os bancos à beira da falência

Re: os bancos à beira da falência

Mensagempor XôZé » Sábado 6 Dezembro 2008, 00:05

jornal PÚBLICO Escreveu: Dias Loureiro e Jorge Coelho accionistas de gestora de um fundo financiado por fraude ao IVA

:arrow: http://economia.publico.clix.pt/noticia ... idCanal=57


É o chamado Bloco Central! :chapada:
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Re: os bancos à beira da falência

Mensagempor XôZé » Terça-Feira 23 Dezembro 2008, 12:17

Descubram as diferenças... :whistle:



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Inspirado aqui :arrow: http://arrastao.org/


Quando vi o vídeo a 1ª vez também tinha ficado com a mesma ideia, já para não falar no estilo apaneleirado dos actores. :evil:
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Re: os bancos à beira da falência

Mensagempor XôZé » Sábado 27 Dezembro 2008, 18:57

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Há milhares de empresas, grandes, pequenas e gigantes, espalhadas por esse mundo fora, onde a gestão é bem feita, o trabalho é sério, a produção é de qualidade e a comercialização é adequada. E, todavia, estão à beira da falência, suspendendo a produção, fechando para férias não desejadas nem previstas ou suplicando a ajuda dos governos. E, porquê? Porque o mercado não quer os seus produtos, porque não são concorrenciais? Não, porque o mercado não tem dinheiro para comprar o que produzem. E não tem, porque as poupanças médias foram sorvidas, melhor dizendo, roubadas, pelo sector financeiro especulativo. Não há dinheiro na mão dos consumidores porque os Oliveira Costa, os Rendeiros, os Madoff deste mundo agarraram nas poupanças que lhes confiaram e desbarataram-nas de duas maneiras: ou aplicando-as em pura especulação, sem qualquer critério de prudência e boa gestão; ou, pura e simplesmente, roubando-as, em benefício próprio.

Bernard Madoff representa o ponto extremo do capitalismo de sarjeta tão caro ao espírito «laissez faire, laissez passer» que os liberais dos tempos modernos nos venderam como cartilha tão infalível quanto a do marxismo-leninismo. Ambas têm em comum a capacidade notável de conduzir as nações à ruína, em benefício de uma restrita elite: a da casta dos «play-makers» da alta finança ou a dos quadros do Partido. Nicolae Ceausescu, que chefiava uma nação comunista e miserável, vivia rodeado de mordomias só comparáveis às dos marajás da Índia imperial: mas era tido e louvado como um ‘revolucionário socialista’. Bernard Madoff, que simbolizava exemplarmente o sonho americano de vir do nada até ao infinito, era cativante, ‘moderno’, filantropo, sócio do Palm Beach Country Club, garantia de seriedade e profissionalismo: um génio da finança, que se dava ao luxo de não aceitar qualquer cliente para a sua ‘grande mentira’. Com uma diferença: Ceausescu só enganava quem se queria deixar enganar; Madoff enganou todos, ao longo de trinta anos, e, entre eles, os melhores bancos do planeta, a fina flor dos analistas financeiros e as autoridades de suposta vigilância dos mercados americanos. Ah, e outra diferença: Ceausescu acabou preso e executado; Madoff está em casa, de pulseira electrónica e rodeado de luxo. Dir-me-ão que Ceausescu foi responsável pela morte de milhares de pessoas e Madoff não. Até certo ponto: Madoff levou e levará milhares de pessoas ao desemprego, milhares de famílias à miséria, dezenas de organizações de beneficência ao fim, alguns, mais desesperados, ao suicídio. Estou como o dr. Mário Soares: terá de haver sangue. Mas, forçosamente, suor e, desejavelmente, lágrimas.
Isto não é apenas uma crise económica, nem o resultado das aventuras criminosas de algumas ovelhas tresmalhadas do rebanho. Isto é, sobretudo, o resultado de uma crise de valores — políticos, sim, mas também éticos. É o resultado de o Estado se ter demitido do seu papel de vigilância e controlo dos poderosos e de a sociedade se ter dispensado de questionar a origem dessas súbitas e espantosas fortunas que cresceram debaixo dos nossos pés. O dinheiro deixou de ser um ponto de chegada para passar a ser um ponto de partida. Dantes, era necessário justificar socialmente a origem do dinheiro e nem mesmo os novos-ricos legítimos eram bem aceites; hoje, é o dinheiro que, por si só, justifica tudo. Lembro-me de o meu pai me contar que, num julgamento onde participava, apareceu para testemunhar um senhor com um ar importantíssimo e cheio de si que, perguntado pela profissão, respondeu: — Capitalista! A sala rebentou numa gargalhada e o juiz interpelou-o: — Isso não é profissão... — Pode crer que é, sr. dr. juiz! — volveu o tipo, sempre seguro de si e da sua importância. Sem o saber, estava, contudo, apenas a antecipar o que viria a ser a regra banal dos tempos de hoje. Nesses tempos de então, o homem mais rico de Portugal, António Champalimaud, detestava que alguém se atrevesse a tratá-lo por ‘capitalista’ e definia-se sempre como um ‘industrial’ — palavra que, a seus olhos, tinha quase uma conotação marxista, de quem se impunha pelo seu trabalho, pelo seu talento, pela obra feita e pela riqueza criada. Hoje, um dos homens que integra a lista dos dez mais ricos de Portugal, entrevistado neste mesmo jornal há tempos, revelava com orgulho que não dava trabalho a mais do que meia dúzia de ‘colaboradores’. Era e é um mero especulador bolsista, aplicando a velha máxima marxista de que o dinheiro gera dinheiro e convencido de que é um génio da finança e da ‘gestão’. Espero que esteja agora afogado nos fundos Madoff ou em barris de petróleo comprados a 147 dólares o barril, enquanto nós e o país sofríamos com os preços inflacionados por estes abutres do sistema...

