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Re: 25 de Abril - as operações militares

MensagemEnviado: Domingo 27 Abril 2008, 13:04
por Viriato
20h00 - Imagem FORÇA AÉREA.
O Ten-Cor.pára-quedista Silva e Sousa e o Cap. Pára Lopes Nunes apresentam-se no PC colocando o Batalhão de pára-quedista às ordens do Movimento. São dadas ordens para render algumas unidades que se encontravam mais esgotadas e para enviar uma Companhia para o forte de Caxias.

20h00 - Imagem MARINHA.

A força comandada por Costa Correia chega às instalações do Ministério da Marinha no Terreiro do Paço. O chefe do Estado-maior da Armada, Almirante Ferreira de Almeida, manda informar a força que já comunicara oficialmente a adesão da Marinha ao Movimento.

20h30 - Imagem POSTO DE COMANDO (PC).
O General António Spínola, chega ao PC. Com ele os membros do Governo presos. Spínola cumprimenta o Maj. Otelo e os outros elementos no PC dizendo: "Senhores oficiais, devo começar por informá-los que acabo de assumir o poder no Quartel do Carmo. Agora vamos ao trabalho" De imediato os oficiais afetos ao Gen. Spínola começam a dar ordens e efectuar nomeações, com especial evidência o Ten-Cor Almeida Bruno que nomeia o Major Manuel Monje para comandar RL2 e o Major Casanova para ir tomar conta do aeroporto.

20h30 - Imagem POPULAÇÃO DE LISBOA.
O Povo de Lisboa que desde manhã seguia as movimentações militares, começava a engrossar pelas ruas da Baixa, à medida que as Forças do Movimento iam conquistando objectivos. A população começou a dirigir-se maciçamente para a sede da PIDE/DGS na Rua António Maria Cardoso.

20h30 - Imagem P.C. Posto de Comado Marinha.

O Comandante Victor Crespo no PC, comunica que estacionou no Ministérios da Marinha uma força comandada pelo Comandante Costa Correia.

21h00 - Imagem PIDE/DGS.
Agentes da PIDE vendo a sua sede cercada de população abrem fogo indiscriminado tendo efectuado 4 mortes e 45 feridos que serão socorridos pela Cruz Vermelha e encaminhados para o Hospital S. José e Hospital Militar.
documento sonoro: a PIDE abre fogo

21h00 - Imagem R.C.3 Regimento de Cavalaria 3 (RC3).
O Cap. Andrade Moura do RC3, estacionado no Largo do Carmo, ouve os disparos e é informado por populares do que se passava na sede da PIDE. Faz deslocar uma viatura blindada e alguns jeeps com pessoal do RC3 e RI1para o local. Com enorme dificuldade consegue aproximar-se e monta um cerco, à distância à sede da PIDE. Não tem, no entanto, pessoal suficiente para tentar qualquer assalto.

21h15 - Imagem POSTO DE COMANDO (PC).
O ambiente de alguma descontração que se vivia no PC, com os oficiais afetos ao Gen. Spínola a tomar posições, é interrompido pelo Cap.Rosado da Luz, que quase aos grito, comunica que a "guerra ainda não está ganha" e relata a situação explosiva na Rua António Maria Cardoso.

21h30 - Imagem POSTO DE COMANDO (PC).
O Major Otelo pede ao gen. Spínola para convencer o ex-Ministro do Interior, César Moreira Baptista, que estava preso na unidade para convencer o Director da PIDE, Silva Pais a render-se. O telefonema é feito, Silva Pais mostra-se disposto à rendição, caso as Forças Armadas garantam protecção aos agentes.

22h00 - Imagem MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS. (MFA)
Foram chamados telefonicamente os elementos indigitados para a Junta de Salvação Nacional. Foram chegando pela seguinte ordem: General Costa Gomes, Capitão de Fragata Rosa Coutinha, Brigadeiro Jaime Silvério Marques que fora preso essa manhã no BC5, Coronel Galvão de Melo, Capitão de Mar e Guerra Pinheiro de Azevedo. O General Diogo Neto está ausente em Moçambique.

