Ler & Pensar

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Mensagempor zézen » Segunda-Feira 4 Janeiro 2010, 12:50

Um texto de João Maria de Freitas Branco (*)

Um repensar do passado com os olhos postos no presente

O ter eu vivido na cidade murada interessantíssima experiência político-cognitiva, observando in loco o que foi o socialismo real germânico (a República Democrática Alemã – RDA ou DDR, no uso da sigla correspondente ao nome alemão do extinto país), essa experiência, fez-me estar ainda mais atento aos discursos do 20ºaniversário da queda do Muro de Berlim. Em particular aos proferidos por gente lusa com responsabilidade de mando. O que li e ouvi pôs-me na alma uma curiosa mistura de satisfação com perplexidade. Mescla de sentimentos agora motivadora deste breve prosar indagador – puro gesto de reflexão problematizante, de pensamento crítico.

O que se passou na cidade agora capital de uma única Alemanha nessa já recuada noite de 9 de Novembro de 1989 é indiscutível motivo de alegria para qualquer pessoa de bem; tem a dimensão simbólica do fim de uma forma de regime totalitário: realidade política ética e moralmente inadmissível. Aquela RDA, fossem quais fossem os seus méritos sociais, tinha que acabar. Sempre o tenho afirmado. Ver agora todos os representantes da nossa direita parlamentar saudar com genuíno regozijo esse histórico acontecimento é algo que me causa natural satisfação. Porque vivi tempos em que a direita prevalecente fazia a apologia da ditadura, cultivava a ideia de desigualdade, enaltecia desavergonhadamente a falta de liberdade, enxovalhando e troçando da democracia com alarvado escárnio salazarento. Para o bem, Abril parece ter sepultado essa direita, fazendo germinar uma nova. Chamo a isso progresso ideológico – renovação de mentalidades. Como homem de esquerda que me preso de ser, sinto-me bem nesta convergência de sentires com a direita de um Paulo Portas ou de um Durão Barroso. Coisa que os eternos amantes do simplismo não deixaram, nem irão deixar de condenar com viva suspeição.

Ver depois o mesmo Barroso ou o socialista José Sócrates, com o peso da responsabilidade conferida pelos altos cargos que exercem, colocar sinal de igualdade entre o nosso Estado Novo fascista e o socialismo real da extinta RDA causa-me aguda perplexidade. Afigura-se-me ser ajuizar intelectualmente pouco honesto que não favorece a imagem de quem o exiba. Esse discurso dominante, e até oficial, procura estabelecer uma evidência que mente…, evidentemente.

É assim que somos a todo o momento inundados de meias verdades ou mentiras instituidoras de evidências dominantes e dominadoras, de pseudo-verdades oficiais. Afogam-nos em opiniões estereotipadas que se supõe serem portadoras de verdade evidente. Um óbvio instituído. Semeia-se ilusão ideologicamente conveniente. Ora vejamos: quais são os maiores problemas que afectam (atormentam) a nossa sociedade democrática real? A democracia capitalista real? Penso que na resposta a estas interrogativas irei re-convergir com a nossa direita parlamentar sem deixar de me manter fiel à velha denúncia anti-capitalista das esquerdas revolucionárias, na precisa medida em que a resposta é demasiado consensual para que possa haver discordância significativa entre gente civilizada, bem intencionada e séria das nossas direitas e esquerdas parlamentares. Dou-a sem hierarquizar as dificuldades: Desemprego, pobreza/miséria, insegurança, crescente desigualdade social (fosso obsceno entre ricos e pobres).

http://caminhosdamemoria.wordpress.com/?s=Jo%C3%A3o+Maria+de+freitas+Branco
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Re: Ler & Pensar

Mensagempor Arp » Segunda-Feira 1 Fevereiro 2010, 22:19

Este MEC, concorde-se ou não com ele, tem um entusiasmo tão grande a (d)escrever as suas verdades que acaba por contagiar e torná-las em verdades quase universais.
Gosto sempre de ler este gajo.



"O NORTE

Primeiro, as verdades.
O Norte é mais Português que Portugal.
As minhotas são as raparigas mais bonitas do País.
O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela.
As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram.
Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá.
Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca.
Verde-rio e verde-mar, mas branca.
Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar.
Até o granito das casas.

Mais verdades.
No Norte a comida é melhor.
O vinho é melhor.
O serviço é melhor.
Os preços são mais baixos.
Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia.

