião para definir tarefas
a) O Cap. Rosário ficou encarregue de arranjar munições, alimentos (preparando o assalto à manutenção) e até arames para se pôr os Unimogs em andamento. Ficou também de entrar em contacto com a EPE para eles nos fornecerem mais munições e coordenar o ponto de encontro (que ficou na Ponte da Golegã;
b) O Cap. Cardoso ficou encarregue de arranjar viaturas;
c) E eu, Tenente Luís Pessoa, fiquei encarregue de entrar em contacto com os outros Tenentes (que estavam a comandar companhias nessa altura em St.• Margarida) - Ten. Santos Jorge, Ten. Soares, Ten. Leitão de Castro, Fernando de Castro, Ten. Cunha, Ten. Sá, Ten. Amado e Ten. Anderssen (que já tinha também missão definida - ocupação da Ponte de Vila Franca - e que acabou por sair comigo, no dia 25).
3 - Havia também contactos com o Asp. que comandava o pelotão da P.M., a fim de ele nos facilitar a saída.
4 - Dia 24 às 14 horas - Recebemos, em St.ª Margarida, a hora H e os sinais combinados, para serem ouvidos pela rádio. - Com o pouco tempo disponível, ultimámos os preparativos. - O problema maior, era o das viaturas. Ainda por cima, o Cap. Cardoso não se encontrava em St.ª Margarida. - Este problema foi resolvido com a ajuda do Ten. Amado e Ten. Sá.



5 - Acontecimentos estranhos em St.ª Margarida, na tarde de 24.
a) O Batalhão do Ten. Santos Jorge, Soares e Leitão de Castro recebe ordens para entregar todo o material, e partir nesse mesmo dia para casa. Estes 3 oficiais ficaram toda a noite retidos numa sala, debaixo de vigilância do Major 2.° Cmdt. - De assinalar que o Ten. Santos Jorge e Soares eram os batedores, respectivamente, da minha Companhia e da do Ten. Anderssen;
b) Ao fim da tarde, e por ordem do Comando, o pelotão de P.M. executa exercícios especiais de alerta. - Estes 2 acontecimentos fizeram com que os cuidados nos preparativos redobrassem.
6 - Ouvidos os dois sinais, na rádio, executam-se todas as operações, sem o menor incidente. Já a caminho, mas ainda dentro do Campo de St.ª Margarida, tivemos dificuldade em obter rações de combate e viemos somente com sacos de pão, depois de ter apontado a pistola ao soldado que os guardava e que não os queria ceder. A maior dificuldade é que por inexperiência dos condutores, a maioria das viaturas vinham sem luzes, tendo o Cap.Rosário, de vir com o seu carro civil no meio da coluna, de faróis acesos, de notar que a saída de St.ª Margarida não se fez pela Porta de Armas principal mas sim por uma lateral, por questões de segurança e teve que se fazer um trajecto de 4 ou 5 quilómetros pelos pinhais.
7 - Na ponte de Golegã, encontrámos já à nossa espera, há bastante tempo, a EPE. - Forneceram-nos 300 munições (tinham trazido quase todo o paiol da Escola).- Como existiam oficiais de patente superior à minha, disse para um deles tomar o comando da coluna até ao Porto Alto. A resposta obtida foi: -Vais tu a comandar pois és o operacional - A viagem até ao Porto Alto, fez-se sem problemas de maior, e aí, deu-se a separação. A outra companhia saída de St.ª Margarida e a EPE seguiram caminho, a 1.ª de Vila Franca e a 2.ª de Lisboa. - A minha Companhia - CCAÇ. 4241 - seguiu então sozinha para as antenas do RCP, no Porto Alto.
8 - Depois do cerco ao edifício feito sem problemas, o responsável civil saiu e veio falar comigo. Expliquei-lhe a situação disse para ele estar calmo e não ter problemas nem receio. Ele comunicou-me então que esperava um telefonema de Lisboa, do Sr. Botelho Moniz, para, quase de certeza, ele cortar a emissão de Lisboa, já nas mãos do Movimento. - Perguntei-lhe como é que ele faria para cortar a emissão. Este senhor, minuciosa e prontamente, me informou das operações que tinha de realizar para cortar a emissão. - Depois desta explicação, comuniquei-lhe, que a presença da Companhia se destinava precisamente a evitar o corte da emissão.

9 - Por volta das 07:30 / 08:00 horas recebi de facto o tal telefonema, de Lisboa, do Sr. Botelho Moniz, a mandar cortar a emissão. Disse-lhe que não, pois o edifício já estava ocupado pelas F. A.,. etc. - Ele então perguntou-me de que quartel eu vinha e qual o meu nome. Não lhe respondi. - Perguntou-me em seguida, se o chefe do Movimento era o General Spínola. Disse-lhe que o Movimento era essencialmente de Capitães e Majores, e que, eu pessoalmente, não sabia da existência de chefes.
10 - Depois deste telefonema, o único momento difícil, foi quando avistámos na estrada alcatroada, dezenas de viaturas militares, cheias de soldados que se dirigiam para as antenas. Pensámos o pior, e imediatamente nos preparámos para resistir. Respirámos fundo, no entanto, quando avistámos os lenços amarelos, que os «engenheiros» traziam ao pescoço. - Tinham recebido ordens, para voltarem para trás, e virem reforçar a defesa das antenas do R.C.P.
11 - Todo o tempo - 25 e 26 - decorreu sem problemas, sendo no entanto de realçar o extraordinário apoio recebido quer dos funcionários do R.C.P. quer das suas famílias.
12 - Regresso, dia 26 à noite, a St. Margarida. No dia 27, o Cor. Craveiro Lopes que tinha assumido o Comando do campo, manda-me chamar, e dá-me a seguinte reprimenda: - Que eu tinha realizado uma «desinfiltração» (!), que tinha sido desleal para com o anterior comando, por nada ter comunicado (!), que tinha cometido actos de indisciplina por ter saído sem ordens superiores e ainda por cima com viaturas que não me tinham sido distribuídos e que a minha sorte era que o Movimento tinha saído vitorioso. Isto a 27 de Abril (1).
13 - Desloquei-me de imediato a Lisboa, narrei esta conversa ao Cap. Vasco Lourenço e no dia seguinte o Cor. Craveiro Lopes abandonou o Comando do Campo.
14 - Esta foi a participação de CCAÇ. 4241 e a minha, no 25 de Abril de 74.
Luís Pessoa, Cap. Mil.

Missão - Ocupar e defender as antenas do Rádio Clube Português em Porto Salvo e defender a Ponte Marechal Carmona em Vila Franca de Xira. As Companhias eram Comandadas pelo Cap. Mil. Luis Pessoa e pelo Tenente Anderssen. Depois de apoios vários de ordem logística, nomedamente por parte do Cap. Rosário e do Cap. Cardoso, as Companhias saem com enormes dificuldades pois o pessoal era muito inexperiente, sobretudo os condutores.

03h00 - CENTRO DE INSTRUÇÃO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS (CIOE). LAMEGO Imagem
O Comandante, Ten.Cor. Sacramento Marques dá ordem de saída a uma Companhia de Comandos em final de instrução, comandada pelo Cap. Delgado da Fonseca. - Missão: Conquistar e ocupar a delegação no Porto da PIDE/DGS. Esta missão iria ser alterada no sentido de reforçar o CICA1 que constituia o Posto de Comando alternativo no Norte.

03h00 - POSTO DE COMANDO NO NORTE.
Imagem
Comandando uma força do CICA1 o Ten.Cor. Carlos Azeredo, coadjuvado pelos Maj. Corvacho e Albuquerque, pelo Cap. Boaventura Ferreira, Alferes Mil. Barbosa, penetram no Quartel General da Região Militar do Norte. Estabelecem o Posto de Comando no Norte.

03h16 - POSTO DE COMANDO (PC). Imagem
Através de um telefonema entre o Ministro da Defesa, Dr. Silva Cunha e o Ministro do Exército Gen. Andrade e Silva, interceptado pela EPT, o PC fica a saber que áquela hora o Regime não tinha conhecimento do desenrolar das acções, o que foi recebido com júbilo no PC.

03h20 - E.P.C. Escola Prática de Cavalaria de Santarém (EPC) Imagem
Todo o pessoal se encontrava equipado, armado e municiado com duas rações de combate por homem.

03h30 - E.P.C. Escola Prática de Cavalaria de Santarém (EPC) Imagem
A coluna sai em direcção a Lisboa sob o Comando do Cap. Salgueiro Maia, com a Missão de se instalar em Lisboa e controlar os acessos ao Banco de Portugal, Companhia Portuguesa Rádio Marconi e Terreiro do Paço. A coluna era composta por um Esquadrão de Reconhecimento a 10 Viaturas Blindadas e um Esquadrão de Reconhecimento a 160 homens com 12 viaturas de transporte, 2 Ambulâncias e 1 Jeep.

03h30 - B.C.5 Batalhão de Caçadores 5 (BC5). Imagem
Termina o cerco ao Quartel General da Região Militar de Lisboa (QGRML). O Cap. Bicho Beatriz concede ao Oficial de Serviço, Aspirante Silva uma hora para se render.

03h30 - FORÇAS DO REGIME. Imagem
O Comandante da PSP do Porto, Cor. Santos Júnior toma conhecimento da ocupação do Quartel General da Região Militar Norte. Comunicação imediata para o Comando da GNR.

03h32 - B.C.5 Batalhão de Caçadores 5 (BC5). Imagem
O dispositivo de segurança em torno do Rádio Clube Português (RCP) está em posição. O Grupo n.º 10 comandado pelo Maj. Costa Neves e constituído entre outros por, Maj. Campos Moura, Cap. Santos Coelho, Cap. Pombinho, Cap. Santos Coelho, entram no RCP que é ocupado sem incidentes. O Cap. Santos Coelho liga para o PC e comunica: "MÉXICO ocupado sem incidentes". O RCP passou a integrar o PC.

03h45 - GUARDA NACIONAL REPUBLICANA - FORÇAS DO REGIME. Imagem
Batalhão n.º 4 da GNR no Porto entra em prevenção rigorosa. O Comandante Geral da Guarda Nacional Republicana, Gen. Adriano Augusto Pires, contacta o Comandante do Batalhão para que entre em contacto com os Comandos da PSP do Porto e do Batalhão de Cavalaria n.º 6 Porto (RC6) no sentido de tomar uma acção de força contra o Quartel General da Região Militar do Norte em poder do MFA. O Comandante e 2.º comandante do RC6 respectivamente, Tenente Coronéis Arriscado Nunes e Martins Rodrigues, não só recusam como aderem ao Movimento.

03h45 - REGIÃO MILITAR DE LISBOA. Imagem
O Aspirante Silva, após receber o ultimato da força do BC5, liga para o Chefe do Estado-Maior do QG, Coronel Duque, comunicando a situação. O Coronel Duque informa o Comandante Militar, General Edmundo Luz Cunha que dá ordem de prevenção rigorosa às unidades da RML. O Aspirante Silva informará as unidades da prevenção. O próprio Coronel Duque ligará para as unidades confirmando a ordem.

