Obituário

Re: Obituário

Mensagempor zézen » Quarta-Feira 15 Julho 2009, 23:26

Qualquer revisa que se preze, detesta Palma Inàcio.

Honra à memòria do Antifascista Palma Inàcio.
a.o.s., foi, é, e serà sempre, um F.D.P.
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Re: Obituário

Mensagempor Viriato » Quinta-Feira 16 Julho 2009, 14:35

e o dinheiro roubado no banco de Portugal o que é que foi feito dele ?
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Re: Obituário

Mensagempor XôZé » Quinta-Feira 16 Julho 2009, 16:07

Viriato Escreveu:e o dinheiro roubado no banco de Portugal o que é que foi feito dele ?


Com ele não ficou de certeza.

Foi para o PS, o que é que estavas à espera.
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Re: Obituário

Mensagempor Tovi » Quinta-Feira 16 Julho 2009, 18:42

XôZé Escreveu:(...) Foi para o PS, o que é que estavas à espera.

Na altura do assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz (Maio de 1967) o Palma Inácio militava na LUAR (Liga de Unidade e Acção Revolucionária) tendo aderido ao PS somente após o 25 de Abril de 1974.
http://tovi.blogs.sapo.pt
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Re: Obituário

Mensagempor Arp » Quinta-Feira 16 Julho 2009, 19:18

XôZé Escreveu:
Viriato Escreveu:e o dinheiro roubado no banco de Portugal o que é que foi feito dele ?


Com ele não ficou de certeza.

Foi para o PS, o que é que estavas à espera.


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a 17 de Maio de 1967, minutos antes das quatro da tarde, hora do encerramento da agência, Palma Inácio e três companheiros entram pelas instalações e em breve saem com três sacos contendo um pouco mais de 29 000 contos, quantia muito apreciável para a época, a caminho da fronteira espanhola.

Fora um rude abalo ao prestígio do Estado, mas na realidade não muito rentável para a LUAR. Das notas roubadas, 12 000 de 500$00, não haviam ainda sido postas em circulação, o que não as tornava susceptíveis de reembolso ou troca. Também parte do produto do assalto eram 18 500 notas de mil escudos, prontamente retiradas de circulação. De qualquer modo, informadores da PIDE infiltrados na LUAR levaram a que 11 000 contos fossem recuperados numa quinta dos arredores de Paris, assim como idêntica quantia escondida numa mina de água perto de Guimarães.
Com os fundos ainda passíveis de serem utilizados adquiriram-se armas na Checoslováquia, então enviadas a depósitos na Bélgica, França e Portugal.


O Governo Português solicitou a várias autoridades estrangeiras a extradição dos quatro culpados, o que foi sempre recusado por o assalto haver sido considerado um acto político.

.../...

O anticlimático fim de uma fulgurante carreira

O mais famoso revolucionário do tempo torna-se então militante do Partido Socialista. Mário Soares propõe para ele em 1994 a concessão da Ordem da Liberdade mas a proposta não é aceite pelo Conselho das Ordens. Só seis anos mais tarde, durante o mandato de Jorge Sampaio, é que recebe pela mão de Manuel Alegre as insígnias dessa condecoração.

Dada a sua idade, ingressa num Lar fundado por ex-alunos da Casa Pia de Lisboa, onde mal subsiste com uma modesta pensão de reforma, tendo-se, por razões de consciência, abstido de solicitar reingresso nas Forças Armadas com o posto que através dos anos lhe haveria correspondido, como a lei autorizava.

Era o singelo desenlace da aventurosa carreira do homem mais temido pela Ditadura, incessantemente empenhado numa luta pela liberdade sem jamais haver recorrido à violência física.

http://www.portuguesetimes.com/Ed_1929/ ... acron3.htm
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Re: Obituário

Mensagempor XôZé » Quinta-Feira 16 Julho 2009, 19:29

Com a pesquisa do Arp considero-me esclarecido. :)
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Re: Obituário

Mensagempor XôZé » Terça-Feira 25 Agosto 2009, 19:41

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Tal como recebi via e-mail de um amigo comum que reside na zona de Ovar e que tem a mania que é pasteleiro mas cujo nome o bom senso não me permite identificar. :whistle:

HERMÍNIO DA PALMA INÁCIO - Ladrão e Homicida na Forma Tentada

Faleceu em Lisboa, no passado dia 14 de Julho, Hermínio da Palma Inácio,
glorificado pela opinião publicada como um revolucionário artífice da liberdade
a quem a democracia portuguesa muito deve. Estamos em democracia e, por isso,
toda a gente tem direito à sua opinião, incluindo eu próprio, cidadão anónimo e
contribuinte fiscal que nunca roubou o Estado, antes pelo contrário, pelo Estado
foi roubado. Só que a minha opinião sobre essa figura sinistra é completamente
divergente da publicada. Antes de prosseguir, quero deixar claro que não conheci
Palma Inácio pessoalmente, embora tenha lido, senão tudo, seguramente quase tudo
o que sobre a sua personagem foi publicado. Adicionalmente, recolhi de quem o
conheceu muito bem, informação insuspeita sobre o seu perfil ético. Essa
informação foi-me dada por um General Piloto-Aviador ao tempo Chefe do
Estado-Maior da Força Aérea, e a conversa teve lugar no seu gabinete de
trabalho, onde eu procurava despacho para assuntos da sua exclusiva competência,
sendo que um deles era a nomeação de um militar para um cargo no estrangeiro. Na
pré-selecção feita pelos serviços competentes, estavam nomeáveis três militares
que eu conhecia muito bem. Pediu o meu parecer pessoal e eu dei-lho,
recomendando um deles que tinha uma folha de serviço exemplar, era
reconhecidamente muito competente e pautava o seu comportamento por um elevado
padrão ético. O Senhor General ouviu atentamente os meus argumentos e, para
minha surpresa, ficou em silêncio por um longo momento. De seguida levantou-se
da sua secretária e convidou-me a sentar num recanto do gabinete onde estavam
dois sofás e uma mesa de apoio. "Senta-te aqui, tu és muito novo e eu quero
contar-te uma história de como gente "muito competente" pode, ao mesmo tempo,
ser extremamente perigosa". E contou-me ali a seguinte história de Hermínio da
Palma Inácio. Esse Senhor General era ao tempo capitão aviador na Base Aérea de
Sintra onde Palma Inácio, com o posto de 1º Cabo, tinha, num passado recente,
sido mecânico na "linha da frente", isto é, tinha a responsabilidade da pequena
manutenção e reabastecimento dos aviões, portanto da respectiva prontidão
imediata para voo, funções que desempenhara de forma comprovadamente muito
competente e onde conquistara a estima de todos os pilotos. Depois, saiu da
Força Aérea para exercer funções semelhantes no meio civil. Em 1947, já depois
da sua saída, aconteceu na Base Aérea o que parecia impensável. Um dos pilotos,
ao passar a obrigatória inspecção exterior a um avião no qual iria voar de
seguida, notou que os cabos de comando dos lemes do avião (cabos de aço
compostos por um enrolamento de fios de aço de menor secção) estavam em mau
estado, parecendo meio cortados. Dado o alarme e após pormenorizada análise,
confirmou-se terem os ditos cabos sido, não cortados como a imprensa actualmente
relatou, mas intencionalmente serrados o suficiente para, com o avião ainda em
terra, transmitir movimento aos lemes - e iludir o piloto - mas para
inevitavelmente quebrar quando sujeitos à elevada pressão aerodinâmica do voo,
deixando o avião no ar sem qualquer possibilidade de controlo, provocando a sua
inevitável queda e destruição e a mais que provável morte de pilotos. E
constatou-se ainda que tinham sido serrados os cabos de comando de todos os
aviões, num acto de sabotagem total da frota, cuja autoria se confirmou ser de
Palma Inácio que foi preso pela PIDE. O Senhor General alertava-me desse modo
para o facto, aliás bem conhecido, de que uma intenção altamente malévola pode
ser - e frequentemente é - convenientemente camuflada com um comportamento
profissional irrepreensível. Certamente a atestar também o seu apreço pelo
elevado perfil profissional de Palma Inácio, o então Major Humberto Delgado,
aproveitanto um voo de treino chegara mesmo a levá-lo em passeio aéreo, apesar
da grande diferença de posições