22h00 - Imagem E.P.C. Escola Prática de Cavalaria (EPC).
Após escoltar o General Spínola e a Chaimite que conduzia Marcelo Caetano ao RE1, as forças da EPC seguem para o Colégio Militar onde é servida uma refeição quente a todo o pessoal. Pelas 22:00 a EPC com seis viaturas blindadas às ordens do Major Manuel Monje com o fim de terminar qualquer hipótese de resistência do RL2 e RC7 e prender os Comandantes. Ao chegarem a situação estava completamente controlada pela EPA. O pessoal da EPC irá pernoitar no RC7.

22h00 - Imagem MARINHA
Almada Contreiras, que fazia a ligação da Marinha ao PC, comunica a Costa Correia que a sede da PIDE/DGS resistia e que teriam aberto fogo sobre a população, pelo que seria necessário isolar a zona e obter a sua rendição. Costa Correia de imediato ordena a preparação da força pedindo a Contreiras que avise outras forças no local da sua deslocação.

23h00 - Imagem MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS. (MFA)
Vai iniciar-se uma reunião entra a Junta de Salvação Nacional e oficiais que estiveram ligados à redacção do Programa do MFA. Eram eles: Tenente Coronel Charais, Major Vítor Alves e Capitão Tenente Vítor Crespo a que se juntara o Capitão Costa Martins. O projecto de poder pessoal de Spínola de imediato emerge. Iria acontecer o primeiro de muitos confrontos entre o General Spínola e o MFA. Spínola afirma ser necessário rever o Programa do MFA que anteriormente aceitara. O impasse só se desfaz quando o Capitão Tenente Vítor Crespo lhe diz: "os blindados e tropas ainda estão na rua, se for preciso continua-se com o golpe".

Re: 25 de Abril - as operações militares

MensagemEnviado: Domingo 27 Abril 2008, 13:14
por Viriato
23h00 - Imagem FORÇA AÉREA.
Duas companhias de páraquedistas aterram na Portela vindas de Tancos. Uma das companhias sob o comando do Cap. Silva Pinto rende as forças esgotadas da EPI. A outra companhia segue para o forte de Caxias, em viaturas do 2.º GCAM tendo à frente os Capitães José Brás e Mário Pinto.

23h45 - Imagem JUNTA DE SALVAÇÃO NACIONAL. (JSN)
A JSN reune-se e aprovam a Proclamação da Junta e designam com Presidente da República o General António de Spínola. Esta designação foi contrária ao anteriormente acordado com o MFA que escolhera o General Costa Gomes.

23h45 - Imagem MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS. (MFA)
É publicada legislação referente à destituição do Regime Deposto e legitimação do novo Poder Revolucionário; - Lei n.º 1/74: destitui das suas funções o Presidente da República e o Governo, dissolve a Assembleia Nacional e o Conselho de Estado e determina que todos os poderes atribuídos aqueles aos referidos órgãos passem a ser exercidas pela JSN. - D.L. n.º 169/74: exonera os Governadores Gerais dos Estados de Angola e Moçambique e determina que as suas funções passem a ser desempenhadas interinamente pelos Secretáriso Gerais desse Estados. - D.L. n.º 171/74: extingue a DGS, LP e MP. - D.L. n.º 172/74: dissolve a ANP. - D.L. n.º 179/74: exonera os Governadores Civís do Continente e Ilhas.

Re: 25 de Abril - as operações militares

MensagemEnviado: Domingo 27 Abril 2008, 13:19
por Viriato

26 de Abril 1974


01h00 - Imagem JUNTA DE SALVAÇÃO NACIONAL. (JSN)
A JSN saí do RE1 na Pontinha rumo aos estúdios da RTP, escoltada por blindados ligeiros comandados pelo Maj. Jaime Neves do Grupo L34.

Re: 25 de Abril - as operações militares

MensagemEnviado: Domingo 27 Abril 2008, 13:23
por Viriato
01h30 - Imagem JUNTA DE SALVAÇÃO NACIONAL. (JSN)
Ladeado pelos elementos da JSN o General António de Spínola lê, perante as camaras da RTP a Proclamação da Junta de Salvação Nacional.