03h50 - CAMPO DE TIRO DA SERRA DA CARREGUEIRA (CTSC). Imagem
A Força chega aos estúdios da Emissora Nacional (EN), desarmando os guardas da PSP, que não oferecem resistência. O Cap. Frederico de Morais liga para o PC e comunica: "Informo ocupamos TÓQUIO sem qualquer incidente".

03h55 - R.I.14 Regimento de Infantaria 14 - Viseu (RI14) Imagem
Sai uma Companhia de Caçadores auto-transportada em viaturas pesadas sob o Comando do Cap. Costeira, dirigindo-se para a Figueira da Foz onde irá integrar o Agrupamento November. Seguia igualmente o Cap. Gertrudes da Silva que iria Comandar aquele agrupamento. O Cap. Aprigio Ramalho assume o Comando da Unidade.

03h59 - E.P.A.M. Escola Prática de Administração Militar (EPAM). Imagem
A coluna comandada pelo Cap. Teófilo Bento entra na RTP, na Alameda das Linhas de Torres, desarma os guardas da PSP, ocupa as instalações e monta o dispositivo de defesa. O Cap. Teófilo Bento liga para o PC e comunica: "Acabamos de ocupar MÓNACO sem incidentes".
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Re: 25 de Abril - as operações militares

Mensagempor Viriato » Sábado 26 Abril 2008, 13:43

04h00 - Imagem GRUPO L 34 Grupo L34.
O Coronel Romeiras sai de casa no seu automóvel deslocando-se a alta velocidade logrando despistar os elementos do L34. Estes oficiais apresentaram-se de seguida no Posto de Comando na Pontinha.

04h00 - Imagem C.CAÇ. 4241 E 4246. Companhia de Caçadores 4241 e 4246 do Campo de Instrução Militar de Santa Margarida.
As Companhias encontram-se na Ponte da Golegã com a Coluna da Escola Prática de Engenharia de Tancos, que já a esperava há algum tempo e entregam-lhe munições. A Coluna, agora constituída pelas três unidades, seguiu até Porto Salvo tendo-se separado e seguido para cada um dos objectivos: - C.Caç 4241- Antenas do RCP em Porto Salvo; - C.Caç 4246 - Ponte Marechal Carmona em V.Franca de Xira; - EPE - Lisboa Casa da Moeda.

04h00 - Imagem B.C.5 Batalhão de Caçadores 5 (BC5).
É enviada uma força para a residência do General Spínola.

04h00 - Imagem ESCOLA PRÁTICA DE INFANTARIA (EPI).
A coluna comandada pelo Cap. Rui Rodrigues chegue ao AB1, no interior já se encontrava o Cap. Costa Martins que, em antecipação informara o Oficial de Dia que o aeródromo se encontrava cercado e quais os objectivos do Movimento. A PSP, Guarda Fiscal, DGS são desarmados e detidos. A cabine de som e os depósitos de combustiveis são ocupados. O Cap. Costa Martins sobe à torre de controlo com alguns homens armados e ordena a emissão de um comunicado NOTAM: Interdição do espaço aéreo português e o desvio do tráfego para Madrid e Las Palmas. Nenhum avião tem ordem para aterrar ou decolar, nem mesmo os militares nas bases aéreas. Às 04:25 o Cap. Rui Rodrigues liga para o PC e informa: "Informo NOVA IORQUE foi ocupada e encontra-se sob controlo".

04h00 - Imagem E.P.A.M.
Escola Prática de Administração Militar (EPAM). Pelas 04:00 são observadas movimentações em torno dos estúdios da RTP por parte de elementos da PSP e da DGS. São avisados que devem retirar, como não obedeceram é dada a ordem para efectuar rajadas de G3 para ao ar. A PSP retira, não voltando a causar mais problemas.


04h00 - Imagem FORÇAS DO REGIME.
O Gen. Edmundo da Luz Cunha telefona para o CEMGFA, seu irmão e para os Ministros do Exército, Marinha e Defesa e também para o Chefe de Esatdo Maior da Força Aérea, respectivamente General Andrade e Silva, Almirante Pereira Crespo, Dr. Silva Cunha e General Brilhante Paiva. A todos dá conhecimento da eclosão do Movimento.

04h15 - Imagem FORÇAS DO REGIME.
O Comandante da Região Militar Norte, Gen. Martins Soares, tenta mobilizar os Comandantes dos RI8 e RI13 para avançar contra Quartel General da Região Militar do Norte sem sucesso, pois os Oficiais recusam-se a actuar contra o Movimento.

04h25 - Imagem POSTO DE COMANDO (PC).
A esta hora os principais objectivos estão tomados ou sob controlo. Outras forças do movimento deslocam-se para os seus objectivos. Consumada a ocupação do Aeroporto de Lisboa pode ser dada ordem para os elementos do PC no Rádio Clube Português transmitissem o 1.º Comunicado do MFA.

04h26 - Imagem PC - RÁDIO CLUBE PORTUGUÊS. Imagem
É dada ordem para ser transmitido o primeiro comunicado (que pode ouvir aqui).
Foi com emoção que em todo o País centenas de militares ouviram pela voz de Joaquim Furtado o primeiro de vários comunicados que haviam sido redigidos pelo Maj. Vitor Alves. Estava previsto que os comunicados seriam lidos pelo Maj. Costa Neves, no entanto, Joaquim Furtado, locutor de serviço ao RCP, ao saber das intenções do Movimento de imediato se prontificou para o fazer. No comunicado pede-se para que a população se mantenha calma e apela-se à classe médica para ocorrer aos hospitais.

04h30 - Imagem B.C.5 Batalhão de Caçadores 5 (BC5).
Quartel General Região Militar de Lisboa (QGRML). O Quartel General Região Militar de Lisboa (QGRML) é ocupado por forças do BC5. O regime perde um importante instrumento de comando, controlo e ligação entre unidades na área de Lisboa. O Maj. Fontão comunica pessoalmente para o PC: "CANADÁ foi ocupado sem incidentes".

04h30 - Imagem R.C.3 Regimento de Cavalaria 3 (RC3)
Às quatro horas e trinta o Comandante, Cor. Caldas Duarte, adere ao Movimento. Iniciam-se de imediato os preparativos para a saída da coluna.

04h30 - Imagem REGIMENTO DE ARTILHARIA LIGEIRA 1- LISBOA (RAL1)

Recebida a ordem de prevenção rigorosa. De imediato é accionado o plano de recolha de oficiais, sargentos e praças. O comandante da unidade, Coronel Almeida Frazão, embora não seja um homen do regime só irá aderir francamente ao Movimento após as 18:00. Receberá ordens directas do Ministro do Exército e do Chefe do Estado Maior do Exército para reconhecimento do Aeroporto com vista à sua libertação e para controlar as entradas e saídas da Auto-Estrada do Norte. Na Unidade irá permitir aos oficiais do Movimento actuar, assim: é enviado um contacto ao Cap. Rui Rodrigues (EPI) que estava a defender o Aeroporto, informando-o que mesmo que a bateria saísse ela o faria às ordens do Movimento. Sai um piquete para a Auto-Estrada com ordens favoráveis ao Movimento.

04h45 - Imagem PC - RÁDIO CLUBE PORTUGUÊS.

É lido o segundo comunicado do MFA. É dada especial atenção às Forças de Segurança a quem se aconselha actuação prudente, e avisam-se todos os comandos que levem os subordinados a actuarem contra as Forças do MFA que serão severamente punidos. A partir deste comunicado que já se encontrava redigido, o Ten.Cor.Lopes Pires passou a elaborar novos textos de acordo com evolução dos acontecimentos. A emissão prossegue com canções de luta, algumas delas há muito proibidas ouviram-se: José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Luís Cília, José Mário Branco.
Código: Seleccionar todos
TEXTO
Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.

A todos os elementos das forças militarizadas e policiais o comando do Movimento das Forças Armadas aconselha a máxima prudência, a fim de serem evitados quaisquer recontros perigosos.

Não há intenção deliberada de fazer correr sangue desnecessariamente, mas tal acontecerá caso alguma provocação se venha a verificar. Apelamos para que regressem imediatamente aos seus quartéis, aguardando as ordens que lhes serão dadas pelo Movimento das Forças Armadas. Serão severamente responsabilizados todos os comandos que tentarem, por qualquer forma, conduzir os seus subordinados à luta com as Forças Armadas


04h45 - Imagem REGIÃO MILITAR DE COIMBRA.

Às 04:45 é dado o alarme no Quartel-General da Região Militar de Coimbra. Depressa se apercebem que as unidades estão quase todas nas mãos do Movimento. Passam a ser feitos contactos directos para casa dos Comandantes das Unidades.

05h00 - Imagem C.CAÇ. 4241 E 4246. Companhia de Caçadores 4241 e 4246.
A Companhia 4241 ocupa e defende as antenas do RCP em Porto Alto.Imagem
A Companhia toma posição na Ponte Marechal Carmona em V.Franca de Xira.

05h00 - Imagem FORÇAS DO REGIME.
Apesar da a esta hora já vários responsáveis militares e governamentais estarem ao corrente do Movimento militar é Silva Pais (Director da PIDE/DGS) que telefona ao Presidente do Conselho Marcelo Caetano informando: "Senhor Presidente, a Revolução está na rua! O caso é muito grave. Os revoltosos ocuparam já as principais emissoras de rádio e a Televisão e tomaram o Quartel General da Região Militar de Lisboa. Caçadores 5 está com eles. " Pouco depois em novo telefonema Silva Pais recomenda: "É indispensável que V.Exa. saia de casa com a maior urgência. Vá para o quartel do Carmo que a GNR está fixe."

05h00 - Imagem REGIMENTO DE CAVALARIA 7 - FORÇAS DO REGIME
O Coronel Romeiras Júnior, comandante de Cavalaria 7, está no Gabinete do Ministro do Exército, dando ordens para o seu regimento, Major Pato Anselmo, para preparar os Carro de Combate para sair.

05h05 - Imagem R.I.14 Regimento de Infantaria 14 (RI14).
O comandante da Unidade, Coronel Almeida Azevedo, chega à porta de armas e é informado pelos Cap. Ramalho e Amaral da situação da unidade e da saída de uma coluna há cerca de uma hora. Não aderindo ao Movimento é-lhe negada a entrada no quartel, regressando a sua casa.

05h15 - Imagem PC - RÁDIO CLUBE PORTUGUÊS.

É transmitido o terceiro comunicado do MFA. São renovados os apelos dos comunicados anteriores.

05h15 - Imagem REGIÃO MILITAR DE ÉVORA.
Perante as ordens determinantes de Lisboa ,a Região Militar de Évora, sem saber o que se passa, o Chefe de Estado-Maior do QG Coronel Cunha Saco ordena a prevenção rigorosa. Mais tarde o Comandante interino, Brigadeiro Carrinho também comparece no QG.