. Ao elevado e generalizado apreço que a Força Aérea Portuguesa lhe demonstrou -
depois de lhe ter proporcionado uma formação técnica de grande valia
profissional no quadro de um mais que deprimido mercado de trabalho em 1947,
Palma Inácio retribuiu com a preparação da destruição material da frota de
aviões de treino, essencial ao funcionamento e crescimento da Força Aérea, e com
a frieza assassina de quem não hesitou em condenar à morte os seus camaradas
pilotos, aqueles mesmos que tanta consideração lhe dispensaram. À semelhança do
que fez a Acção Revolucionária Armada (Partido Comunista Português) em 8 de
Março de 1971 na Base Aérea de Tancos onde, durante a noite, destruiu 28 aviões
e helicópteros guardados num hangar, evitando deliberadamente atingir pessoas,
Palma Inácio podia simplesmente ter cortado os cabos de comando ou podia ter
feito explodir os aviões. Mas isso não lhe bastou: quis também assassinar os
pilotos! Foi responsável por algumas imbecilidades como, por exemplo, a
tentativa de ocupação da cidade da Covilhã, mas o imaginário nacional relembra-o
essencialmente pelo desvio, em 11 de Novembro de 1961, de um avião
Super-Constellation da TAP de onde largou sobre Lisboa panfletos contra o regime
de Salazar, e também pelo, até recentemente, maior roubo bancário em Portugal
quando, em 1967, liderou o assalto à dependência do Banco de Portugal na
Figueira da Foz, de onde roubou vinte e nove mil contos, uma elevadíssima
quantia para a época. Preocupado como dizia estar com a pobreza do País,
consequência da "ditadura" do Estado Novo, podia ter copiado do Zé do Telhado o
gesto simbólico de uma ostensiva distribuição pelos pobres, o que seguramente
teria envergonhado o Regime. Mas não. Palma Inácio não era um altruísta. Levou o
dinheiro para Paris, para o banquete da fauna desertora e são conhecidas as
desavenças que a farta refeição provocou, porque o objectivo não era envergonhar
o Regime, era encher a gamela. Como terá dito Mário Soares, Palma Inácio "Era um
homem de grande imaginação revolucionária. Não era propriamente um político...".
Tem toda a razão e por isso os seus actos não põem ser considerados
"políticos". De facto, durante todo o período da "ditadura" não se lhe conhece
filiação partidária. Também se lhe não conhece qualquer projecto alternativo de
governação que pudesse legitimar uma oposição ao Regime, como foi o caso do
próprio Mário Soares e de Álvaro Cunhal. Foi só depois da Revolução de Abril
que, a fazer fé na imprensa da época, Mário Soares o convenceu a filiar-se no
Partido Socialista e, de seguida, lhe ofereceu, de mão beijada e a troco sabe-se
lá de que, o lugar de Director-Geral do Ministério do Trabalho, função para a
qual Palma Inácio não podia ter a menor qualificação. Favores de amigos. A
propósito da morte de Palma Inácio e a fazer também fé na imprensa , Almeida
Santos, Presidente do Partido Socialista, declarou que Palma Inácio foi "...um
exemplar patriota" e terá sido por este mesmo critério que Jorge Sampaio, em
Maio de 2000, quando exercia as funções de Presidente da República, o agraciou
com o elevado grau da Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