A crença de que a sociedade e o poder político se tinham desinteressado de questionar a origem das fortunas e a legitimidade dos negócios puramente especulativos levou a uma espécie de embriaguez moral, que corrompeu sem remissão excelentes quadros financeiros, extremosos chefes de família e devotos cristãos sem mácula. Quando leio que as administrações do BCP — esse «case study» da excelência bancária — criaram dezassete «off-shores», que, entre outras coisas pouco recomendáveis, poderão ter servido também para comprar anonimamente acções do próprio branco e assim fazer subir artificialmente as suas cotações (e, logo, fazer empolar os resultados do exercício e os prémios de gestão dos próprios administradores), apercebo-me de que isto, a confirmar-se, é a completa falta de vergonha. Eram os gestores a usarem o dinheiro do banco para, indirectamente, se enriquecerem a si próprios. Ou seja, roubarem o próprio banco que geriam. E ainda querem a prisão preventiva para quem assalta carros?
Vi há dias uma manifestação de desempregados do Norte, gente que viu ir à falência uma série de empresas que nem sequer lhes pagaram os salários até ao encerramento. Eram umas duas centenas de trabalhadores, em representação de cerca de 6000 que estão nestas condições e que reclamavam uma coisa muito simples: se há dinheiro do Estado para pagar os buracos dos bancos, por que não há dinheiro para lhes pagar a eles e depois ir executar as empresas? De facto, eles têm toda, absolutamente toda, a razão. Trata-se de 90 milhões de euros que lhes são devidos — em comparação com os mil milhões já injectados nessa vergonha do BPN ou os 450 milhões de aval (obviamente perdidos) nessa brincadeira do BPP. É indispensável que haja um mínimo de moralidade em toda esta escandaleira. É preciso que não sejam os contribuintes e os trabalhadores sem culpa alguma a pagar a factura dos crimes alheios, para que eles fiquem apenas menos ricos e impunes e possam, mais adiante, retomar o «business as usual» e voltar a reclamar os mesmos privilégios, atenções e louvores do costume. Por muito menos do que isto fizeram-se revoluções.

expresso, 27.dez, pág. 7
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Re: os bancos à beira da falência

Mensagempor XôZé » Sábado 24 Janeiro 2009, 05:17

Desculpem mas como fiquei muito sensibilizado com o gesto :( , tinha mesmo que vos trazer este recorte.