05h27 - Imagem FORÇAS DO REGIME.

Intercepção de Comunicações (EPT) O Ministro do Exército, dá ordem ao Regimento de Infantaria 6, para cortar todas as ligações ao Porto. A ordem não viria a ser cumprida pelo Comandante, Cor. Passos Esmoriz que viria a assumir o cargo de Comandante da Região Militar do Norte à ordem do MFA.

05h30 - ImagemR.A.P. 3 Regimento de Artilharia Pesada 3 - Figueira da Foz (RAP 3)
Entra na unidade a Companhia do RI10 Aveiro sob o Comando do Cap. Pizarro e mais tarde a Companhia do CICA2 comandada pelo Cap. Rocha Santos. O dispositivo da RAP3 em aprontamento era constituído por: - Uma Bateria de seis bocas de fogo 10.5 e duas Companhias de Instrução, num total de cerca de 300 homens transportados em 40 viaturas. - Comandava a Força o Cap. Diniz de Almeida coadjuvado pelos Cap. Garcia e Moço. A Comandar o RAP3 fiacaria o Cap. Cal coadjuvado pelo Cap. Almeida Pereira.

05h30 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).

Dentro de Lisboa a coluna passa por forças da PSP e Polícia de Choque estacionadas no Campo Grande e Fontes Pereira de Melo, sem interferirem.

05h30 - Imagem REGIMENTO DE ARTILHARIA LIGEIRA 3 - ÉVORA
O Coronel Palhares Falcão recebe a ordem de prevenção. O Coronel é um aderente ao movimento. O BART 6323 mobilizado, comandado por Machado da Silva, após ouvir os comunicados do MFA pede ao delegado do Movimento Cap. Borges Alves missão, mandando armar e municiar a unidade. Comunica ao QG que não dispõe de forças para intervir. Apesar desta adesão o BART 6323 não virá a cumprir nenhuma missão às orden do Movimento.

05h30 - Imagem CENTRO DE INSTRUÇÃO DE CONDUÇÃO AUTO 5 - LAGOS (CICA5).
A unidade recebe ordem de prevenção. O Comandante da Unidade Major Castela Rio que se havia comprometido com o Movimento recua. Os Cap. Glória Alves e Ferreira Lopes desobedecem ao Comandante e sendo necessário o uso de violência saem numa viatura para recolher um pelotão da unidade que se encontrava em exercícios na Barragem da Bravura. Pelas 07:30 cumprem a sua missão ocupando o centro retransmissor da Foia

05h45 - Imagem PC - RÁDIO CLUBE PORTUGUÊS.
É transmitido um longo comunicado que é uma condensação de todos os anteriores. Redigido pelo Ten.Cor. Lopes Pires. Pela primeira vez são dirigidos avisos especificando-se explicitamene à Guarda Nacional Republicana, Polícia de Segurança Pública, Direcção Geral de Segurança e Legião Portuguesa.

05h50 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).

A coluna da EPC chega à Baixa. É montado um dispositivo na Rua do Ouro e ocupados o Banco de Portugal e a Rádio Marconi.
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06h00 - Imagem GRUPO L 34
Os Cap. Morais Silva, Ribeiro da Silva e o Tenente Américo Henriques juntam-se ao Maj. Jaime Neves e seguem para o Terreiro do Paço reforçar a força da EPC.

06h00 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).
A coluna da EPC chega ao Terreiro de Paço. Ao entrarem no Terreiro do Paço encontrava-se um dispositivo da PSP , que cercava a zona, que não interferindo com a acção colaborou no isolamento a civis da área. O Cap. Salgueiro Maia transmite para o PC: "Informo que ocupamos Toledo (T.Paço), Bruxelas (Banco de Portugal), Viena (Rádio Marconi).
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06h00 - Imagem REGIÃO MILITAR DE TOMAR

O Chefe do Estado Maior do QG da Região Militar de Tomar, Major Correia Barrento, alerta as unidades mandando-as passar à situação de prevenção rigorosa, sem saber informar porquê.

06h00 - Imagem REGIMENTO DE INFANTARIA 3 - BEJA (RI3).
O 2.º Comandante, Tenente-Coronel Tovim recebe a ordem de prevenção. Este oficial fora contactado na véspera pelo Cap. Feijó Gomes, delegado do Movimento, sobre o desenrolar dos acontecimentos, tendo mostrado o seu desagrado por nunca ter sido anteriormante contactado. A unidade manter-se-ia neutral. Assim as missões de ocupação do Centro Emissor Ultramarino de onda curta da Emissora Nacional em S. Gabriel, e de controlo da fronteira em Vila Verde de Ficalho não seriam cumpridas.

06h00 - Imagem2.º GRUPO DE COMPANHIAS DE ADMINISTRAÇÃO MILITAR - LISBOA.
O Oficial de Dia, Cap. Filipe Henriques, recebe um telefonema do Coronel Duque CEM da RML para preparar uma Companhia para sair às suas ordens e para contactar o Comandante da EPAM no mesmo sentido (há muito que saira uma coluna da EPAM para ocupar a RTP). A Unidade, embora com fraca capacidade militar dispunha de um importante parque de viaturas que seria sem dúvida importante em apoio a uma operação militar. O Cap. Filipe Henriques fora contactado por oficiais do Movimento da EPAM para garantir a neutralidade da Unidade, o que de imediato assumiu. O Cap. Henriques não deu qualquer andamento às ordens do Coronel Duque.

06h00 - Imagem ESCOLA PRÁTICA DE INFANTARIA - MAFRA (EPI).

O Brigadeiro Henriques da Silva comandante da Unidade, telefona sendo informado que que o pessoal aderiu ao Movimento.

06h00 - Imagem FORÇAS DO REGIME.
O Presidente do Conselho acompanhado pelo seu adjunto militar Comandante Coutinho Lanhoso entram no Quartel da GNR no Largo do Carmo, onde são recebidos pelo comandante Geral da GNR, General Adriano Pires.

06h15 - Imagem FORÇAS DO REGIME.
Deu entrada no Terreiro do Paço um pelotão reforçado de Auto-Metralhadoras Ligeiras Chaimite do RC7, comandadas pelo Alf. Mil. David e Silva que de imediato adere ao Movimento. O Ministério do Exército era guardado por 2 Pelotões de Polícia Militar comandados pelo Asp. Saldida que se colocaram de imediato às ordens do Cap. Salgueiro Maia. Destes pelotões ficaram dentro do Ministério sete homens que não puderam saiar porque os portões se encontravam encerrados. Estes elementos viriam a ser obrigadas a dar apoio à fuga do Ministro do Exército.

06h30 - Imagem FORÇAS DO REGIME - QUARTEL DO CARMO.
Juntam-se ao Prof. Marcelo Caetano, Dr. César Moreira Baptista e Alm. Henrique Tenreiro. Tomam-se posições de contra-ataque. É chamado o 2.º Comandante da RML, Brigadeiro Junqueira dos Reis para comandar as Forças Governamentais.

06h30 - Imagem REGIMENTO DE LANCEIROS 2 (RL2) - FORÇAS DO REGIME.

É dada ordem para sair um Esquadrão de Polícia Militar, para desalojar as Forças do Movimento no Quartel General da RML. Comanda a sub-unidade o Tenente Ravasco. Chegados à Praça de Espanha o Esquadrão fica sob o controlo do Major Cruz Azevedo e Campos Andrada. O Tenente Ravasco dirige-se desarmado para o QG da RML.

06h30 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).
O Cap. Salgueiro Maia pede ao Posto de Comando o envio de um oficial superior para prender o Ministro do Exército.

06h30 - Imagem FORÇA AÉREA - FORÇAS DO REGIME
O Comando da 1.ª Região Aérea informou o Comandante do Regimento de Caçadores Para-Quedistas, em Tancos, Coronel Fausto Marques, que havia movimento de tropas em Lisboa, devendo colocar a unidade em prevenção rigorosa e fazer deslocar para Monsanto quatro helicópteros com Paras. O Coronel Fausto Marques desloca-se ao AB 3, mesmo ao lado, onde se encontrava o 2.º Comandante da Base Ten.Coronel Freire. Decidem retardar a ordem para fazer deslocar os helis até ser tomada uma decisão.

06h45 - Imagem POSTO DE COMANDO (PC)
Ao PC tinham afluido vários oficiais prontos a colaborar. O Maj. Otelo nomeia o Ten.Coronel Correia de Campos para prender o Ministro do Exército. Será escoltado pelo Maj. Jaime Neves e os oficiais do grupo de comandos. O Cap. Luís Macedo, com a segurança no RE1 completamente garantida também acompanha o grupo.

06h45 - Imagem REGIMENTO DE CAVALARIA 7 - FORÇAS DO REGIME.
Com o Posto de Comando do Regime em Lanceiros 2, é lançada a contra-ofensiva. Uma Força de cinco carros de combate M/47 e autometralhadoras Panhard saem da Ajuda rumo ao Terreiro do Paço. Seguem na coluna o "organizador da resistência" , Brigadeiro Junqueira dos Reis, o Coronel Romeiras Júnior, Tenente-Coronel Ferrand de Almeida e o Major Pato Anselmo.
Imagem

06h45 - Imagem GUARDA NACIONAL REPUBLICANA - FORÇAS DO REGIME.
O Ministro do Exército solicita ao quartel do Carmo o envio de uma forte Força da GNR para atacar as Forças do Movimento a partir do Campo das Cebolas, em manobra complementar à coluna de Cavalaria 7. Sai do quartel do Cabeço de Bola uma coluna de 12 Land Rovers que estacionam no Campo das Cebolas.

06h50 - Imagem REGIMENTO DE ARTILHARIA PESADA 2 - VILA NOVA DE GAIA
Uma bateria de obuses entra em posição em ambas as entradas da Ponte da Arrábida no Porto, só irá permitir a circulação de Forças do Movimento.

07h00 - Imagem AGRUPAMENTO NORTE
Constituido no RAP3 e integravam Forças do RAP3, CICA2, RI10 e RI14 num total de mais de 60 viaturas e 500 homens. Unidades Constituintes: Comando - Cap. Gertrudes da Silva; RAP3 - 1 Bateria de seis bocas de fogo 10.5, comandada pelo Cap. Diniz de Almeida e duas Companhias de Instrução comandadas pelos Cap. Garcia e Moço. RI10 - Companhia comandada pelo Cap.Pizarro; CICA2 - Companhia comandada pelo Cap. Rocha Santos; RI14 - Companhia comandada pelo Cap. Costeira. Esta Companhia viria a juntar-se ao agrupamento um pouco mais tarde; Missão - Primeira fase - atrair as forças do R.I. 7 e R.I. 15 e tentar obter a sua adesão. - Segunda fase - deslocar-se para Peniche a fim de apreservar a integridade física dos presos políticos. - Terceira fase - deslocar-se para Lisboa para reforçar as forças em operação na capital. Este dispositivo põe-se em marcha com excepção do RI14 que se lhes juntará no caminho.