Re: 25 de Abril - as operações militares

MensagemEnviado: Domingo 27 Abril 2008, 13:25
por Viriato
01h30 - Imagem JUNTA DE SALVAÇÃO NACIONAL. (JSN)
Ladeado pelos elementos da JSN o General António de Spínola lê, perante as camaras da RTP a Proclamação da Junta de Salvação Nacional.

Re: 25 de Abril - as operações militares

MensagemEnviado: Domingo 27 Abril 2008, 13:32
por Viriato
02h00 - Imagem MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS. (MFA)
Após a leitura da Proclamação a JSN regressa ao RE1 e reune com os representantes do Grupo de Redacção do Programa - Charais, Vítor Alves e Vítor Crespo. Após longa discussão que terminaria às 07:00 são aceites as exigências de Spínola e Costa Gomes em relação à redacção inicial do Programa assim: é retirado do texto o " claro reconhecimento dos povos à autodeterminação e indepedência" e é anunciada a reorganização da PIDE/DGS no Ultramar passando a designar-se por "polícia de informação militar". Este embate com Spínola irá prolongar-se nos meses seguintes.

Re: 25 de Abril - as operações militares

MensagemEnviado: Domingo 27 Abril 2008, 13:40
por Viriato
02h00 - Imagem MARINHA
A força de Marinha chega às imediações da sede da PIDE/DGS na António Maria Cardoso. Costa Correia contacta o cap. Moura comandante da força do RC3. Acordaram que a força do RC3 se encarregaria do controlo das traseiras e que a Marinha controlaria o resto do edifício.

03h00 - Imagem MARINHA
Costa Correia não conhecendo as intenções no interior da PIDE/DGS, decide, em contacto com Contreiras aguardar pelo nascer do dia e tentar acalmar os ânimos dos populares que se encontravam nas imediações. É ainda decidido utlizar um dos agentes capturados para servir de medianeiro entre a força e a Direcção da PIDE/DGS.

07h00 - Imagem MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS. (MFA)
O Almirante Américo Tomás, sob escolta de uma força do Movimento, comandada pelo Ten. Cor. Almeida Bruno segue para o aeroporto de Lisboa. À mesma hora o Ten.Cor. Lopes Pires acompanha o Prof. Marcelo Caetano e os ex-Ministros Silva Cunha e Moreira Baptista ao aeroporto onde todos embarcam em avião da Força Aérea rumo ao Funchal onde ficam com residência vigiada.

07h30 - Imagem MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS. (MFA)
O Major Vítor Alves, destacado membro do MFA e um dos principais responsáveis pelo Programa do MFA, em Conferência de Imprensa lê a nova redacção do Programa do MFA. A sala de operações do RE1 estava repleta de jornalistas nacionais e estrangeiros.

08h30 - Imagem MARINHA
O agente que servia de intermediário dirige-se a Costa Correia informando que o Director da PIDE/DGS, Major Silva Pais estava com todo o pessoal à disposição do Comando da Força de Marinha. Almada Contreiras é informado da entrada na sede da PIDE/DGS. Costa Correia convida o cap. Moura, Comandante da Força de RC3 para o acompanhar.

09h00 - Imagem MARINHA
O cap.ten. Costa Correia e o cap. Andrade Moura entram na sede da PIDE/DGS, onde aparece a correr o major Campos Andrada que se juntou ao grupo. O Major Silva Pais, acompanhado por alguns dos mais próximos colaboradores, dirige-se a Costa Correia dizendo que a organização que dirigia aderia à acção que o Movimento estava a desenvolver. Costa Correia responde , dizendo que se é essa a intenção porque é que os retratos dos altos dirigentes do regime ainda se encontram na parede. Silva Pais pediu cadeiras e ele próprio retirou uma das fotografias. A PIDE/DGS acabava de se render .

03h00 - Imagem MARINHA
Homens do RC3 desarmam os agentes da PIDE/DGS e passam revista às instalações. No exterior as forças de Marinha tentam conter a multidão ouvindo-se gritos de "justiça popular". Foram de seguida tomadas medidas para: Segurança das instalações; Manter em funcionamento o Serviço de Estrangeiros e a Interpol. É pedido a Contreiras medidas para evacuar os agentes uma vez que a animosidade dos populares era crescente.