- "Humberto Delgado - Biografia do General Sem Medo", pág. 905

- "Diário de Notícias", 15 de Julho de 2009, pág. 8

- "Diário de Notícias", 15 de Julho de 2009, pág. 8

Perante tudo isto, ocorre-me perguntar se eu - que não fui, não sou nem nunca
serei socialista e que, tal como Palma Inácio não gostava de Salazar, eu não
gosto do Senhor Primeiro-Ministro José Sócrates e do seu governo, como não gosto
da ditadura de partidos que ultimamente vem governando Portugal - decidir
assaltar uma qualquer dependência do Banco de Portugal e roubar pelo menos uns
cinco milhões de euros, o que me dava um jeitão para ajudar a educar bem os
netos e deixar-lhe algum conforto material que a minha reforma me não vai
permitir; se eu que, tal como Palma Inácio tinha, tenho acesso fácil a qualquer
Base Aérea nacional, decidir sabotar e destruir o avião Falcon em que o Governo
se passeia por esse mundo à nossa custa e atentar contra a vida de uns pilotos,
(prometo que, esse caso, eu que, contrariamente a Palma Inácio, sou um
democrata, terei o cuidado de não atentar contra a vida do Senhor
Primeiro-Ministro porque ele foi democraticamente eleito, ainda que por um povo
meio distraído e imbecilizado pelo futebol e pelas telenovelas), será que o
Partido Socialista me confere a distinção de me considerar um "exemplar
patriota", me arranja um lugar bem remunerado no conselho de administração de um
desses Institutos Públicos para onde é desviado o dinheiro dos contribuintes
para aí ser gerido por "exemplares patriotas", como na opinião publicada se
pretende fazer crer que Palma Inácio foi, e depois - a cereja no cimo do bolo -
me confere aí um grau qualquer da Ordem da Liberdade (não tem que ser a
Grã-Cruz)? A verdade, a minha e a de muitos outros portugueses da minha geração
que lhe conhecem o perfil, é que Palma Inácio não prestou qualquer serviço ao
País, por muito que isso doa aos desertores que tudo torcem para justificar a
sua deserção, a sua traição à Pátria. Posto em termos simples e claros e entre
outras coisas:

Palma Inácio foi um mero ladrão - procurei mas não consegui encontrar outro
adjectivo para qualificar uma pessoa que assalta um banco e rouba vinte e nove
mil contos - com os quais muitos se devem ter banqueteado e, porventura, se
sentem agora na obrigação de o glorificar em termos nacionais.

Palma Inácio traiu a Força Aérea, tentou o homicídio dos mesmos pilotos com quem
lidou diariamente e que lhe dispensaram uma consideração que não merecia,
constituindo-se homicida na forma tentada.

Mais tarde, já no Brasil, aproximou-se do Senhor General Humberto Delgado (o
mesmo que lhe dispensou a consideração pessoal de o levar a voar) tornou-se
membro do MNI e na hora certa traiu-o também, o que obrigou Humberto Delgado a
"...expulsá-lo «por traição..."

Ora... façam-me o favor de parar com o sistemático branquear da História. A
traição não é, nem nunca será, convertível em virtude. Haja vergonha!

Espanha, 22 de Julho de 2009

Fernando Paula Vicente, Major-General da Força Aérea Portuguesa (Reformado)
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Re: Obituário

Mensagempor Arp » Terça-Feira 25 Agosto 2009, 20:56

Publicado aqui...
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("A Bem da Nação", claro.)
http://nacionalismo-de-futuro.blogspot. ... litar.html

...toma lá outro artigo (do qual segue trecho) do caríssimo Sr. Major-General, que eu sei que vai encher a tua alma (e a de outros por estas bandas) de entusiasmado contentamento... :grin:

Fernando Paula Vicente Maj-General na reserva, Escreveu:Imagem
O descontentamento militar

Liderada por comunistas, socialistas e toda a gama de oportunistas, nestes se incluindo muitíssimos militares — recorde-se aqui o sinistro Conselho da Revolução — tudo aquilo que a revolução conseguiu foi destruir as estruturas do Estado, por em prática um plano de nacionalizações cujo verdadeiro impacto está ainda por quantificar e conceder, ilegitimamente até do ponto de vista constitucional, a prematura independência às Províncias Ultramarinas, com as consequências que todos conhecemos e que, lá, se cifraram pela destruição quase completa das muitas infra-estruturas existentes e por centenas de milhares de mortos.
O saber, o aprender o novo, só não encontra espaço em cabeças que já estão cheias, principalmente de ideias preconcebidas.
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Re: Obituário

Mensagempor Tovi » Terça-Feira 25 Agosto 2009, 21:10

Nunca tinha ouvido falar neste Fernando Paula Vicente… mas pelo acabo de ler parece-me jeitoso. :o
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Re: Obituário

Mensagempor XôZé » Terça-Feira 25 Agosto 2009, 21:10

Desculpe meu caro amigo mas até hoje, desconhecia quem era o senhor Vicente. :shock:

Não fosse o tal amigo comum e jamais saberia de que se tratava. :?

Não tenho por costume frequentar esse género de sáites.

De qualquer forma e apresentado que está, assim fica e olha que não me parece ser má pessoa. :mrgreen:
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