07h00 - Imagem REGIMENTO DE ARTILHARIA LIGEIRA 2 - COIMBRA (RAL2)
O Major Lestro Henriques o Cap. Pereira da Costa a que se juntaria o Major Duarte Figueira, aprontam para actuar uma Força de oitenta homens e um piquete de trinta homens. O Comandante da Unidade, Coronel Pessoa Vaz, não apresentará qualquer entrave. Missão: Controlo dos movimentos sobre a ponte do Mondego e recolha de informação sobre os movimentos da GNR e PSP. Mais tarde contactarão o Major Barata Alves, comandante do CICA4 que manifesta a sua adesão total ao Movimento.

07h00 - Imagem REGIMENTO DE INFANTARIA 10 - AVEIRO (RI10)
O Coronel João Dias dos Santos, comandante, entra na Unidade, ficando apoplético ao saber que uma coluna comandada pelo Cap. Pizarro saira da Unidade às ordens do Movimento.

07h00 - Imagem GRUPO DE ARTILHARIA CONTRA AERONAVES 2 - TORRES NOVAS (GACA2).

Recebendo a ordem de prevenção os Cap. Pacheco, Dias Costa e Ferreira da Silva informam os três Tenentes Milicianos comandantes de Companhia mobilizadas ao corrente do que se passava conseguindo a sua entusiástica adesão. O Tenente Figueira manda armar e municiar a sua Companhia e ocupar o Quartel. Esta unidade que à partida era considerada desafecta, passa a ser mais uma Unidade aderente ao Movimento, embora sem missão. São interditadas as entradas ao Comandante da Unidade Ten-Cor. Sousa e a outros graduados considerados não afectos. Só conseguirão entrar em contacto com o Posto de Comando no dia 26, conseguindo sempre reagir com firmeza às pressões externas.

07h00 - Imagem E.P.A. Escola Prática de Artilharia (EPA).

A Bateria de Artilharia 8.8 - Ocupa posições no Cristo-Rei Almada. A sua posição permitia-lhe bater em tiro directo qualquer coluna que atravessasse a Ponte, ou qualquer navio no estuário do Tejo. Permitia ainda bater posições em Lisboa, nomeadamente Monsanto e Terreiro do Paço. A Companhia de Artilharia Motorizada garante protecção à BART 8.8 e controla acessos à Ponte Salazar. É comunicado ao PC: "Londres ocupada".

07h00 - Imagem REGIMENTO DE LANCEIROS 2 (RL2) - FORÇAS DO REGIME.

O Tenente Ravasco do Regimento de Lanceiros 2, desarmado contacta as Forças do Movimento no QG da RML comandadas pelo Cap. Bicho Beatriz que lhe diz: " se avançarem sai bala.". Ciente da dificuldade de reocupar o QG volta à Praça de Espanha informando o Major Cruz Azevedo que irá tentar aliciar os graduados para uma acção ofensiva contra o QG. Acaba por desistir perante a firme negativa dos subordinados. O Maj. Campos Andrada entra em discussão com Cruz Azevedo, decidindo abandonar o local e indo apresentar-se ao PC na Pontinha. Os esquadrões seguem para a Av. de Ceuta e posteriormente para o Cais do Sodré.

07h00 - Imagem REGIMENTO DE CAVALARIA 7 - FORÇAS DO REGIME.
Avança pela Ribeira das Naus uma força de auto-metralhadoras Panhard comandadas pelo Ten.Coronel Ferrand de Almeida. O Cap. Salgueiro Maia coloca o Ten. Coronel Ferrand de Almeida perante o dilema de se render ou ter de disparar. O Ten.Coronel rende-se mesmo por baixo das janelas do Ministério do Exército de onde o Chefe de Gabinete do Ministro o incentivava.
Imagem

07h30 - Imagem C.CAÇ. 4241. Companhia de Caçadores 4241
A Companhia estacionada nas antenas do RCP em Porto Alto recebe um telefonema do Director do RCP, Júlio Botelho Moniz no sentido de cortar a emissão. O Comte. da Companhia Cap. Luís Pessoa responde-lhe que as antenas estão ocupadas pelo Movimento precisamente para manter a emissão no ar.

07h30 - Imagem GUARDA NACIONAL REPUBLICANA - FORÇAS DO REGIME

A coluna da GNR que estacionara no Campo das Cebolas avança para o Terreiro do Paço. O Cap. Salgueiro Maia dirige-se ao Comandante da coluna dizendo-lhe que deve sair da zona pois não tem potencial para o enfrentar. O Comandante da Coluna obedece e retira.

07h30 - Imagem PC - RÁDIO CLUBE PORTUGUÊS.
É lido por Luís Filipe Costa novo comunicado do Movimento, não deixando dúvidas em relação aos seus objectivos. É claramento expresso: "as Forças Armadas desencadearam na madrugada de hoje uma série de acções com vistas à libertação do País do regime que há longo tempo o domina."

07h30 - Imagem MARINHA N.R.P. Alm. Gago Coutinho
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O 25 DE ABRIL DE 1974 NA FRAGATA “NRP ALMIRANTE GAGO COUTINHO”

1. INTRODUÇÃO

Durante 25 anos quer o signatário quer os camaradas da guarnição que viveram intensamente os acontecimentos ocorridos em 25 de Abril de 74, optaram por se manterem silenciosos na apreciação daqueles factos e das "notícias" surgidas, pois embora se considerando participantes de um dos momentos vitais na viragem histórica do nosso país, sempre optaram por permanecerem anónimos, mesmo dentro da própria instituição militar.
A realidade é que 25 anos de silêncio de nada serviram para obstar a que a verdade dos factos não fosse sistematicamente deturpada, pelo que é minha obrigação intervir, pois a história não é feita de inverdades.
Por um lado parece querer-se desvalorizar o papel desempenhado pela Marinha no 25 de Abril e por outro pretende-se confundir um acto revolucionário com um acto de insubordinação num estado dito de direito (quando a revolução ainda não estava consumada).

2. CARACTERIZAÇÃO DAS RELACÕES DO COMANDANTE DO NAVIO / OFICIAIS / GUARNIÇÃO

O Comandante do navio (Capitão-de-Fragata António Seixas Louçã) tinha 51 anos e o oficial a seguir em antiguidade, que era o signatário, tinha 27, ou seja havia uma diferença de idades de 24 anos. Aparentemente despiciendo este hiato, a realidade é que em termos técnico-operacionais havia um nítido desfasamento que do ponto de vista do seu comportamento técnico-militar, resultava numa profunda falta de confiança nestes domínios, bem demonstrada em diversos momentos de manobras/ exercícios, que por ainda alguma consideração me escuso a descrever. Esta falta de confiança era agravada pelo seu feitio irascível, originando em determinados momentos um comportamento histérico e desumano relativamente a oficiais, sargentos e praças.
É de realçar que a confiança, camaradagem e amizade entre o imediato e os oficiais da guarnição, a sua proximidade de idades e a sua competência técnico-operacional, permitiram por um lado níveis de desempenho profissional do navio, muitas vezes enaltecido por comandos navais estrangeiros, e por outro lado que essa união fosse transmitida ao resto da guarnição de sargentos e praças, o que permitiu evitar que situações de confronto com o Comandante a nível de sargentos degenerassem em procedimentos disciplinares.
Tínhamos conhecimento da imagem anti-situacionista do Comandante, mas a realidade é que o seu comportamento autoritário e desumano aliado à forma ambígua como analisava alguns acontecimentos de carácter político (tal como o que resultou no dia seguinte à reunião no Clube Militar Naval, onde 130 oficiais da Marinha se declararam solidários para com os camaradas do exército presos e desterrados, em que à hora do almoço na câmara questionou os oficiais do navio “sobre se teria havido algum capitãozinho naquela reunião"), nos coibiu de abordamos as questões ligadas ao Movimento.

3. RELACIONAMENTO/LIGACÃO DOS OFICIAIS DO NAVIO COM O MOVIMENTO NA MARINHA

Sob o ponto de vista político, o signatário, o 1.º tenente Almeida Moura e o 1.º sargento ACM Edgar Conhago estavam inseridos no movimento desde Outubro de 73. Muitas vezes saímos do navio e uma hora depois regressávamos a bordo reunindo no meu camarote onde abordávamos questões de natureza militar e política que a todos preocupava.
Nas vésperas do 25 de Abril fomos informados sobre qual o papel que caberia à Marinha, e que seria o de assegurar a Neutralidade Activa, função de que garantimos vir a ser fiéis intérpretes. A Marinha não tinha missões operacionais atribuídas, não hostilizaria as operações militares do 25 de Abril e apoiá-Ias-ia sempre que oportuno.
Devido ao comportamento do Comandante sempre sentimos não estarem reunidas as condições para o pôr a par das intenções do Movimento. Mas se isso não bastasse, é estranho que até os próprios camaradas da sua idade e ligados ao Movimento também nada lhe tenham dito.

4. SITUAÇÃO DO NAVIO SOB O PONTO DE VISTA ARTILHEIRO

O navio pertencia à classe das fragatas “Almirante Pereira da Silva" e possuía sob o ponto de vista artilheiro, duas direcções de tiro anti-aéreo analógico-electromecânicas e dois reparos duplos de 76.2/50 mm (3 polegadas), um avante e outro a ré, com uma cadência de tiro de 50 por minuto. As peças de 76.2/50 estavam preparadas para fazer fogo de superfície para distâncias superiores a 7.000 metros, bem como bombardeamento de costa e por consequência também eficazes contra carros de combate, só dependendo do tipo de munição utilizada.
Nos paióis existiam munições de Alto-explosivo com espoletas VT (influência), perfurantes (Armour Piercing AP) e de Exercício (com projéctil de ferro maciço)
Não existiam munições de salva, nem as peças de 76.2/50 permitiam efectuar tal tipo de tiro.
Assim, sempre que era necessário realizar tiros de salva em cerimonial marítimo, embarcávamos as peças e munições próprias para esse efeito. Em 25 de Abril de 74 não existiam nem peças nem munições para salva.

5. DESCRICÃO DOS REAIS FACTOS OCORRIDOS A BORDO NO DIA 25 ABRIL DE 1974

Cerca das 07H00 o signatário mandou apitar à faina para a manobra de saída do navio da Base Naval de Lisboa, para se integrar na formatura de navios da STAVAVFORLANT que rumaria para Nápoles em manobras internacionais.

Quando o navio passa sob a ponte, integrado já na formatura da força naval internacional, são recebidas ordens a bordo, provenientes do Estado-maior da Armada, para o navio sair da formatura e se colocar em frente do Terreiro do Paço.
O signatário (imediato do navio) na asa da ponte de estibordo ao visualizar os tanques no Terreiro do Paço informou o comandante do navio que "se nos mandassem abrir fogo, era uma grande bronca, pois havia um comprometimento da Marinha para com o Movimento de Neutralidade Activa". A esta posição a postura assumida pelo então comandante do navio foi de concordância.