Estas são as verdades do Norte de Portugal.
Mas há uma verdade maior.
É que só o Norte existe.
O Sul não existe.
As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et cetera = ( etc ), existem sozinhas.
O Sul é solto. Não se junta.
Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.
No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista?
No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.
Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país.
Não haja enganos.
Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.
Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.
Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal.
Mas o Norte é onde Portugal começa.
Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.
Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte.
Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa.
Mais ou menos peninsular, ou insular.

É esta a verdade.
Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade.
O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte.
Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa.
Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo.
As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.

No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa.
O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.
O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho.
Tem esse defeito e essa verdade.
Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.

O Norte é feminino.
O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.
As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos.
Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas.
Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito.
Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros.
Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias.
Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens.
Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas.
São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem.
As mulheres do Norte deveriam mandar neste país.
Têm o ar de que sabem o que estão a fazer.
Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte.
Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente.
Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.
Só descomposturas, e mimos, e carinhos.

O Norte é a nossa verdade.
Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório.
Gostavam do Norte só porque eram do Norte.
Assim também eu.
Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte.
Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.
Depois percebi.
Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram.
Já nascem escolhidos.
Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o "O Norte".
Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo.
Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente.
No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto.
Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima
Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.

O Norte não tem nome próprio.
Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os- Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago.
Mas não é.
Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.
O nome do Norte é Portugal.
Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte.
Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm de dizer "Portugal" e "Portugueses".
No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome.
Como "Norte".
Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros.
Porque é que não é assim que nos chamamos todos?"

Miguel Esteves Cardoso
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Re: Ler & Pensar

Mensagempor Tovi » Sexta-Feira 5 Março 2010, 17:43

Com a devida vénia ao Carlos Nunes e ao blog "a baixa do Porto", aqui fica parte de um texto do capítulo I de O Reino de Portugal em 1766 de Charles Dumouriez:


(...)
Os costumes das províncias do Norte de Portugal assemelham-se positivamente aos dos escoceses. São belos homens, francos, sinceros, corajosos, cheios de preconceitos, de ódio nacional e de amor patriótico. Eles exercem a hospitalidade: nas províncias de Entre-Douro-e-Minho e Trás-os-Montes, não existem albergues.
No meio do país, ao contrário, e particularmente em Lisboa, os habitantes são ladrões, avarentos, traidores, brutais, orgulhosos, mal humorados e também maus de corpo como de espírito; encontram-se, contudo, algumas excepções e sobretudo entre a nobreza, que é mais culta que a nobreza espanhola, mais afável e comunicativa, o que devem ao grande convívio com estrangeiros.
(...)

Ver tudo aqui: http://www.porto.taf.net/dp/node/6693
http://tovi.blogs.sapo.pt
"Devido à velocidade da luz ser superior à do som, algumas pessoas parecem inteligentes até as ouvirmos."
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Re: Ler & Pensar

Mensagempor zézen » Sexta-Feira 5 Março 2010, 23:25

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Re: Ler & Pensar

Mensagempor XôZé » Sexta-Feira 5 Março 2010, 23:28

Como não se trata do Algarve, tudo bem.

Tudo jóia! :mrgreen:
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Re: Ler & Pensar

Mensagempor zézen » Quinta-Feira 9 Setembro 2010, 13:45

O reverendo Luís e a procissão (Crónica)

Ao Luís não eram conhecidas virtudes públicas quando terminou o curso de engenharia e anunciou que tinha ouvido um chamamento. Julgaram que mencionava alguma oferta de emprego que um recém-licenciado sempre almeja. Nada disso. Rumou ao seminário e era vê-lo, quando regressava, nas férias, embevecido, a acolitar o padre nas cerimónias pias.

Não tardou, o tempo passa depressa, que o fizessem diácono e, a seguir, padre. Com que orgulho passou a substituir nos serviços litúrgicos o padre Manuel que, em Agosto, se deslocava ao Brasil impelido pelo gosto da viagem ou pelo desvelo paternal, segundo murmuravam os paroquianos desconfiados de uma filha naquelas paragens.

Um dia o João Nunes, antigo colega e também engenheiro, encontrou o reverendo Luís e disparou-lhe:

- Então como vai o engenheiro?

- Engenheiro, não, padre se faz favor, porque engenheiros há muitos e padres poucos.

- E o que é preciso para ser padre, retorquiu o primeiro, com visível boa disposição.

- É preciso ter juízo.