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PUTA QUE PARIU PORQUE QUEM ESTÁ A SALVAR O PANILAS SOU EU E TODOS VOCÊS!!! :dedo: :chapada: :dedo: :chapada: :dedo: :chapada:
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Re: os bancos à beira da falência

Mensagempor Arp » Sábado 24 Janeiro 2009, 12:35

:risada:

Qual é o problema? É dinheiro muito bem aplicado.
Pelo menos não estamos a salvar comunas nem ciganos ou pretos, salvam-se os da cor.


:content:
O saber, o aprender o novo, só não encontra espaço em cabeças que já estão cheias, principalmente de ideias preconcebidas.
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Re: os bancos à beira da falência

Mensagempor Viriato » Sábado 24 Janeiro 2009, 14:21

Arp Escreveu::risada:

Qual é o problema? É dinheiro muito bem aplicado.
Pelo menos não estamos a salvar comunas nem ciganos ou pretos, salvam-se os da cor.


:content:


mas, toda a gente é de cor
só que nós somos de cor normal ! :mrgreen:
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Re: os bancos à beira da falência

Mensagempor Arp » Sábado 24 Janeiro 2009, 16:19

...e provavelmente toda a gente é comuna e cigano, mas há os comunas e os ciganos normais. :whistle:
O saber, o aprender o novo, só não encontra espaço em cabeças que já estão cheias, principalmente de ideias preconcebidas.
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Re: os bancos à beira da falência

Mensagempor zézen » Domingo 25 Janeiro 2009, 10:26

XôZé Escreveu:Desculpem mas como fiquei muito sensibilizado com o gesto :( , tinha mesmo que vos trazer este recorte.


Não me digas que o Carmona não se pode pronunciar sobre o TGV ? :o

:whistle:
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Re: os bancos à beira da falência

Mensagempor zézen » Quinta-Feira 5 Fevereiro 2009, 11:57

Olhem para o Obama!
[Publicado por AG]

A medida que a Administração Obama hoje anunciou, impondo um limite de $500.000/ano aos salários auferidos pelos altos responsáveis de instituições financeiras não só se impõe do ponto de vista ético, como faz sentido do ponto vista prático: uma das causas principais da "exuberância irracional" dos mercados financeiros - a tal que acabou por arrastar a economia real para a crise que hoje arrasa o mundo inteiro - foi a aberrante distorção de incentivos, incluindo os salários e prémios escandalosos, pagos aos executivos das direcções dos bancos de investimento, das agências de rating, etc.

Estes "mestres do universo" da treta passaram anos a tomar decisões sobre investimentos e risco financeiro desligadas da realidade e ao serviço dos seus próprios portfolios de acções e obrigações.

Hoje, nos EUA e noutros países, o Estado vê-se obrigado a injectar balúrdios de dinheiro público em bancos e instituições financeiras em estado comatoso. O mínimo de moralidade impõe que esses mesmos Estados determinem limites e exijam contenção e decência a quem gere tais instituições.

O próprio Presidente Obama fez notar que os americanos estão zangados por os executivos das instituições agora ajudadas pelo Estado estarem "a ser recompensados pelo falhanço".

Espero que em Portugal, o governo de José Sócrates não tarde a seguir nas pegadas dos EUA e imponha limites salariais aos gestores da banca - Banco de Portugal e Caixa Geral de Depósitos incluídos - e especialmente em todas as instituições financeiras que só poderão sobreviver à custa do dinheiro dos contribuintes.
http://www.causa-nossa.blogspot.com/
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Re: os bancos à beira da falência

Mensagempor XôZé » Quinta-Feira 5 Fevereiro 2009, 17:31

zézen Escreveu: ...Espero que em Portugal, o governo de José Sócrates não tarde a seguir nas pegadas dos EUA e imponha limites salariais aos gestores da banca - Banco de Portugal e Caixa Geral de Depósitos incluídos - e especialmente em todas as instituições financeiras que só poderão sobreviver à custa do dinheiro dos contribuintes.
http://www.causa-nossa.blogspot.com/


Esta senhora, lá de quando em vez senão muito raramente, diz umas verdades. :grin:

O pior é que quem manda, não lhe liga patavina. :shock:

É pena. :cry:
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