Seguidamente, o então Vice-Chefe de Estado-maior da Armada, Contra-Almirante Jaime Lopes, pela fonia dá ordem ao então Comandante do navio para disparar sobre os tanques rebeldes posicionados no Terreiro do Paço, (há testemunhas presenciais desta ordem, na altura prestando serviço no E.M.A.) ao que este se recusa, alegando que estava muita gente no Terreiro do Paço e também vários cacilheiros se encontravam nas proximidades.
Posteriormente o Comandante do navio recebe ordens do E.M.A., através do próprio Almirante CEMA para fazer fogo de salva para o ar e dá ordens para colocar as peças de artilharia de 76.2 mm/50 na máxima elevação (de realçar que o navio não possuía munições de salva e somente de Exercício, e que o Comandante do navio já tinha dado ordens para municiar as peças com munições de Alto-Explosivo, o que nunca veio a acontecer pois o signatário deu ordens ao C. S. Artilharia para colocar as munições nos contentores verticais e as peças nunca estiveram carregadas. Igualmente foram dadas ordens pela mesma via para isolar o reduto das peças). É bom não esquecer que a única posição possível de travamento em elevação é a zero graus e é aquela a que corresponde a impossibilidade de fazer fogo, e por consequência dá indicação de paz.

O Comandante do navio dá ordem ao Chefe de Serviço da Artilharia (então 1° Tenente Dores de Sousa) para fazer fogo de salva: "vá lá abaixo dar dois tirinhos de salva para o ar". Este oficial recusa-se e informa o Comandante que o Imediato pretendia dizer-lhe algo. (Há que realçar que uma ordem quando é dada não se mede pela semântica utilizada.)

O signatário reafirma ao Comandante do navio a decisão dos oficiais se recusarem a abrir fogo, mesmo de Exercício, pois já havia sido informado que não existiam munições de salva a bordo. (Após o navio fundear no Mar da Palha, o Comandante solicitou o Mapa trimestral de munições e artifícios, possivelmente para se certificar do tipo de munições existentes abordo).

É bom não esquecer que, se os oficiais não se têm recusado a abrir fogo às ordens do Comandante, e se as peças têm disparado as munições de exercício para o ar com a elevação máxima em que estavam posicionadas (cerca de 85°), além do estrondo resultante dos disparos, os projécteis embora não contendo alto explosivo, cairiam no Mar da Palha com as consequentes “gerbes" (levantamento da água resultante da entrada dos projécteis na água), o que ocasionaria de certo o caos, de consequências imprevisíveis, pois se no Terreiro do Paço estavam posicionados os tanques do Salgueiro Maia no Cristo Rei estavam posicionadas baterias de Vendas Novas prontas a disparar para a Fragata.

Quase em simultâneo o signatário é chamado à cabine da T.S.F. a fim de entrar em contacto com um elemento do Posto de comando do Movimento. É confrontado com a perspectiva do navio ser a única unidade fiel ao governo, e recebe ordens para sair a barra com as peças em zero (na horizontal). O signatário informa o Posto de Comando que a situação a bordo está controlada, que a guarnição está com o Movimento e que o Comandante do navio havia dado ordens de fogo de munições de exercício para o ar, mas que os oficiais se tinham recusado.
Este contacto era assegurado pelo Comandante Almada Contreiras no Centro de Comunicações da Armada, e através da esquadrilha de submarinos.
De imediato o signatário se dirigiu para a ponte do navio a fim de informar o Comandante da comunicação ocorrida, mas foi bruscamente interrompido, tendo sido exonerado e ouvido os piores insultos resultantes de uma histeria indescritível, aliada a uma linguagem imprópria de um oficial superior, Comandante de uma unidade naval.

Durante a permanência do signatário na cabine da T.S.F., o Comandante do navio dá a 2.a ordem de abrir fogo de salva para o ar ao Chefe de Serviço de Artilharia, o qual uma vez mais se recusa a cumprir a ordem.

Na sequência da exoneração do signatário, os oficiais da classe da Marinha (1° Tenente Varela Castelo e o 1° Tenente Telles Palhinha), por ordem de antiguidade, foram convidados a substituir-me, mas recusaram.
Quando o signatário foi exonerado de imediato, o 1° tenente Almeida Moura ao circular pelo corredor junto da cabine da T.S.F. ouviu sargentos e praças da guarnição afirmarem "Se o Comandante exonerou o imediato, o imediato passará a Comandante".
A estirpe dos oficiais da guarnição da "Gago Coutinho", que tendo sido protagonistas de um acto de insubordinação, numa situação revolucionária, permitiu não só, não prenderem o Comandante do navio, o que não seria difícil dado o facto da guarnição de sargentos e praças, na sua esmagadora maioria estarem ao lado dos oficiais, mas também se predispuseram a continuar a obedecer às ordens do Comandante, reiterando apenas a desobediência às ordens de fogo.
Pelas 13H20, o então Comandante do navio já com o navio fundeado no Mar da Palha, resolve convocar uma reunião de oficiais na Câmara de Oficiais, começando por colocar sobre a mesa uma pasta de cor verde, tendo escrito na capa a palavra "REVOLUÇÃO".
De seguida, começando pelo oficial mais moderno da guarnição interroga um a um, à excepção do signatário, sobre se mantinham a sua posição de recusa em abrir fogo. Todos os oficiais, sem excepção são firmes em manter a recusa.
Logo de seguida considera um a um insubordinados todos os oficiais. No final da reunião, que terminou antes da rendição do Presidente do Conselho de Ministros, Marcelo Caetano, no quartel do Carmo, o comandante do navio ameaçou: "que nenhum dos oficiais se deveria esquecer da posição tomada, pois ele não esqueceria a dele".

Esta última atitude teria sido ao que tudo indica, de imediato esquecida pelo Comandante do navio, logo após a atracação do navio à Base Naval de Lisboa, no Alfeite, cerca das 20H00.

6. CONSIDERACÕES FINAIS

Logo após o aparecimento na RTP dos elementos da Junta de Salvação Nacional, o signatário que se encontrava no momento no refeitório das praças, chamou a atenção da guarnição para o facto de "termos sido uma guarnição insubordinada, mas que a partir daquele momento voltaríamos a ser uma guarnição disciplinada, e até que o Comandante fosse exonerado deveria continuar a receber as honras da Ordenança do Serviço Naval".
No dia 26 de Abril, quando o Comandante abandona o navio, o signatário e o 1.º Tenente Almeida Moura que era o oficial de serviço, prestaram-lhe as honras ao portaló, e quando aquele ia a meio do trajecto, virou-se para nós e disse" ainda um dia se vão arrepender".

É importante não esquecer que quando o Comandante dá as ordens de fogo, no Terreiro do Paço, a situação militar não estava ainda definida.
Poucos dias depois do 25 de Abril, é levantado um processo no qual são ouvidos o Comandante, o signatário, os oficiais da guarnição e o sargento Edgar Conhago, o qual foi arquivado.

Em Junho de 76, quase um ano após os acontecimentos de 25 de Novembro de 1975 é reaberto o processo a pedido do Comandante, com o claro objectivo de salvaguardar a atitude por ele assumida visando a sua apreciação militar sob o ponto de vista do cumprimento integral das ordens recebidas da hierarquia no quadro da legalidade existente, e a condenação dos oficiais (todos) que se recusaram a cumprir a ordem de fogo de munições de Exercício para o ar por si determinadas, e em circunstâncias de confronto evidente entre forças militares antagonistas e tendo conhecimento pelo signatário da posição assumida pela Marinha para com o Movimento (embora continue a afirmar o desconhecimento)
De realçar que no decorrer do processo e a quando da audição de uma das testemunhas apresentadas pelo signatário, o oficial instrutor do processo permitiu a presença do ex-Comandante do navio, o qual tentou questionar o referido oficial mas este recusou-se a responder. Eis uma demonstração clara da pouca fiabilidade do processo.

Não posso esquecer o dia em que o Almirante Santos Silva me questionou com 52 perguntas escritas, em que aproveitei a oportunidade, pois sabia da sua verticalidade e integridade, para lhe colocar a seguinte questão: "Se o 25 de Abril tem falhado e o signatário pedisse para lhe reabrir o processo o que teria sucedido". A resposta do Almirante Santos Silva foi imediata:"Não seria autorizado, pois estaria no Tarrafal".
Durante o dia 25 de Abril, a bordo da fragata Gago Coutinho os elementos ligados ao Movimento cumpriram com o seu compromisso, materializado não só pela recusa em abrir fogo mas também através de outras medidas, que salvaguardariam sempre a posição do navio para com o movimento.
Este é o meu primeiro depoimento público sobre a realidade dos factos ocorridos no dia 25 de Abril de 1974 a bordo da fragata NRP "Almirante Gago Coutinho" (F473).

Demorei 26 anos a tomar esta decisão, pois sempre procurei defender a Marinha como instituição e não quis transformar publicamente este episódio, de que todos os que viveram Abril se orgulham, naquilo que o então Comandante do navio o tem feito.
Cada um tem que ter a coragem de assumir as suas responsabilidades, houve uma revolução e não é justo que aqueles que humildemente contribuíram para que ela transformasse este país num estado de direito sejam vilipendiados.
Faço este depoimento na convicção de que quem o vier a ler fique esclarecido sobre a verdade dos factos.

FERNANDO LUÍS CALDEIRA FERREIRA DOS SANTOS
CAPITÃO-DE-FRAGATA (REFORMADO)
IMEDIATO DO NRP "ALM. GAGO COUTINHO" em 25 DE ABRIL de 1974

A Fragata em formatura integrava uma força NATO (StaNavForlant) que navegava rumo à barra Sul do Porto de Lisboa, com destino a Nápoles, quando recebe ordem do Vice-Chefe do Estado Maior da Armada, Almirante Jaime Lopes, para abandonar a formatura e colocar-se frente ao Terreiro do Paço à ordem do Estado Maior da Armada.

07h45 - Imagem MARINHA N.R.P. Alm. Gago Coutinho
O Oficial Imdediato do navio, 1.º Ten. Caldeira dos Santos, do Movimento, comunica ao Comandante do Navio, Cap. Frag. Seixas Louçã, que a posição da Marinha para com o Movimento era de neutralidade activa.

07h45 - Imagem FORÇAS DO REGIME.
São dadas instruções para o corte da energia eléctrica ao Rádio Clube e antenas de Porto Alto no sentido de interromper a emissão.

07h50 - Imagem EMISSORAS DE RÁDIO-DIFUSÃO.

A Emissora Nacional suspende a emissão.