- Que grande cunha !…

E o diálogo terminou abruptamente, com o jovem clérigo amuado.

Começou aí o azedume do reverendo, emproado com as vestes talares e o colar romano que lhe cingia o pescoço, indiferente à canícula, persuadido de que a batina encobria os pecados e o engrandecia aos olhos dos profanos.

Alguns dias depois, na procissão da Senhora da Barca, o reverendo Luís comandava, no trajecto do costume, o cortejo, as orações e os cânticos quando, junto da esplanada do Café da Candidinha, se tresmalhou do pálio e se aproximou dos fregueses, crucifixo em riste, colérico, para os desancar evangelicamente, enquanto os devotos desfrutaram a pausa na fé e no percurso assistindo ao espectáculo profano.

Os alvos foram antigos colegas de colégio quando este era o único estabelecimento de ensino secundário no concelho. O João Nunes, o Aristides e o Zé Vaz aguentaram em silêncio a descompostura de quem não lhes tolerou a troca da devoção pela cerveja de barril. Foram admoestados furiosamente, seus hereges, não respeitam o padre, não se ajoelham à passagem da procissão, ofendem Deus Nosso Senhor, não têm consideração pela Senhora da Barca, indignos, pagãos… e, só depois de serenado com o espectáculo pio, o presbítero se recolheu ao pálio e à procissão que prosseguiu perante a assombro de alguns paroquianos e o gáudio de muitos outros.

Os hereges ficaram algum tempo mudos, mal refeitos da censura e do medo de levarem com a cruz, brandida pelo irado reverendo que, no delírio, parecia querer usá-la à vista dos devotos. Só quando a cauda da procissão se sumiu, as pernas deixaram de tremer e a calma voltou, soltaram os desabafos reprimidos que até a mãe do padre abrangeram.

A ligação entre os antigos colegas de colégio excluiu do convívio o presbítero e foram parcas as relações que ficaram. As férias terminaram e cada um foi à vida, enquanto o reverendo Luís regressou à paróquia da diocese de Lisboa onde exercia as funções a que o alegado juízo o predestinou.

No ano seguinte, no dia canónico, a procissão da Senhora das Neves repetir-se-ia com o padre Manuel no Brasil e o reverendo Luís a substituí-lo. Apenas os réprobos do ano anterior evitaram o café, não fosse o diabo tecê-las, e repetir-se a insólita cena.

A procissão teve a precedê-la a missa, como era uso, onde o reverendo Luís enalteceu as virtudes da santa e verberou o comportamento de paroquianos ausentes, indiferentes à procissão, capazes de se manterem sentados enquanto o andor, o pálio e a cruz viajavam pelas ruas. Soube-se que foi pobre a homilia e grande o acinte que moveu o oficiante, capaz de desancar os réprobos se, acaso, os visse perto do cortejo pio, sem se rojarem de joelhos à passagem. Não consta que os devotos se tivessem deixado encolerizar, apesar de acirrados, pelo jovem e piedoso presbítero que, a seguir, presidiu à procissão.

Pelas ruas ainda se viam colchas garridas às janelas quando o andor, o pálio e outros adereços desfilavam pelas ruas da vila. A procissão progredia vagarosamente com as orações e os gestos da coreografia de sempre. O Valdemar lançava foguetes em honra da santa, longe do cortejo, para evitar que as canas atingissem os devotos, indiferente aos incêndios que podia atear e a que, como bombeiro, teria de acudir.

Na esplanada do café da Candidinha o reverendo Luís viu de longe uma mesa ocupada onde a experiência lhe dizia que não morava a devoção. Ao chegar próximo do local, abandonou o pálio e correu de cruz erguida a admoestar os incréus, seus hereges, seus malcriados, não respeitam Deus, não estimam a santa, não veneram a cruz, não temem o Inferno, não conhecem a cólera divina e…, esgotada a pia admoestação, cego de raiva e fervor pio, regressou ao pálio e aos cânticos para maior glória da Senhora das Neves.

Na esplanada, um casal estrangeiro, surpreendido, sem nada ter percebido, hesitava em dar o iogurte ao filho.

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Re: Ler & Pensar

Mensagempor Viriato » Sexta-Feira 10 Setembro 2010, 00:02

muito tu gostas de padres .........
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Re: Ler & Pensar

Mensagempor zézen » Segunda-Feira 13 Setembro 2010, 02:38

Se calhar é por isso que gosto de ti. :content: :content: :content:
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