07h50 - Imagem MARINHA N.R.P. Alm. Gago Coutinho.
O Alm. Jaime Lopes, dá ordem ao Comandante do navio para abrir fogo sobre os tanques do Exército posocionados no Terreiro do Paço. O Comandante da unidade não cumpre a ordem, alegando que estava muita gente no Terreiro do Paço e , também, que vários cacilheiros se encontravam nas proximidades.
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08h00 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).
O Cap. Maltês Soares tristemente célebre comandante da 1.ª Divisão da PSP coloca-se às ordens de Salgueiro Maia que lhe atribui a tarefa de descongestionar o trânsito .

08h00 - Imagem PC - RÁDIO CLUBE PORTUGUÊS.
O Governo ordena o corte de energia eléctrica e telefones ao Rádio Clube Português, tanto nos estúdios como nas antenas de Porto Alto. Entram em funcionamento geradores automáticos que asseguram a emissão.

08h00 - Imagem MARINHA N.R.P. Alm. Gago Coutinho.
O Chefe do Estado Maior da Armada, Alm. Ferreira de Almeida, dá ordens ao Comandante do navio para fazer fogo de salva. O navio não possuia munições de salva, mas apena munições de exercício, que dispunham de projéctil inerte.

08h00 - Imagem PC - RÁDIO CLUBE PORTUGUÊS.
O Rádio Clube fica sem energia, entra em funcionamento o gerador de emergência, garantindo a emissão, ficando no entanto com limitações. Os telefones seriam também cortados sendo a ligação telefónica ao PC garantida por uma cabine pública junto à R. Sampaio Pina. A energia às antenas de Porto Alto foi também cortada tendo também entrado em funcionamento o gerador de emergência. A situação só se normalizará após as 19:00.

08h15 - Imagem MARINHA N.R.P. Alm. Gago Coutinho.
O Comandante do navio dá ordem ao Chefe de Serviço de Artilharia, 1.º Ten. Dores Sousa, para abrir fogo de salva (exercício) tendo aquele oficial recusado e remetido o Comandante para o Imediato que refirmou a intenção dos oficiais de não abrirem fogo, nem de salva.

08h15 - Imagem POSTO DE COMANDO (PC)
Um grupo de oficiais enviados pelo PC chega ao Terreiro do Paço para prender o Ministro do Exército. O grupo era conduzido pelo Ten.Coronel Correia de Campos contando, entre outros com o Maj. Jaime Neves e os oficiais do grupo de comandos, e o Cap. Luís Macedo.
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08h30 - Imagem FORÇAS DO REGIME.
O Ministro do Exército vendo a ocupação do Terreiro do Paço ordena a abertura, à picareta, de uma parede de tijolo que dava par o Ministério da Marinha. Aí conjuntamente com o Ministro da Marinha e outras entidades fogem, dirigindo-se para o parque de estacionamento da Marinha entrando para uma carrinha que os irá conduzir ao RL2.
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08h30 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).
A Força da EPC estava reforçada pelas auto-metralhadoras Chaimite do Asp. David e Silva e pelas Panhard da coluna de Ferrand de Almeida que se rendera. É enviada uma força de dois blindados para o QG da RML para reforçar o dispositivo da Caçadores 5.

08h30 - Imagem EMISSORAS DE RÁDIO-DIFUSÃO.
É lido pela primeira vez um comunicado do Movimento na Emissora Nacional.

08h30 - Imagem MARINHA N.R.P. Alm. Gago Coutinho.
O navio recebe uma comunicação do Posto Comando da Marinha efectuada através da Esquadrilha de Submarinos e do Centro de Comunicações da Armada, onde se encontrava o Cap. Ten. Almada Contreiras, dando indicação para o navio sair a barra. O Imediato, 1.º Ten. Caldeira dos Santos, comunica ao PC na Marinha que a situção a bordo está controlada e que a guarnição estava com o Movimento.

08h45 - Imagem MARINHA N.R.P. Alm. Gago Coutinho.
O comandante do Navio exonera o Imediato e convida sucessivamente todos os oficiais para assumir o cargo, o que é recusado por todos. A partir daí os oficiais decidem cumprir as ordens do Comandante excepto as que de alguma forma fossem ofensivas para o Movimento.

09h00 - Imagem B.C.5 Batalhão de Caçadores 5 (BC5).
Recebe um reforço de dois blindados da EPC e passa a controlar as vias de comunicação em torno do QG da RML, nomedamente o cruzamento da Av. António A. Aguiar com a Marquês da Fronteira.

09h00 - Imagem EMISSORAS DE RÁDIO-DIFUSÃO.
É lido pela primeira vez um comunicado do Movimento no emissor de Miramar do Rádio Clube Português.

09h50 - Imagem FORÇAS DO REGIME.
O Chefe do Estado Maior da Armada, Alm. Ferreira de Almeida, contacta o Cap.Ten. Alpoim Calvão, comandante da Polícia Marítma do Porto de Lisboa,no sentido de analisar a hipótese de interromper a emissão do Rádio Clube Português. Alpoim Calvão recomenda o bombardeamento das antenas de Porto Salvo com morteiro de 81. Como as estradas e antenas já estavam ocupadas pelo Movimento, sugere fazer deslocar uma equipa, subindo o Tejo numa lancha da Policia Maritima. Alpoim Calvão fica à espera da disponibilização do morteiro, o que nunca veio a acontecer.

10h00 - Imagem REGIMENTO DE CAVALARIA 7 - FORÇAS DO REGIME.
Com a sua força já diminuida pela adesão ao Movimento do Asp. David e Silva e pela rendição do Ten.Coronel Ferrand de Almeida, o Brigadeiro Junqueira dos Reis divide a sua força em dois grupos, avançando com dois M/47 pela Avenida Ribeira das Naus, comandados pelo Asp. Sottomayor. Seguem também atiradores do RI1 da Amadora e uma pequena força de Lanceiros 2, segue como supervisor o Major Pato Anselmo. O Brigadeiro Junqueira dos Reis acompanha o força. O Cap. Salgueiro Maia segue em direcção à força com um lenço branco. O Brigadeiro ordena a Salgueiro Maia que vá para a retaguarda da sua força. Salgueiro Maia propõe que falem a meia distância das duas forças. O Brigadeiro ordena ao Asp. Sottomayor para abrir fogo sobre Salgueiro Maia, este recusa e de imediato ouve voz de prisão. Dá de seguida a mesma ordem aos apontadores dos carros de combate que também recusam. O Brigadeiro não conseguindo atingir os seus objectivos dirige-se para a Rua do Arsenal onde o resto da coluna se encontrava com o Coronel Romeiras.
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10h00 - Imagem FORÇA AÉREA - FORÇAS DO REGIME
De novo o Comando da 1.ª Região Aérea insiste no envio de Para-Quedistas e quatro helicópteros para Monsanto. O Coronel paraquedista Fausto Marques mantém a sua palavra de não autorizar que Forças paraquedistas actuem contra outros elementos das Forças Armadas.

10h30 - Imagem REGIMENTO DE CAVALARIA 7 - FORÇAS DO REGIME.
O Major Pato Anselmo é deixado sózinho pelo Brigadeiro, na Av. Ribeira das Naus. O Major Jaime Neves vai tentar obter a sua rendição, vai acompanhado pelo Cap. Tavares de Almeida e Asp. Miliciano Maia Loureiro. A rendição é rapidamente conseguida. As torres do dois M/47 são rodadas de 180 graus e o Movimento passa a contar com mais dois carros de combate. Todo o pessoal apeado também se entrega. Os dois carros dirigem-se de imediato para a Rua do Arsenal, onde se encontrava o que restava da força de Cavalaria 7.
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10h45 - Imagem REGIMENTO DE CAVALARIA 7 - FORÇAS DO REGIME.
Os Tenentes Assunção e Santos Silva, que acabaram de aderir ao Movimento vão tentar negociar com o Brigadeiro, na Rua do Arsenal, não sendo bem sucedidos. Pouco depois, e sem saber o sucedido, o Tenente Assunção aproxima-se do Brigadeiro que dá ordem de fogo, sem ser obedecido. O Coronel Romeiras aconselha calma e interpõe-se entre as armas e o Tenente Assunção. O Brigadeiro, em ira, agride o Tem. Assunção. Este faz continência e retira-se.
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11h00 - Imagem AGRUPAMENTO NORTE.
O Agrupamento Norte chega a Peniche, comandado pelo Gap. Gertrudes da Silva dirigindo-se ao Forte-Prisão. O Pessoal da PIDE/DGS não se mostra disposto a uma rendição. Depois de uma curta reunião decidem que a Companhia do CICA2 Comandada pelo Cap. Rocha da Silva asseguraria o cerco ao Forte, com o apoio de duas secções de obuses do RAP 3 sob o Comando do Asp. Monteiro. Os obuses ficaram apontados para o forte em tiro directo. O grosso da coluna irá marchar sobre Lisboa para se colocar às ordens do PC na Pontinha.

11h00 - Imagem B.C.5 Batalhão de Caçadores 5 (BC5).

O Major Fontão prende o General Louro de Sousa e o Brigadeiro Silvério Marques quando tentavam entrar nas instalações do Quartel Mestre General, na Rodrigo da Fonseca. Só mais tarde o PC veio a perceber que tinha sido preso um dos indigitados para a Junta de Salvação Nacional.

11h30 - Imagem POSTO DE COMANDO (PC).
A situação no Terreiro do Paço estava totalmente alterada. Os Ministros e Chefes Militares estavam refugiados, ou no Quartel do Carmo com Marcelo Caetano, ou em Lanceiros 2. Grande quantidade de população concentra-se entre as Forças do Movimento e o que resta de Cavalaria 7. A EPC tinha recebido grande reforço com a adesão de pessoal de Cavalaria 7 e Lanceiros 2. É transmitida ordem ao Ten.Coronel Correia de Campos para dividir as Forças: uma coluna deve dirigir-se para o Largo do Carmo e obter a rendição do Presidente do Conselho; uma outra coluna deve dirigir-se para o Quartel da Legião Portuguesa na Penha de França, tentendo obter a sua rendição. Devem manter-se em posição os efectivos no Banco de Portugal e Rádio Marconi.
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11h45 - Imagem POSTO DE COMANDO (PC).

Uma coluna da EPC comandada por Salgueiro Maia segue para o largo do Carmo. Uma coluna comandada por Jaime Neves, constituida por pessoal aderente de RC 7, RL 2 e RI 1, contará com oficiais do grupo de Comandos L34 e os Tenentes do RC 7 Cadete e Balula Cid. Esta Coluna dirige-se para o Quartel da Legião Portuguesa.

11h45 - Imagem POSTO DE COMANDO (PC).
No PC o Ten.Coronel Lopes Pires afadiga-se na elaboração de comunicados que iam sendo difundidos regularmente pelo Rádio Clube Portugês. Às 11:45 é comunicado que o Movimento domina a situação de Norte a Sul do País e que em breve chegará a hora da libertação.
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Re: 25 de Abril - as operações militares

Mensagempor Viriato » Domingo 27 Abril 2008, 07:49

12h00 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).
Saindo do Terreiro do Paço a coluna de Salgueiro Maia, vai ser alvo de grande apoio dos milhares de pessoas que na baixa de Lisboa acompanhavam as movimentações militares. Chegando ao Rossio a coluna vai encontrar uma força do Regimento de Infantaria 1, comandada pelo Cap. Fernandes, que fora enviada para deter as forças do Movimento. O Cap.Fernandes vai colocar as suas forças à ordem do Movimento e seguirá à retaguarda da coluna da EPC. oiça aqui
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Re: 25 de Abril - as operações militares

Mensagempor Viriato » Domingo 27 Abril 2008, 08:00

12h15 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).
Os blindados sobem com dificuldade as ruas íngremes da baixa lisboeta, rumo ao Largo do Carmo. São apoiados e aplaudidos por numerosos populares. Jornalistas seguem na coluna numa viatura militar disponibilizada por Salgueiro Maia.
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12h30 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).
Depois do curto, mas difícil trajecto em que os blindados venceram as ingremes e estreitas ruas , a EPC e reforços chegam ao Largo do Carmo, no meio de enorme entusiasmo da multidão. A força da EPC contava agora com dez blindados que são distribuidos pelos acessos ao Largo e frente aos portões do quartel. Os atiradores são colocados em locais chave por forma a cercar a zona.
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13h00 - Imagem ESCOLA PRÁTICA DE INFANTARIA - MAFRA (EPI).
O Comandante e 2.º Comandante, Brigadeiro Henriques Silva e Coronel Brandão Loureiro, apresentam-se à porta de armas sendo recebidos pelo Coronel Jasmins de Freitas e outros oficiais superiores que lhes comunicam a sua adesão ao Movimento. O Brigadeiro tenta por todos os meios apoderar-se da unidade para a colocar às ordens do governo. São no entanto convidados a aderir ao Movimento, recusam, pelo que são obrigados a retirar-se da unidade.

13:00 - Imagem PC - RÁDIO CLUBE PORTUGUÊS.
É difundido um comunicado em que se noticia que todos os elementos que integram as forças do Movimento se encontram bem.

13:00 - Imagem FORÇAS DO REGIME.
São dadas ordens pelo Posto de Comando das forças do regime, em Lanceiros 2, para o conjunto de forças ainda disponiveis tentarem um cerco às forças de Salgueiro Maia no Largo do Carmo. As forças desfalcadas de Cavalaria 7 comandadas pelo Brig. Junqueira dos Reis vai ocupar posições no Largo de Camões. Forças da GNR vão ocupar posições no Largo da Misericordia e Rua Nova da Trindade. Uma companhia da Polícia de Choque ocupa posições no Largo do Chiado. ouvir aqui as comunicações da GNR / ouvir aqui as comunicações da GNR-2

13:00 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).
Chegado ao Largo do Carmo Salgueiro Maia monta o dispositivo e fala aos jornalistas.
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13:10 - Imagem PC - RÁDIO CLUBE PORTUGUÊS.
O Ten.Cor. Quintino entra no RCP e informa que o seu filho conseguiu captar ocasionalmente as comunicações das Forças do Regime e que as estava a gravar. Mário Pereira, o responsável pela discoteca do RCP desloca-se a casa do Ten.Cor. Quintino com um gravador. A partir desse momento passaram a ser transmitidas pelas ondas do RCP as comunicações das Forças do Regime que denotavam já clara desorientação. Este facto constituiu um factor moralizador para as Forças do Movimento e um acréscimo de desorientação no inimigo.

13:15 - Imagem R.C.3 Regimento de Cavalaria 3 (RC3).
O Esquadrão chega à Ponte Salazar comunicando ao PC que tomara posições. O PC determina que a Força marche sobre a Casa de Reclusão da Trafaria para libertar os militares presos. O Comte. da unidade permanece na Ponte Salazar seguindo posteriormente para Lisboa com os Cap. Miquelina Simões e Gastão da Silva que em carro particular tinham auxiliado, como batedores, à chegada do esquadrão à Ponte.

13:30 - Imagem POSTO DE COMANDO (PC).
Ao PC começam a chegar notícias da tentativa de cerco às forças da EPC. Face à gravidade da situação o PC dá ordem às forças do Regimento de Cavalaria 3 de Estremoz que se dirigiam ao presídio da Trafaria para o mais rapidamente inverterem o sentido e rumarem à zona do Largo do Carmo para dar apoia à retaguarda das forças da EPC.

13:30 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).
A coluna da EPC reforçada por forças do RC7 que se entregaram, comandadas pelo Maj. Jaime Neves, montam um dispositivo na Rua da Penha de França e Calçada do Poço dos Mouros exigindo a rendição do Quartel-General da Legião Portuguesa em 15 minutos. Não foram esgotados os 15 minutos e o General Pereira de Castro apresenta a sua rendição, permitindo a entrada das forças do Movimento no quartel. "Marrocos ocupada sem incidentes".

13:45 - Imagem R.C.3 Regimento de Cavalaria 3 (RC3).
Recebe ordem para inverter sentido e dirigir-se à zona do Largo do Carmo dar cobertura à retaguarda da EPC. A força do RC3 segue a toda a velocidade chegando em tempo record à zona do Largo do Carmo. Os Capitães Andrade Moura e Alberto Ferreira dispõe as forças no Largo e Rua da Misericórdia, Largo do Camões. As forças da GNR são contactadas pelos Capitães Andrade Moura e Alberto Ferreira. O comandante das forças da GNR contacta o Comando-Geral e após 30 minutos recolhem a quartéis. O Brigadeiro Junqueira dos Reis abandona o local 10 minutos após a chegada do RC3. O pessoal restante do RC7 apresenta-se ao Cap. Andrade Moura aderindo ao Movimento.

14:00 - Imagem FORÇAS DO REGIME.
Após a entrada em cena do RC3 as forças do regime que tentavam o cerco à EPC no Largo do Carmo desmobilizam. A GNR reagrupa no Largo da Misericórdia e recolhe a quartéis. O Brigadeiro Junqueira dos Reis abandona. Parte do pessoal do RC7 adere ao Movimento colocando-se à disposição do RC3. ouvir aqui os manifestantes

14:00 - Imagem FORÇAS DO REGIME.
O Dr. Pedro Pinto, Secretário de Estado da Informação e Turismo, apercebera-se da inevitabilidade da queda do regime. Resolve assumir a mediação entre o Governo e o General Spínola. O Dr. Nuno Távora, Chefe de Gabinete do Dr. Pedro Pinto desloca-se a casa do General António de Spinola entregando-lhe uma carta do Secretário de Estado. O Dr. Pedro Pinto, Secretário de Estado da Informação e Turismo, apercebera-se da inevitabilidade da queda do regime. Resolve assumir a mediação entre o Governo e o Gen. Spínola.. O General António de Spinola afirma nada ter a ver com o Movimento e que nunca levantaria armas contra o Governo, e que este deveria ter o bom senso de encontrar uma solução para o problema e evitar um banho de sangue. O General informa ainda que se o Governo entender resolver o problema pacificamente ele estaria na disposição de assumir o poder.

14:15 - Imagem POSTO DE COMANDO (PC).
O Major Otelo no PC decide telefonar ao Chefe-Estado-Maior da GNR, coronel Ângelo Ferrari tentando a sua rendição. A conversa é inconclusiva pois o Coronel Ferrari tenta ganhar tempo, desmentindo a pemanência do Prof. Marcelo Caetano naquela unidade. O momento é critico no PC. Não se conhecia bem a situação envolvente ao Largo do Carmo: - Os movimentos do RC7 e GNR não estavam completamente esclarecidos; - As comunicações com o RC3, eram dificeis. Uma rápida solução no Largo do Carmo afigurava-se urgente.

14:30 - Imagem PC - RÁDIO CLUBE PORTUGUÊS.
É lido um comunicado, pela voz de Clarisse Guerra, em que se noticiavam os objectivos já conquistados, era ainda divulgado o cerco ao Professor Marcelo Caetano e membros do governo no quartel do Carmo.

14:30 - Imagem POSTO DE COMANDO (PC).
Por via rádio o PC contacta o Cap. Salgueiro Maia, as comunicações são deficientes. O Major Otelo informa que a GNR tenta ganhar tempo, pelo que é necessário forçar a rendição. A prisão do chefe do governo desmobilizaria as forças governamentais. É dada indicação para forçar os portões da GNR, ou por encosto de um blindado ou por rajadas de metralhadora. Salgueiro Maia mostra alguma reticência em abrir fogo. Otelo decide enviar uma mensagem por estafeta a Salgueiro Maia com indicações para forçar a porta de armas da GNR.

14:30 - Imagem POSTO DE COMANDO (PC).
Chegam ao PC, vindos do Estado-Maior do Exército o Major Vítor Alves e o Ten.Cor. Franco Charais. São recebidos com alegria e emoção. Estes oficiais fizeram parte da Comissão que redigira o Programa do MFA.

15:00 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).
O Capitão Rosado da Luz que no Largo do Carmo serve de elemento de ligação entrega pessoalmente a mensagem do PC ao Cap. Salgueiro Maia, que dizia: " Com o megafone tenta entrar em comunicação e fazer um aviso-ultimato para a rendição. Eu já ameacei o coronel Ferrari, mas ele parece não ter acreditado. Com autometralhadoras rebenta fechaduras do portão para verem que é a sério. Julgo que não reagirão. Felicidades. Uma abraço. - Otelo".

15:00 - Imagem FORÇAS DO REGIME.
O Dr. Nuno Távora após as conversações com o General Spínola passa pelo Palácio Foz, onde se encontrava o Director Nacional da Informação, Dr. Pedro Feytor Pinto, deslocando-se ambos para o Grémio Literário para reunirem com o Secretário de Estado da Informação, Dr. Pedro Pinto. O Dr. Nuno Távora informa da disponibilidade do Gen. Spínola de assumir o poder, caso o Prof. Caetano resignasse. O Dr. Pedro Pinto escreve uma mensagem ao Prof. Marcelo Caetano.

15:10 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).

Salgueiro Maia concede através de megafone um prazo de 10 minutos para a rendição do Quartel do Carmo, findo os quais abrirá fogo sobre o quartel.Imagem

15:15 - Imagem E.P.A. Escola Prática de Artilharia (EPA).
É dada ordem para as forças estacionadas no alto do Cristo Rei se deslocarem ao presidio da Trafaria e libertarem os 11 oficiais que alí se encontravam face aos acontecimentos do 16 de Março. Com um obus colocado na direcção do portão princípal o Ten. Andrade e Silva não tem dificuldade de obter a rendição e libertar os camaradas presos que sob escolta se dirigem a Lisboa.

15:25 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).
Esgotado o tempo concedido para a rendição do Quartel do Carmo, o Cap. Salgueiro Maia dá ordem ao Ten. Santos Silva para com as metralhadoras da torre da sua Chaimite, abrir fogo sobre a parte superior da frontaria do quartel. São disparadas várias rajadas estoirando vidraças da frontaria do edificio.
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15:30 - Imagem FORÇAS DO REGIME.
Nos dois pontos de decisão do regime o desânimo começa a instalar-se. No Quartel do Carmo o efeito psicológico da abertura de fogo pelas forças de Salgueiro Maia foi enorme. Há gritos e correrias no interior do quartel. O Prof. Marcelo Caetano já tem conhecimento que as forças comamandadas pelo Brig. Junqueira dos Reis estavam desfeitas e que no RL2 além do Comandante, 2.º Comandante e Major Cruz Azevedo, que se mantinham leais, os Capitães, Subalternos e Praças da unidade assumiam posições hostis ao Regime.

15:30 - Imagem FORÇAS DO REGIME.
Um helicoptero pousa no RL2 levando os Ministros da Defesa e do Exército para Monsanto. Este helicóptero só não transportou também o Prof. Marcelo Caetano porque no Quartel do Carmo não havia local onde pudesse aterrar.
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15:30 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).
Após ter cessado fogo surge junto do Cap. Salgueiro Maia o Coronel Abrantes da Silva. Salgueiro Maia pede ao Coronel para entrar no quartel do Carmo e dialogar com o Comando da GNR, tentado mostrar que "quem está lá dentro não pense que esta guerra está a ser feita por um simples Capitão." O Coronel Abrantes da Silva entra no quartel do Carmo ficando junto dos sitiantes o Major Velasco da GNR, como refém do Coronel.

15:45 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).
Sem resposta do interior do Quartel do Carmo e com a pressão do PC, Salgueiro Maia ordena nova rajada sobre a fachada do quartel. Sem resposta à sua intimação de rendição Salgueiro Maia decide utilizar armas pesadas. Há suspeitas que a força pode ser atacada por um heli canhão. Dr. Feytor Pinto aproxima-se do Largo do Carmo.

16:00 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).
Salgueiro Maia ordena a colocação de um blindado em posição de tiro. Os motores arrancam, a população em redor do edificio procura abrigos. Salgueiro Maia inicia a contagem: "um" . O silêncio no Largo é enorme, é gritado "dois" e antes da contagem final sugem junto do Cap. Salgueiro Maia conduzidos pelo Ten. Assunção dois civis que se apresentam como o Dr. Pedro Feytor Pinto (Director dos Seviços de Informação) e Dr. Nuno Távora, secretário do Dr. Pedro Pinto (Secretário de Estado da Informação e Turismo) que portadores de uma credencial do Gen. Spínola pretendendo dialogar com o Prof. Marcelo Caetano. É autorizada a sua entrada no quartel. ouvir aqui Salgueiro MAIA dar ordem de abrir fogo
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Re: 25 de Abril - as operações militares

Mensagempor Viriato » Domingo 27 Abril 2008, 09:28

16:00 - Imagem E.P.A. Escola Prática de Artilharia (EPA).
A EPA recebe ordem para ocupar o RL2

16:00 - Imagem MARINHA
Pelas 16:00 o cap-mar-guerra Pinheiro de Azevedo, comandante da Força de Fuzileiros do Continente, nomeia o cap. ten. Costa Correia para comandar uma força constituída por um Destacamento de Fuzileiros Especiais (Comando. 1.º ten. Vargas de Matos) e uma Companhia de Fuzileiros (Comando. 1.º ten. Varela). A força deveria dirigir-se ao Ministério da Marinha e obter a declaração formal de adesão da Marinha por parte do Chefe de Estado-maior da Armada.

16:05 - Imagem FORÇAS DO REGIME.
O Dr. Nuno Távora e o Dr. Feytor Pinto são recebidos pelo Prof. Marcelo Caetano. Nuno Távora informa o ainda Presidente do Conselho da disponibilidade do Gen. Spínola para aceitar a sua rendição e assumir o poder. Marcelo Caetano encontrava-se acompanhado pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Patricio e o seu Adjunto Militar, Comandante Coutinho Lanhoso. Marcelo Caetano decide pela sua rendição desabafando: "assim o poder não cai na rua". É redigida, pelo punho do Comandante Lanhoso a seguinte mensagem: "O Presidente do Conselho está pronto a entregar o Governo ao General António de Spínola, e espera-o, para tal fim, no Quartel do Carmo".ouvir aqui, Salgueiro Maia fala aos jornalistas

16:15 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).
O Dr. Pedro Feytor Pinto e o Dr. Nuno Távora saem do quartel e informam que irão falar com o gen. Spínola. Salgueiro Maia ordena ao Ten. Assunção que acompanhe os dois interlocutores a casa do General, deslocando-se num jeep da EPC.
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Re: 25 de Abril - as operações militares

Mensagempor Viriato » Domingo 27 Abril 2008, 09:29

16:30 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).
O Cap. Salgueiro Maia dirige-se ao Quartel do Carmo onde dialoga com o Comandante da unidade e outros oficiais verificando que a intensão era de rendição. Salgueiro Maia pede para falar com o Prof. Marcelo Caetano. O Cap. Salgueiro Maia é recebido pelo Prof. Marcelo Caetano. A conversa decorreu a sós e com grande dignidade. Nela o Prof. Caetano solicitou que um Oficial General fosse receber a transmissão de poderes para que o governo não caísse na rua, confirmando a sua rendição.ouvir aqui, Salgueiro Maia explicar a rendição de Marcello Caetano
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Re: 25 de Abril - as operações militares

Mensagempor Viriato » Domingo 27 Abril 2008, 09:45

16:35 - Imagem FORÇAS DO REGIME.
O Dr. Nuno Távora e o Dr. Feytor Pinto são recebidos pelo Gen. Spínola que perante o documento que lhe é entregue afirma não reconhecer a letra do Presidente do Conselho. O telefone toca. O Prof. Marcelo Caetano deseja falar com o Gen. Spínola. Marcelo Caetano confessa a sua derrota ao estar cercado por uma força de blindados e por uma multidão ululante. Afirma que ao render-se o queria fazer perante alguém que pudesse garantir a ordem pública. Não desejaria render-se a um capitão. Pede a Spínola para vir assumir o poder. Spínola mais uma vez reafirma que nada tem a ver com o Movimento. Marcelo Caetano mais uma vez lhe pede para vir quanto antes.

16:45 - ImagemGENERAL ANTÓNIO SPÍNOLA.
O General António Spínola liga para o PC falando com o Major Otelo. Pede para ser mandatado para receber a rendição do Prof. Marcelo Caetano. Spínola é mandatado pelo PC para receber a rendição de Marcelo Caetano. Spínola é também informado que os dirigentes do regime serão conduzidos ao Funchal por um DC 6 da Força Aérea.


18:00 - ImagemGENERAL ANTÓNIO SPÍNOLA.
O General Spínola chega ao Quartel do Carmo em automóvel. Écompletamente submerso por uma multidão que o aplaude O General é recebido por Salgueiro Maia Spínola fala com Marcelo Caetano informando-o que seguirá em avião militar para o Funchal.
ouvir aqui a chegada de Spinola

18:00 - Imagem E.P.A. Escola Prática de Artilharia (EPA).
A coluna da EPA comandada pelo Cap. Mira Monteiro monta o dispositivo cercando o RL2.

18:00 - Imagem REGIMENTO DE LANCEIROS 2 (RL2).

Dois Aspirantes, abrem os portões, dirigem-se ao comandante da força da EPA dizendo que todos os graduados milicianos e praças estão com o Movimento. O Capitão Mira Monteiro entra na unidade armado e acompanhado por dois furrieis, dirigindo-se ao Bar onde todos os oficiais se encontravam. A confusão era grande. Os subalternos tentam convencer o Comandante a aderir ao Movimento. Os Capitães afirmam aderir ao Movimento mas recusam a sairs da unidade. Os oficiais superiores não se manifestam. O Comandante da Unidade Coronel Pinto Bessa e o Major Cruz Azevedo recusam aderir ao Movimento. Pouco mais tarde a força sitiante entra no RL2 sem incidentes.

18:15 - Imagem REGIMENTO DE CAVALARIA 7.

Oficiais do RC7 dirigem-se ao comandante da força da EPA, que cercava o RL2, afiançando a sua adesão ao Movimento.

18h30 - Imagem ESCOLA PRÁTICA DE INFANTARIA (EPI).
À EPI, estacionada no aeroporto, é dada a ordem de se deslocar ao RAL1 para libertarem os oficiais presos naquela unidade des 16 de Março. Naquela unidade o Comandante Coronel Almeida Frazão mantinha-se numa posição hesitante entre a pressão do Cap. Simões e do Alferes Covelo e as ordens da hierarquia. Com a chegada ao RAL1 dos Cap. Rui Rodrigues e Albuquerque da EPI os oficiais presos no 16 de Março foram soltos.

18h30 - Imagem AGRUPAMENTO NORTE.
Chega a Lisboa e dirigem-se ao RAL1. Contactam com o Cap. Rosário Simões que acabava de convencer o Coronel Frazão a aderir ao Movimento. Encontram aí também a força da EPI. Seguem para a Manutenção Militar no Beato, onde as viaturas militares reabastecem, sendo distribuidas rações de combate para dois dias.

19h00 - Imagem ESCOLA PRÁTICA DE INFANTARIA (EPI).
É dada ordem para o Cap. Rui Rodrigues se deslocar com uma força ao Comando da Região Aérea em Monsanto e prender as individualidades que aí se refugiaram. Foram presos o Ministro de Exército, Gen Andrade e Silva, o Ministro da Defesa Dr. Silva Cunha e o Ministro da Marinha Alm. Pereira Crespo e mais quatro generais. Estas entidades foram conduzidas ao PC instalado no RE1 na Pontinha.

19h00 - Imagem AGRUPAMENTO NORTE.
O Agrupamento Norte vai-se separar: As forças do RI14 e RI10 apresentam-se no Quartel general da Região Militar de Lisboa e o RAP3 segue com a EPI prender os membros do Governo em Monsanto.

19h30 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).

Perante um Largo do Carmo a transbordar de população entusiasmada o Cap. Salgueiro Maia teme que a operação da retirado dos membros do regime do Quartel do Carmo acabe numa onda de violência. Uma Chaimite, de nome Bula, encosta à porta de armas nela entrando Marcelo Caetano, Rui Patrício, César Moreira Baptista e outros membros do Governo. A auto metralhadora rompe devagar por entre a multidão conduzindo Marcelo Caetano para o PC na Pontinha. ouvir a chegada do "Bula"
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Re: 25 de Abril - as operações militares

Mensagempor Viriato » Domingo 27 Abril 2008, 12:19

19h35 - Imagem E.P.C.
Saí do Quartel do Carmo, numa Auto-Metralhadora Chaimite, sob escolta da EPC, o Prof. Marcelo Caetano. Com ele seguem alguns ex-Ministros. Dirigem-se ao Posto de Comando do MFA no regimento de Engenharia 1, na Pontinha.
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